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“Reality-Test The Press Release”: Red-Zone B-School Cases in Point

Daniel Dantas: “Conversations in the Clouds”

Posted by Colin Brayton on July 6, 2007


The São Paulo
New Yorker clone even features Art Spiegelman up the wazoo. Not that I have anything against the creator of RAW comix and author of In the Shadow of No Towers, mind you. And my wife loves it. I find it mildly diverting but nonsensical on the whole. Like the sheep it was cloned from.

Teatro,
lo tuyo es puro teatro
falsedad bien ensayada
estudiado simulacro.

A Brazilian blog called Portal Denúncia finally brings me a clipping from the recent Piauí magazine profile on the MIT-trained banker Daniel Dantas — which I find to be less of a crude “autohagiography by proxy” than secondhand reports indicated when it first came out.

See “Piauí Lies”: New Yorker Clone Runs Autohagiography by Proxy. It is a variant on the “autohagiography by proxy” nevertheless.

Veteran journo Mino Carta had complained that Piauí let libelous statements about him by the “jug-eared” banker pass without a reality check:

This is not journalism, just as running a profile of a public figure without noting the pros and cons and hearing both friends and detractors is not journalism.

Mino has a point.

The deadpan “I am a camera” treatment that Piauí gives the jug-eared banker certainly makes for some interesting storytelling. But that’s the problem with the “I am a camera” form of narrative journalism. It’s all style and no substance, and prone to abuse as the reporter abdicates the responsibility to provide a critical perspective.

It’s the “words into type” version of the case we examined in NMM(-TV)SNBCNNBS: The Cops of Fox x Globo’s BOPE.

Globo’s Fantástico equipped Rio’s BOPE “trooper elite” with cameras and let them film their own operations.

It sent no reporter along to provide an independent perspective, and it edited the resulting footage into what is best described as a series of screenshots from a first-person shooter video game.

Nothing was revealed.

Nevertheless, I proceed to clip an excerpt pra inglês ver. The Dantas saga is a rich and instructive business case and morality play, a classic case study in the dramaturgy of hysterical virginity and the stagecraft of fear, uncertainty and doubt.

Numa tarde ensolarada do começo do outono, a “Serenata no 13 em sol maior”, de Mozart, ecoava pela sala envidraçada que abriga a presidência do banco Opportunity. A ela, seguiram-se sonatas, sinfonias, concertos. O ocupante da sala, o economista Daniel Dantas, surpreendeu-se com a pergunta sobre o seu apreço por música clássica. “Como?”, reagiu, sem entender. “Ah, a música!”, disse, afinal. Com um sorriso maroto, caminhou em direção à janela, apontou um pequeno vão no teto, entre a janela e a persiana, e informou: “Descobrimos microfones aqui, estavam ouvindo as conversas e antecipando nossos movimentos”. Dantas mandou instalar um sistema de som no forro do teto do banco — o Opportunity ocupa o 28o andar de um dos maiores prédios do centro do Rio — para dificultar a gravação do que se diz ali.

On a sunny afternoon in early October, Mozart’s Serenade No. 13 in G major was echoing through the glass-walled offfice of the president of the Opportunity Bank. It was followed by sonatas, symphonies, concertos. The occupant, economist Daniel Dantas, was surprised by the question about his affinity for classical music. “What?” he asked, uncomprehending. “Oh, the music!” he said finally. With a sickly smile, he walked over to the window, point to the slight gap in the ceiling between the window and the blinds, and said: “We found microphones here, they were listening to our converations and anticipating our movements.” Dantas had a sound system installed in the lining of the bank’s ceiling — Opportunity occupies the 28th floor of one of the largest buildings in downtown Rio — to make it difficult to record what gets said there.

Para evitar que adversários registrassem suas palavras, chegou a fazer reuniões nas nuvens. O jato particular decolava do aeroporto Santos Dumont e não ia a lugar nenhum. Dava voltas sobre o Rio, às vezes por mais de uma hora, para que executivos do Opportunity pudessem conversar livres de grampo. Alguns códigos não-verbais foram criados para a comunicação entre Dantas e seus diretores, reduzindo a necessidade de conversas. Ele recorre a videoconferências apenas para se comunicar com seus advogados em São Paulo, Paris, Nova York e Londres. E só em último caso, diz, usa o telefone para tratar de “assunto sério”.

To avoid having adversaries record his words, he went so far as to hold meetings in the clouds. The private jet would take off from Santos Dumont on a trip to nowhere. It flew circles around Rio, sometimes for over an hour, so that Opportunity executives could converse free of wiretaps. Non-verbal codes were created for communications between Dantas and his board members, reducing the need for conversations. He uses videoconferences only to communicate with his lawyers in São Paulo, New York and London.

And Cambridge, Mass., apparently.

Only as a last resort, he says, will he use the telephone to talk about a “serious subject.”

