Rio: “The Cop, The Militiaman and the King of the Hill”

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Bat macumba oba: The Batman shield marks protected homes and businesses in Rio’s Western District — and the campaign advertising of two local candidate. See Rio de Janeiro: Batman Returns.

Currently, it is the Western Zone where the public authorities annd the militias have their closest ties. At least two state deputies and three city legislators have a political monopoly in the area, and this group is in the midst of a full-bore expansion of its territory and a bid to increase the number of its representatives in the city legislature in the 2008 elections.

See also

Vozes paralelas: Carlos Costa of Viva Favela (Rio de Janeiro) interviews (1) a Rio de Janeiro cop, (2) a Rio fireman involved with the militias in the Western Zone, and (3) a leader of the drug traffic, about their relationships to community leaders in communities where they operate.

Fascinating interviews, all of them.

This is some very nervy journalism. And a case where can understand why the reporter granted anonymity to his sources without much explanation — except that the reporter explains it anyway. As he ought to.

What the interviewer is interested in getting perspective on is the case of the former community leader at Kelson’s favela, last seen bleeding from several holes in his body, being hustled into a car. See

Machado (nome fictício), 56 anos, é casado e tem quatro filhos. Está na polícia Militar há 23 anos como praça. Já serviu em batalhões de Niterói, Zona Sul, Barra, Zona Norte e Baixada. “Só não servi ainda em batalhões do interior, onde acho que não teria o que fazer”, comenta. Sua análise não diz respeito ao policiamento ostensivo, mas ao que ele chama de “limpar a área”, tirando de circulação “vagabundos porcos”. Num linguajar cheio de dialetos, o policial afirma que só respeita grandes bandidos, aqueles que possuem potentes arsenais, muitos homens, um movimento planejado de venda de drogas e que saibam “ganhar e perder”.

Machado (not his real name), 56, is married with four children. He has been in the state military police for 23 years, as a private. He has served with battalions in Niterói, the Southern and Northern Zones, Barra, and the Baixada Fluminense. “I only never worked in those battalions in the interior of the state, where I don’t think there would be anything to do,” he says. This analysis refers, not to police patrol work, but what he calls “cleaning up the area,” taking “stinking bums” out of circulation. In a jargon full of colorful terms, the policeman says he only respects the great bandits, the ones with big arsenals, lots of men, a plan for their drug-dealing activities, and who know “how to win and how to lose.”

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Jorginho: shot and hustled off in a car. ID work ongoing on charred remains that may be his.

Quando este repórter lhe pediu que se expressasse com mais clareza, Machado se levantou da mesa no canto de um bar numa movimentada rua da Zona Norte e ameaçou ir embora. Foi convencido pela pessoa que nos colocou em contato a “aproveitar o anonimato e soltar o verbo”. Uma talagada de “rabo de galo”, e o homem finalmente “destravou”:

When this reporter asked him to express himself more clearly on the subject, Machado got up from the table, in a bar on a busy street in the Northern Zone, and threatened to walk out. He was convinced by the person who put us in contact to “take advantage of being anonymous and tell it like it is.” After a sip of his cocktail, the man finally “let loose”:

“Seguinte, a gente ganha uma miséria para ficar correndo atrás de vagabundo. Toma tiro nos cornos, fica no hospital, fica paralítico, morre e deixa a família aí desamparada. Olha aqui meu corpo como é… Pareço queijo suíço. Olha aqui meu corpo como é (mostrando as cicatrizes de balas). Isso não é marca de beijo, não!”

“Here’s the deal, we earn diddly for running around after bums. You get a bullet between the eyes, you’re in the hospital, your’re paralyzed, you die, you leave your family with no protection. Look at this body of mine … it looks like Swiss cheese. Look at my body (displaying scars from bullet-wounds.) Those ain’t hickeys!”

“Passo o rodo em qualquer um”

“I’ll lower the boom on anybody”

O policial conta que não tolera criminosos. “Se puder eu passo o rodo em qualquer um. De ladrão de galinhas a deputado safado”, afirma. Se cobra dinheiro pela liberdade ou para preservar a vida de alguém, não quis responder, mas deixou uma dica: “tem dia que a gente amanhece com o coração mais derretido, aceita e dá carinho”.

The policeman says he does not tolerate criminals. “If I can I will lower the boom on anyone. From a chicken thief to a crooked congressman,” he says. As to whether he takes money to let people go or let them live, he did not want to comment, but provided a hint: “There are days when you wake up feeling more tenderhearted, so you take it and give the guy [a break.]”

