Mangabeira Unger and DVD: Applying the Teste da Farinha
Posted by Colin Brayton on April 30, 2007
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Unger: cui bono?
COMO MANGABEIRA AJUDOU DANTAS CONTRA OS FUNDOS: “How Mangabeira Unger Helped [Daniel Valente Dantas] Against the Pension Funds.”
A follow-up news item since then: Brazil: Opportunity Costs for Dantas Fellow Travelers.
Paulo Henrique Amorim — who is, after all, one of the founders of CartaCapital magazine — interviews a CC reporter who has dug into the involvement of Harvard Law professor Roberto Mangabeira Unger with the business dealings of Brazilian investment banker Daniel V. Dantas.
Unger’s 2005 op-ed in the Folha de São Paulo newspaper, accusing the Lula government of meddling in a dispute between Brasil Telecom management, controlled by Dantas, and Brazilian pension funds — and calling for the impeachment of “the most corrupt government in Brazilian history” — is causing quite a stir.
See Mangabeira Rewrites History!
Unger has now been named to a second-tier cabinet-level research and planning position in the Lula II government, as you recall.
He has said he will apologize to Lula in the speech commemorating his swearing in.
According to this reporter, Unger’s support for Dantas went a little beyond the moral and rhetorical.
Look, I cannot for the life of me get my head around this whole dispute, but I keep taking notes on it in the hopes of somebody being able to put two and two together.
And I have not checked out this reporting myself yet, mind you, so caveat lector; I merely translate pra inglês ver.
Amorim is one of the CC journalists allegedly wiretapped by Dantas and Kroll, so as you can imagine, they have a tremendendous, as they say in Brooklyn, hard-on for the “big-eared banker.” On the other hand, I have yet to catch CC lying to me. And I have tried.
A revista Carta Capital que chega às bancas neste final de semana traz uma reportagem que mostra como Mangabeira Unger ajudou Daniel Dantas a operar contra os fundos de Pensão e a Brasil Telecom.
This weekend’s CartaCapital magazine carries an article on how Mangabeira Unger helped Daniel Dantas to operate against the pension funds and Brasil Telecom.
O autor da reportagem e secretário de redação da Carta Capital, Sérgio Lírio, disse em entrevista ao Conversa Afiada que Dantas deixou um rombo de R$ 600 milhões na Brasil Telecom. E Mangabeira “embolsou” US$ 675 mil para ajudar Dantas.
Sérgio Lírio told Conversa Afiada in an interview that Dantas stuck Brasil Telecom with a shortfall of R$600 million, and Mangabeira “pocketed” US$675,000 for helping Dantas out .
“O Opportunity decidiu passar para uma empresa do Mangabeira todas as ações movidas contras os principais acionistas da BrT. Isso aconteceu porque, àquela altura, o Dantas, que era o principal gestor da empresa, sentia que os demais sócios estavam insatisfeitos e iriam tirá-lo da administração”, disse Lírio (clique aqui para ouvir).
“Opportunity decided to transfer all the lawsuits against the principal shareholders of BrT to a company owned by Mangabeira. This happened because at the time, Dantas, the company’s top manager, sensed that the other partners were dissatisfied and were going to remove him from management,” Lírio said.
Ao transferir essas ações para a empresa do Mangabeira, para protelar a retirada do Opportunity como gestor das empresas, Dantas mantinha uma insegurança jurídica para os demais sócios. Ou seja, se Dantas saísse Mangabeira poderia continuar a tocar as empresas, que tinham, no fundo, intenção de adiar a saída do Dantas.
By transferring these lawsuits to Mangabeira’s firm, in order to delay the dismissal of Opportunity as the manager of the companies, Dantas created a situation of legal uncertainty for his other partners. That is, if Dantas were to depart, Mangabeira could have continued to sue the companies; the intention was basically to delay the departure of Dantas.
Sort of a “poison pill” defense, I guess, although that term is usually applied to buyouts and hostile mergers.
Ou seja, Mangabeira passou a ser a “segurança” jurídica de Dantas nas ações contra os fundos. “Mangabeira Unger era amigo de Dantas, ele é professor de Harvard, mora nos Estados Unidos, mas nasceu na Bahia, de onde também é o Dantas”, disse Lírio.