Sounds like the communications security strategy of John “The Teflon Don” Gotti, doesn’t it? Walking up and down the sidewalk in front of Satriale’s pork store, holding your hand over your mouth to defeat the FBI lip readers?
When the Brasil Telecom boardroom was discovered to have been riddled with surveillance equipment, in the midst of the board’s dispute with Dantas — photos were published — the company that installed it claimed it was actually countersurveillance equipment.

Quando era ministro, no primeiro mandato do presidente Lula, Luiz Gushiken deu um depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre corrupção nos Correios. O ex-chefe de Comunicação definiu com precisão o “assunto sério” que, há oito anos, mobiliza as energias de Daniel Dantas. Gushiken disse na cpi que o Opportunity é o pivô da “maior disputa societária da história do capitalismo brasileiro”. O alvo da contenda é o controle de companhias de telecomunicação, saneamento e transportes que, juntas, estão avaliadas em mais de 20 bilhões de reais. A disputa, que se desdobra em dezenas de ações judiciais em três continentes, opõe um dos maiores bancos americanos, o Citi, uma das grandes companhias de comunicação da Europa, a Telecom Italia, e dois gigantescos fundos de pensão brasileiros, a Previ (do Banco do Brasil) e a Petros (da Petrobras). Os quatro pesos-pesados classificam Daniel Dantas como inimigo. Em decorrência dessa briga maior, o banqueiro tem um rol de adversários que se estendem do mundo político à imprensa, do Judiciário ao Ministério Público, do empresariado à Polícia Federal.

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Aos 52 anos, de altura mediana e magreza de adolescente, o que lhe dá um ar de fragilidade, Dantas conserva uma aparência jovem, embora os fios de cabelo no topo da cabeça estejam rareando. Tem olhos grandes, de um azul opaco, que se desviam com freqüência do interlocutor, como se lhe incomodasse ser observado com atenção. Caminha quase o tempo todo enquanto fala. Seja qual for a pergunta, jamais altera o tom de voz. Ainda que prefira se refugiar em abstrações a se deter em casos concretos, Dantas é um fino imitador. É com um cômico sotaque baiano-americano, por exemplo, que repete uma das máximas de Roberto Mangabeira Unger: “É a décima-terceira badalada que desmoraliza o sino”. Unger, professor em Harvard, para quem Lula criou a famosa Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo, prestou assistência a Dantas na área de direito internacional. Foi pago pela Brasil Telecom, empresa controlada pelo Opportunity, e recebeu 2 milhões de dólares, entre 2002 e 2005.

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O bom humor demonstrado pelo banqueiro destoa de sua reputação no mundo corporativo, no qual é visto como negociador ardiloso e desleal. “Daniel é incapaz de cumprir um acordo: para ele, um negócio é bom quando só ele ganha”, diz um executivo de uma empresa em litígio com o banqueiro. É difícil encontrar um empresário que se disponha a elogiar o criador do Opportunity.

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Sergio Andrade, dono da Telemar e da Andrade Gutierrez, é exceção. Num almoço recente, num restaurante no Leme, comentou com um amigo sobre o ex-sócio no metrô carioca: “Ele tem uma rapidez de raciocínio prodigiosa”. Andrade contou que, já há alguns anos, tomara a decisão de não brigar com Dantas. “Acho ele simpático”, disse, sorrindo. A conversa foi por outros rumos. Dez minutos depois, perguntado se ainda tinha alguma operação na internet, Sergio Andrade respondeu que não. “Bem que eu gostaria, mas o Daniel me tomou o ig”, completou, já sem sorrir. Em 2004, a Telemar anunciou a compra do portal — estava prestes a adquirir a participação de um fundo de investidores estrangeiros. Faltava apenas a avaliação final do negócio. Ao tomar conhecimento da proposta da Telemar, Dantas ligou para o representante do tal fundo, e ofereceu pagar à vista, naquele mesmo instante, sem avaliação, os 50 milhões de dólares que a concorrente estava oferecendo. Levou a empresa na hora.

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Em 1997, a iniciativa do governo Fernando Henrique de privatizar empresas de telefonia, transporte e saneamento foi recebida como uma atualização, tardia e urgente, do capitalismo no Brasil. Daniel Dantas juntou-se a um grupo de investidores para disputar os leilões e participar de uma empresa adequada às novas regras, com capital privado nacional e estrangeiro, além de uma participação estatal. A promissora sociedade logo se transformou numa fonte de conflitos. Ao longo de uma década, Dantas se indispôs com todos os seus parceiros. Primeiro se afastaram os canadenses da tiw, companhia telefônica que se associara a ele na compra das operadoras de celular Telemig e Amazônia, e os argentinos da Cometrans, com os quais tinha sociedade no Metrô do Rio. Os dois o acusaram de tê-los ludibriado. Em seguida, Dantas se desentendeu com dirigentes dos fundos de pensão. Por fim, perdeu o apoio do parceiro estratégico, o Citibank. Como se fosse pouco, abriu uma frente de batalha com a Telecom Italia.

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A origem das desavenças está na estrutura societária montada por Dantas, que lhe garantia o controle das companhias privatizadas, embora sua participação acionária fosse bem menor do que a dos demais sócios.

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