Sobre trabalho em favelas ele afirma que já arrumou muita confusão na época que a polícia fazia ronda, mas hoje em dia só entra na “hora do sal” (confrontos). É nesse momento que ele chega “largando o aço” (dando tiros).

On working the shantytowns, he says he has been through plenty of action back when police patrolled regularly, but nowadays they only go in at [“crunch time”] (during confrontations). And it is at such moments that he shows up “letting the lead fly” [firing his weapon.]

Machado faz uma análise da situação dos líderes comunitários que vêm sendo vítimas de assassinatos. “Quem gosta de líder comunitário é comandante de batalhão. Mesmo assim, são poucos. Eles vivem de “leva-e-traz” entre a polícia e os traficantes; vivem atrapalhando o trabalho da polícia com telefones para comandante de batalhão, secretário de segurança, governador… São poucos os caras que dá para confiar”, afirma .

“Machado” offers an analysis of community leaders who have been victimized lately by assassinations. “The ones who like community leaders are the battalion commanders. But not all that many of them. They are always playing both sides, the police and the Traffic; they are always getting in the way of police work by calling up the battalion commander, the state safety secretary, the governor. Not many of them you can really trust,” he says.

Segundo ele, muitos tem esquemas de propina com policiais da região: “Uma vez tinha um numa favela chapa quente que parou minha viatura e perguntou por um oficial, mas já tinha entendido que ali tinha parada errada; ele já foi gritando para eu baixar a bola, porque o bagulho já estava desenrolado… Eu baixei foi a porrada nele e o meti no camburão para leva-lo à DP. Quando cheguei ao Batalhão, o oficial me deu oito dias de prisão. De volta à rua fui atrás dele. Num dia de folga, contei só uma historinha no ouvido dele. Não precisei bater mais, nem matar…

According to “Machado,” many of them have bribery schemes going with police in the area: “Once I had a hot situation in a shantytown, so I stopped my car and asked for an officer, but I had already tumbled that there was something funny going on; he was already yelling at me to lay off, the deal had already gone down … What I laid was [my foot in his ass,] and I stuck him in the Black Maria to take him off to the precinct. When I got back to the battalion, the officer gave me eight days in jail. Back on the street I went after the guy. One day off, I whispered a little story in his ear. I never had to kick his ass again, or kill him.”

Até hoje Machado afirma que existem muitos interesses em jogo por trás de um simples policiamento. Da índole do mau policial às políticas de policiamento em geral. “A polícia é uma pizza portuguesa, tem uma variação de sabores e temperos…”.

Even today, Machado says, there are many interests at stake behind a simple police patrol. He blames bad cops on police policies in general. “The policeman is a Portuguese pizza, you have a whole variety of flavors and sauces.”

And cheeses.

I just realized how hungry I am.

Ele afirma que um bom número de lideranças não sabe fazer e nem entende o jogo político. Principalmente quando as autoridades legitimam seus poderes, repassando a eles responsabilidades que competem ao o estado.

He says a good number of community leaders do not know how play the political game, or even understand it. Especially when the authorities legitimate their role, giving them powers that properly belong to the state.

“Quem fiscaliza o desvio de conduta dos policiais, corrupção e atividades criminosas, é a Corregedoria. Agora, quando um cara desses mete na cabeça que vai consertar o mundo, na verdade tá é se enrolando. A comunicação institucional é muito falha, mas nas redes paralelas dentro da polícia funciona perfeitamente.Corre feito rastro de pólvora. Quando o policial chega num novo Batalhão ele recebe todas as informações: os principais bandidos, como funciona o crime ali, os esquemas de propinas, quem é o dono do esquema e, claro, se tem alguma “pedra no sapato”. De cada dez dessas chamadas pedras, nove são lideranças comunitárias. Aí já viu, né? Nem todo mundo é tolerante como eu”, encerra em tom de ironia.

“The one who looks into police misconduct, or corruption or criminal activity, is [Internal Affairs.] Now, when one of these gets it in his head he’s going to change the world, the truth is he’s just getting strung along. Official channels of communication often fail, but in the parallel networks inside the police, they work perfectly. Thing get around [like lightning]. When a policeman arrives at a new battalion, he gets all the information: the main bandits, how the crime works, the bribery schemes, who owns what scheme, and, obviously, if there are any “stones in the shoe.” Of every ten of these guys they call “stones in the shoes,” nine are community leaders. So, well, you saw what happened, right? Not everyone is as nice a guy as I am,” he said, in an ironic tone.

Milícia: “Fragmentada, enraivecida e em guerra”

The militias: “Fragmented, furious and at war.”