That is to say, Mangabeira became as sort of legal “bodyguard” for Dantas in the lawsuits against the funds. “Mangabeira was a buddy of Dantas’, he is a professor at Harvard, he lives in the U.S., but he was born in Bahia, where Dantas is from,” Lírio said.
The interview:
Conversa Afiada – Uma reportagem da revista Carta Capital com o título “Conselheiro de quem?”, trata da nomeação de Mangabeira Unger para a Secretaria de Longo Prazo do governo Lula, uma secretaria com status de ministério. Sobre este assunto eu vou conversar agora com o Sérgio Lírio, autor da reportagem e secretário de redação da revista. Sérgio Lírio, tudo bem?
[Yada yada yada, intro intro, hey, how ya doin'?]
Sérgio Lírio – Tudo bem, como vai?
[I'm good, you?]
Conversa Afiada – Tudo bem. Logo no início da matéria tem uma parte que diz que entre 2002 e 2005 Mangabeira Unger aceitou, em troca de pagamentos que alcançaram a cifra de U$$ 675 mil, participar de uma armação que resultou em enormes prejuízos aos fundos de pensão e grandes ganhos para o banqueiro Daniel Dantas. Eu gostaria que você explicasse isso e também qual a ligação entre Unger e Dantas.
At the outset of your story there’s this part where you say that between 2002 and 2005 Unger agreed, in exchange for payments that eventually amounted to US$675,000, to take part in a scheme that resulted in enormous losses for the pension funds and huge profits for Daniel Dantas. I would like you to explain that and tell us what the connection is between Unger and Dantas.
Sérgio Lírio – Bem, o Mangabeira Unger era amigo de Dantas, ele é professor de Harvard, mora nos Estados Unidos, mas nasceu na Bahia, de onde também é o Dantas. Ele foi contratado em 2002 pela Brasil Telecom a mando de Dantas, já que na época a direção da BrT tinha sido colocada lá pelo banqueiro e respondia aos interesses dele. Ele foi contratado pelo seguinte: o Opportunity decidiu passar para uma empresa do Mangabeira todas as ações movidas contras os principais acionistas da BrT. Isso aconteceu porque, àquela altura, o Dantas, que era o principal gestor da empresa, sentia que os demais sócios estavam insatisfeitos e iriam tirá-lo da administração. E ele decidiu então começar uma litigância excessiva contra os sócios para manter o controle. Eu vou fazer um paralelo.
Well, Mangabeira Unger was a buddy of Dantas’, he is a professor at Harvard but was born in Bahia, where Dantas is from. He was hired by Brasil Telecom in 2002, at Dantas’ direction, at a moment when the BrT board had been put in by Dantas and danced to his tune, MU was hired to do the following: Opportunity had decided to transfer all the voting shares opposed to the principal shareholders in BrT to MU’s firm. This happened because, at that point, Dantas, the principal manager of BrT, felt the other partners were dissatisified and might kick him out of management He decided to file an excessive lawsuit against his partners in order to maintain control. I am going to give you an analogy.
Em vários prédios tem um administrador, um síndico, que não é dono, não tem nenhum apartamento no prédio. Em determinado momento este administrador decide que vai mandar no prédio e pode tirar os donos de onde quiser e ficar com os apartamentos. Era mais ou menos esse o papel do Dantas nas empresas de telefonia, principalmente a BrT. Então qual era o papel do Mangabeira? Ao transferir essas ações para a empresa do Mangabeira, para protelar a retirada do Opportunity como gestor das empresas, ele mantinha um insegurança jurídica para os demais sócios. Ou seja, se o Dantas saísse o Mangabeira poderia continuar tocando as empresas, que tinham, no fundo, intenção de adiar a saída do Dantas. Eram duas pontas: essas ações eram muito cansativas, longas, e ele conseguiu chegar num acordo com uma delas, a Telecom Itália, para encerrar essas pendências jurídicas. A Telecom Itália decidiu pagar ao Dantas 50 milhões de euros, isso em 2005.
In a lot of condos you have an administrator, a super, who is not an owner, who does not have an apartment there. At a certain moment the super decides he is going to run the place and that he can evict the owners and keep their apartments. That was more or less Dantas’ role at the telecom firms, principally BrT. So what was Mangabeira’s role? When the shares were transferred to Mangabeira’s firm, in order to prevent Opportunity’s dismissal as manager, it created legal uncertainty and risk for the other patners. That is, if Dantas left Mangabeira could continue to handle the companies, which at heart intended to removed Dantas forthwith. Two points: These lawsuits were exhausting and protracted and he managed to settle one of them, Telecom Italia, to close out these potential avenues of legal action. TI decided to pay Dantas €50 million in 2005.
Conversa Afiada – Quais eram essas pendências?
What were these potential legal maneuvers?
Sérgio Lírio – Por exemplo, era questionado que se ele fosse retirado (do comando) ele poderia – tem um acordo específico que ele assinou, chamado “umbrella”, dizendo que não poderia ser retirado da gestão. Ele assinou com ele mesmo. É um documento fraudulento, está sendo questionado na justiça. Ele assinou em nome dele e dos demais sócios. Qualquer tentativa em retirá-lo daria a ele o direito de exercer um poder que ele não tinha na empresa. Tinha outras ações menores que tinham só esse objetivo: estancar o processo de retirada dele da empresa. Só pra você ter uma idéia, é um processo jurídico que dura sete anos, e o resultado foi o seguinte: quando finalmente, após longa batalha judicial, os demais sócios conseguiram retirá-lo da gestão e fizeram uma auditoria na Brasil Telecom, eles encontraram um rombo de R$ 600 milhões. Que eram basicamente o uso do dinheiro da empresa, dos acionistas, em proveito do Daniel Dantas e do Opportunity.
For example, they wondered whether once Dantas was removed from management he might not — he has a specific contract he signed, called an “umbrella,” saying he could not be removed from management. He signed this contract with himself. It is a fraudulent document, it is being questioned in the courts. He signed it in his own name and that of his partners. Any attempt to remove him would give him the right to exercise this power which he did not have over the company. There were other maneuvers with the same objective: to block the process of removing him from management. Just to give you an idea, this is a legal proceeding that has lasted seven years, with the following result: When the other partners finally, after a long legal battle, managed to remove him and did a financial audit of the company, they discovered a shortfall of R$600 million (US$300 million). Which was basically using the firm’s money, the stockholder’s money, for the benefit of Dantas and Opportunity.
Por exemplo, o pagamento de advogados dele, inclusive o advogado que o acompanhou no depoimento à CPI dos Correios, com dinheiro da BrT. Pagava outros banqueiros do Opportunity, a serviço dele, com dinheiro da BrT, que é um dinheiro de fundos de pensão, portanto de milhares de pessoas que contribuem e recebem aposentadoria. Ou seja, desvio de dinheiro do bolso de milhares de pessoas para os bolsos do Dantas. São R$ 600 milhões que, obviamente, com a dificuldade dos demais sócios – não só os fundos mas a Telecom Itália e o Citibank – de retirá-lo do controle da empresa – causado por essa litigância excessiva, ou seja, ele colocava ações em Brasília, no Rio de Janeiro, no exterior – atrasou, quanto mais tempo ele ficou lá mais tempo ele teve para: 1) para desviar mais dinheiro em benefício próprio; 2) desaparecer com documentos que poderiam explicar alguns pontos de crise, como, por exemplo, a participação dele no financiamento do valerioduto já que a CPI apontou e é público e notório que os três principais clientes privados do Marcos Valério eram a Brasil Telecom, a Telemig Celular e a Amazônia Celular. E que sabe-se também, público e notório, apurado na CPI, amplamente divulgado, que o Marcos Valério intercedeu pelos interesses do Dantas junto a vários integrantes do PT e alguns integrantes do governo Lula. Então, esse é o ponto central dessa história. Então, o Mangabeira…
For example, the payments to his lawyers, including the lawyer who accompanied him as he testified to the parliamentary commission on the Postal Service, from BrT funds. He paid other Opportunity bankers, his employees, with BrT money, which is money belonging to the pension funds, and therefore belongs to thousands of contributors and retirees. That is, taking money out of the pockets of thousands and putting it into Dantas’ pocket. These are US$300 million that obviously, given the difficulty the other partners — not just pension funds but also TI and Citibank — had in getting him out — because of this barrage of litigation, that is, he placed shares in Brasilia, in Rio, outside of Brazil — took a long time, and the longer he was there the more time he had to (1) misappropriate more money in his own benefit; (2) get rid of documents that might have shed light on the crisis, such as, for example, his role in financing [the campaign finance slush-fund and money laundering scheme], given that it is public and notorious that the three principal private clients of the ad executive who ran the scheme were Dantas-controlled telecom firms.