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Reports of gunfire, Rio de Janeiro, 2007, passed along by the “ex-blog” of Mayor Maia, without attribution, I think. The Red Zone is the Western Zone, militia country, where according to the AP, “vigilantes impose peace.” Some peace.

Quando entramos em contato João Vicente (nome fictício), um bombeiro aposentado de 61 anos, casado e com dois filhos policiais militares, sua primeira pergunta foi o porquê de só agora a mídia procurar ouvir este segmento que “tem sido tão enxovalhado” nos últimos tempos. Informamos que o Viva Favela gostaria de começar a entender a forma violenta atribuída a eles de eliminação de desafetos, como se davam as relações, os rompimentos e as sentenças de expulsão ou assassinatos. Tive que lhe assegurar o anonimato pessoal e geográfico.

When we got in touch with João Vicente (not his real name), a retired fireman, 61, married with two sons who are military policemen, his first question was why only now the media was seeking comment from this group that has been “so thoroughly dumped on” in recent times. We told him that Via Favela would like to start to understand the violence attributed to them in eliminating disaffected members, how these relationships work, the fallings out and the sentences of banishment or death. I had to grant him personal and geographical anonymity.

The Associated Press actually interviewed these people a while back. They stated categorically that Rio’s mayor, Maia, tacitly approved of militia activities. They said a lot of peculiar things, unsourced or sourced to dubious actors, that tended to run counter to what other reporting and research, which got left out of the story, tends to indicate.

See

What is it with that AP bunch, anyway?

O carro cinza metálico, com vidro escuro, trazia além de João, o motorista, um jovem muito forte e alto, portando uma bolsa com um computador portátil e uma vistosa pistola prateada. Também estavam duas outras pessoas que não saíram do carro durante as quase duas horas de entrevista. O motorista sentou-se ao meu lado e pediu permissão para trabalhar no seu computador enquanto João e eu conversávamos. Por duas vezes percebi que a webcam embutida no aparelho estava apontada em minha direção.

The metallic gray car with dark glass brought João, as well as his driver, a very tall and strong-looking young man, carrying a bag with a laptop in it and a handsome chromed pistol. Also present where two other persons who stayed in the during the entire interview of nearly two hours. The driver sat beside me and asked if he could work on his computer while João and I talked. Twice I noticed that the Webcam embedded in the laptop was pointed in my direction.

Começamos a conversa pedindo que João explicasse o “fenômeno das milícias”, algo ainda desconhecido da grande maioria das pessoas. Ele então começou seu relato colocando a culpa na mídia por todo esse “estardalhaço” que vem sendo feito em torno do que ele chama de “Serviço de Proteção Comunitária”.

We started our conversation with my asking João to explain “the militia phenomenon,” something most people know nothing about. He began his answer by blaming the media for this whole [“uproar”] over what he calls “community protections services.”

O início

The beginnings

João explica que, com o aumento da violência e dos riscos que os militares passaram a sofrer diante de criminosos, estes profissionais passaram a migrar para determinadas regiões e fixar residências nesses lugares. Inicialmente a idéia era que um fizesse a segurança do outro. Criavam sistemas de emergência e socorro entre si. Saíam e voltavam para casa em comboios até as chamadas “zonas livres”.

“João” explains that, with violence growing along with the risks military police run from criminals, these professionals starting migrating to specific areas and establishing residence there. The original idea was for them to provide security for one another. They created emergency and mutual aid systems among themselves. They came and went from home in convoys until reaching the so-called “free zones.”

Why did they move to the red zone rather than living in the green zone, one wonders? If that is the case?

Com o passar do tempo a experiência foi dando certo e sendo propagada no meio profissional; bem como nas adjacências que passaram a olhar os policiais com inveja e revolta, pois protegiam apenas a eles mesmos. Após algumas conversas nas localidades onde moravam, com vizinhos e comerciantes e acordos com policiais com experiência em seguranças patrimoniais, passaram a adotar o sistema em algumas localidades.

As time passed, the experiment was working well and spreading throughout the police, as well as to neighbors who started looking at the policemen with envy and anger, because they protected only themselves. After conversations in the places where they lived, with neighbors and businessmen, and making deals with policemen in experienced in property protection, they began to adopt the system in some areas.

“Veja bem, chegávamos a lugares onde não existia ainda a presença do tráfico e criávamos um pacto de não permitir que este tipo de mal chegasse ali. Não se cobrava nada por isso dos moradores. Era a nossa segurança que estava em jogo. Por outro lado, sempre estávamos atentos a circulação de estranhos e suspeitos, intervíamos em brigas de vizinhos e casal apenas para evitar discórdias e a violência em nossas áreas”.