On Belo Horizonte Baldy and how to launder money into political slush funds through outsourcing contracts with public-private partnerships, start with Azeredo Campaign Funded From The Bald One’s Laundry and read your way backwards.
Conversa Afiada – Voltemos ao Mangabeira.
Let’s get back to Mangabeira.
Sérgio Lírio – Qual era a função do Mangabeira, então? O Dantas transferia para o Mangabeira, quer dizer, porque… qual era a lógica? Vamos imaginar: você tinha as pendências judiciais movidas pela Brasil Telecom aparentemente defendendo os interesses da empresa, mas, no fundo, só servia aos interesses do Dantas de protelar ou de adiar a sua saída. No dia que ele fosse destituído, que os donos reais da empresa assumissem a empresa, o que ia acontecer? Eles iam encerrar todas as ações já que as ações eram contra eles. Eram ações contra os fundos, eram as ações da Brasil Telecom contra os fundos, da Brasil Telecom contra a Telecom Itália, da Brasil Telecom mais tarde contra o Citibank. O óbvio seria isso, quer dizer, quando eles assumissem o controle da empresa que a eles legalmente pertencia, eles iriam encerrar as ações. Então, o que o Dantas fez? Transferiu para o Mangabeira o direito de decidir o encerramento ou não dessas ações. Ou seja, ele sendo retirado, os sócios entrando, o Mangabeira poderia continuar essa litigância. E você sabe muito bem como isso funciona: aí vai, consegue uma liminar aqui, que emperra o processo, consegue uma outra liminar ali, consegue uma decisão primeira instância, quer dizer tudo serve pra quê? Pra protelar essa saída e permitir ao banqueiro ficar numa situação não só de negociar como de esconder as coisas que fez, como de minar o interesse geral do dono da empresa de ter o controle efetivo, seguro da empresa. Como é que você ia conseguir trabalhar com várias ações e decisões incomodando?
So what was MU’s function, then? Dantas was transferring shares to Mangabeira, but why? I mean, what was the logic? Let us imagine: You had the lawsuits filed by Brasil Telecom, apparently defending the interests of the company but actually attending to Dantas’ desire to prevent or delay being fired. On the day he was dismissed, when the real owners took control, what was going to happen? They were going to withdraw those lawsuits, because after all, these were lawsuits against them. They were lawsuits against the pension funds, Telecom Italia, and later against Citibank. The obvious thing, I mean, when they resumed the control that was legally theirs, would be to withdraw the lawsuits. He transferred to Unger the right to decide on whether those suits would proceed. …
Conversa Afiada – Sérgio, nesse ponto, pra gente entender bem, como que foi feita essa transferência de ações? De que forma?
How were these lawsuits transferred, just so we understand? What form did the transfer take?
Sérgio Lírio – O que nos Estados Unidos se chama de “trusty” [sic]. Fica a empresa do Mangabeira passa a responder num acordo assinado com a Brasil Telecom ele passa a ser o… passa a responder por essas coisas. Quer dizer, ele representa, ele vai às audiências, ele interpõe recursos, quer dizer, fica ele livre pra tomar as decisões necessárias. Inclusive negociar o fim ou não das ações, continuar, abrir novas ações. É um outro agente dentro do processo que de certa forma blindaria a continuidade dessas ações que só serviam, como eu disse antes, aos interesses do banqueiro. Quer dizer, não tinha ali nenhum interesse que justificasse a defesa dos ganhos da empresa, dos acionistas, não. Eram só as ações em geral para defender os interesses imediatos do banqueiro, que era não ser retirado das empresas, repito, que os sócios, insatisfeitos com ele, tinham todo o direito de fazer.
It was what in the U.S. they call a “trustee.” Mangabeira’s firm became, in an agreement signed with BrT, became the … became the responsible party in these matters. That is to say, he represents, he goes to the hearings, he files the appeals, that is, he has the power to make the necessary decisions, including whether to settle the lawsuits or not, continue them, file new lawsuits. He was one more actor inside the process that would one way or another ensure the continuation of those legal actions, whose only purpose, as I said before, was to serve the interests of the banker. That is, there was no interest in these cases that could be justified in terms of defending the company’s revenues or the shareholders’ interests, none. They were general lawsuits in defense of the banker’s own immediate interest, which was not to get dismissed from managing the company — which, I repeat, his disgruntled partners had every right to do.
Conversa Afiada – E aí o Dantas, com essa operação toda, o roubo que ele causou foi esse, de R$ 600 milhões?
And so Dantas, with all that maneuvering, the amount he got away with was this R$600 million?
Sérgio Lírio – Não só por causa desse número de ações que depois ficaram por conta do Mangabeira, mas por ações do professor Mangabeira Unger, mas por ações que começaram antes, essa briga se estendeu por quase 7 anos, ou por mais de 7 anos. Durante esse tempo… e foi muito difícil na reta final. O que a gente precisa ressaltar é o seguinte: a partir de 2002 ficou claro pro Dantas e pro grupo dele que a saída dele das empresas era inevitável porque os fundo de pensão já tinham detectado os prejuízos que estavam tomando com a gestão dele e já eram de muito tempo uma batalha para retirá-lo de lá. Você tinha uma mudança no cenário político.
Not just because of lawsuits that wound up in Mangabeira’s hands, but actions by Mangabeira himself, before that, this dispute dragged out for seven years, or more than seven years. During that time … well, the end game was very complicated. What we should underscore is this: Starting in 2002, it was clear to Dantas and his group that their departure was inevitable, because the pension funds had detected the losses they were taking under his management, and the battle had long ago been joined to get him out of there. You had a change in the political scenario.
O Dantas claramente foi apoiado, estimulado pelo governo tucano do Fernando Henrique, por exemplo, há a célebre história em que ele um dia chegou das Ilhas Cayman, desceu em Brasília, num jatinho, foi se reunir com Fernando Henrique na calada da noite, no Palácio do Planalto, e uma semana depois o governo interveio nos fundos de pensão pra segurar as ações que os fundos de pensão estavam fazendo contra ele. Em 2002, naquela altura do campeonato, em meados do ano, estavam cada vez mais claras as chances do Lula de vencer as eleições e, portanto, chegaria ao poder um grupo de políticos e de militantes ligados aos fundos de pensão e, portanto, conhecedores dos prejuízos que o Dantas tinha causado aos fundos de pensão. Ao mesmo tempo, a Telecom Itália também tinha descoberto e estava muito insatisfeita com a forma de gestão do Opportunity e tinha descoberto como os acordos na época da privatização tinham sido montados e eram prejudiciais a ele.
Dantas was clearly supported and encouraged by the Toucan government of Cardoso; for example, you have the storied incident of the day he arrived from the Caymans in Brasilia in a corporate jet, met with Cardoso in the middle of the night in the Planalto, and a week later the government intervened in the pension funds to stem the lawsuits the pension funds had filed against him. In 2002, …, in the middle of the year, it was getting clear that Lula was going to become President, and that a group of politicians and activists with ties to the pension funds would come to power, and would find out the damage that Dantas did to the pension funds. At the same time, Telecom Italia had discovered and was very unhappy about Opportunity’s management and had discovered how the deals made during the privatizations had been set up [to be] prejudicial to its interests.
E eu preciso lembrar o seguinte: quem negociou esse acordo Telecom Itália com o Opportunity foi a Carla Cico que, um mês depois de ter assinado o contrato Telecom Itália/ Opportunity foi trabalhar para o Opportunity, saiu da Telecom Itália e foi trabalhar para o Opportunity e logo depois virou presidente da Brasil Telecom. Quer dizer, em 2002, você já tinha uma aliança entre Telecom Itália e os fundos de pensão pra tentar destituir o Dantas. O que segurava um pouco o Dantas era o Citibank. Só que houve uma mudança interna no Citibank. Uma das grandes apoiadoras do Dantas, uma vice-presidente chamada Marilyn Putney se aposentou. Outros executivos ascenderam no Citibank e eles chegaram a conclusão que eles também eram prejudicados pelo Dantas. E aí começou a mudança, um esfriamento da relação do Citibank, que era o grande apoiador financeiro do Dantas com o Opportunity.
We need to remember this: It was Carla Cico who negotiated the Telecom Italia deal with Opportunity, and then one month after signing the deal went to work for Opportunity, left TI and went to work for Dantas and soon after became president of BrT. In 2002, you already had an alliance between TI and the pension funds to fire Dantas. What helped Dantas some in hanging on was Citibank. Except that there was an internal change at Citi. One of Dantas’ major supporters, a VP named Marilyn Putney, retired. Other execs moved up and concluded that they had also been harmed by Dantas. And that is how the change came about, a cooling of relations with Citi, which had been the major supporter of Dantas at Opportunity.
Diante do cenário ruim o que o Dantas fez? De um lado intensificou, contratando a Kroll, os trabalhos de espionagem contra os desafetos e concorrentes e em busca de informações que pudessem achacar ou derrubar essas pessoas e, do outro, o início de uma litigância feroz, quer dizer, por meio de vários escritórios de advocacia, aliás, a maioria paga com dinheiro da Brasil Telecom, segundo a auditoria levantou. Quer dizer, gastos milionários que a Brasil Telecom tinha por ano com advogados que atendiam exclusivamente aos interesses do Daniel Dantas e à revelia dos interesses dos donos reais das empresas e, entre elas, foi esse acordo com o Mangabeira. Quer dizer, o Mangabeira Unger se prestou a um trabalho que, no fim das contas, causou um prejuízo de R$ 600 milhões aos sócios da Brasil Telecom incluindo aí os fundos de pensão e, por extensão, os aposentados e futuros aposentados desses fundos de pensão.
Given the awful situation that Dantas created? On the one hand he intensified it by hiring Kroll, with the espionage against dissident partners and competitors in search of information he could use to attack or bring down those people, and on the other hand he initiated a ferocious campaign of litigation through various law firms, most of it paid for with BrT’s money, according to the audit report. He spent millions of BrT’s money on lawyers who worked exclusively on his personal behalf against the interests of the real owners of the companies. And among those hirings was this deal with Mangabeira Unger. So Unger lent himself to a project that in the end cost BrT partners R$600 million, including the pension funds and by extension their current and future beneficiaries.
Conversa Afiada – Você diria que o Mangabeira Unger foi o braço direito do Dantas nesse rombo de R$ 600 milhões?
Would you say that Unger was Dantas’ right-hand man in this matter of the missing R$600 million?
Sérgio Lírio – Eu não diria que ele foi o braço direito, mas que ele teria uma participação importante. Eu diria o seguinte: ele que naquele artigo de 2005 se mostrou tão indignado com toda a corrupção e pediu o impeachment do Lula, ele depois não mostrou nenhuma indignação com o fato de que ele era pago com o dinheiro de terceiros para prejudicar essas mesmas pessoas, ou seja, se o Opportunity o tivesse contratado e pagado com o dinheiro do próprio bolso, talvez fosse um problema… mas além de tudo, de ter servido a um esquema que só tinha esse interesse e que no fim resultou nesse rombo, ele ainda foi pago com o dinheiro das pessoas que foram prejudicadas e, até hoje, o professor Mangabeira Unger não demonstra a mesma indignação quando demonstrou naquele célebre artigo da Folha de São Paulo em que pede o impeachment de Lula.
I would not say his right-hand man, but I would say he played an important role. I would say this: The guy who displayed so much indignation over corruption in that 2005 article and called for the impeachment of Lula was not so indignant afterwards over the fact that he got paid with money belonging to third parties to harm the interests of those same persons. That is, if Opportunity had hired him and paid him out of its own pocket, that might have been a problem … but above all, for having served a scheme designed for that sole purpose, a scheme that produced those losses, he got paid with the money of the persons who got hurt, and to this very day Unger has not manifested the same degree of indignation he did in that infamous Folha article.
Conversa Afiada – Sérgio Lírio, muito obrigado e parabéns pela reportagem.
Have a nice day.
Sérgio Lírio – Tá bom, obrigado.
Peace out.

Latin American Zeitgeist consultant emeritus
"Eu sou o rei dessa folia, pra delírio da Fiel"