“Look here, we would arrive in places where the traffic did not exist yet and create a pact under which that evil would never be allowed in. Residents were charged nothing for this. It was our safety that was at stake. On the other hand, we were always attentive to the comings and goings of strangers and suspicious persons, we intervened in neighborhood and domestic disputes, but only to avoid discord and violence in our areas.

O bombeiro aposentado afirma que, de dois anos para cá, a coisa ganhou uma projeção e divulgação inverídicas e perigosas. Com isso, o que a sociedade hoje chama de milícia é um movimento que não tem nada a ver com a origem do serviço.

The retired fireman says that after a couple of years the thing grew and spread to an incredible and dangerous degree. With that, what society now knows as “militias” is a movement that no longer has anything to do with its original form.

“Segundo as pessoas, havia um outro lugar onde existia polícia mineira, como em Rio das Pedras. Mas de repente começaram a surgir histórias absurdas dando conta de acordos com governantes, expulsão de tráfico de comunidades e valores exorbitantes para a tomada desta ou daquela comunidade, deixando todo mundo atônito. A verdade é que essa organização criada pelas manchetes de jornais, que coloca hoje o tráfico como bonzinho e os policiais como marginais, está fragmentada, enraivecida e em guerra. Está dividida em tendências, igual a partidos políticos. E todo mundo quer se dar bem. Vai terminar como o tráfico, virando facções”, afirma.

“People say there was another place with the policia mineira, such as Rio das Pedras. But all of sudden these absurd stories started coming out about deals with elected officials, expelling the traffic from communities, and charging exorbitant sums to take over this or that commmunity, it left all of us astonished. The truth is that this organization, which was created by newspaper headlines that makes the Traffic the good guys and police out to be marginals, is now fragmented, enraged, and at war. It is divided into factions, just like political parties. And everyone is looking out for themselves. It is going to put an end to the traffic, while splitting into factions,” he says.

“A sociedade tem suas leis. Os grupos têm regras”

“Society has its laws; the groups have their rules”

Sobre o relacionamento com líderes comunitários, ele afirma que muitos querem assumir o papel de dono do pedaço:

About the relationship with community leader, he says many people want to assume the role of “king of the hill”:

“A sociedade tem suas leis, os grupos têm suas regras. As comunidades estão muito mais sujeitas às regras do que as leis. Pois quem impõe regras está lá para cobrar e as leis foram criadas para ser burladas. Uma vez postas as regras, não tem o que conversar, é cumprir e pronto. É aí que o líder comunitário que não tem bom senso se dá mal. Ele quer benefícios, vantagens e direitos acima dos demais. Quer discutir de igual para igual e dividir poderes assumindo o papel de dono do pedaço. O tráfico permite que ele assuma esse papel, o Serviço de Proteção”, não.

“Society has its laws; the groups have their rules. The communities are much more subject to the rules than they are to the laws. Because the one who imposes the rules is there to make sure they are obeyed, and the laws were made to be gotten around. Once the rules are set, there is no further discussion, you obey them and that’s it. And then there’s this community leader who has no sense and he ends badly. He wants benefits, advantages, rights above what others have. He wants to deal as an equal and share power, assuming the role of the king of the hill. The traffic may let him asume that rule, but the Protection Service” doesn’t.

João afirma textualmente que nenhum líder comunitário é afastado de suas funções, expulso ou morto sumariamente:

“João” says that technically, no community leader is removed from his post, expelled or summarily killed:

“Te desafio a entrevistar qualquer um que diga que foi afastado sem antes ter sido apresentado ao “plano de trabalho” que tínhamos para o lugar. Mesmo com as diversas correntes das chamadas milícias, o cara é chamado para uma conversa do tipo “Você só pode ir até aqui”. É pegar ou largar. Mas o cara quer tudo. Eles ( líderes comunitários) não querem largar o osso. Querem fazer joguinho com a gente, com o tráfico e com a polícia. O que nos difere da polícia é apenas o papel constitucional e o estado. Com farda ou sem farda, na ativa ou na reserva, eu sou militar. Somos uma família. Não se trata de conivência, a questão é de sangue, de DNA. Aí o cara vem de picaretagem e tem que ser cobrado a altura de sua trairagem. Não estamos falando apenas de líderes comunitários, têm grandes comerciantes da área, donos de transportes alternativos, rádios e jornais comunitários”, afirma João Vicente.

“I defy you to interview anyone who will tell you he was removed without first having been presented with a ‘plan of work’ that we had for the place. Even with the various factions in the so-called militias, the guy is called in for a conversation along the lines of, ‘You can only go so far.’ And he takes it or leaves it. But the guy wants it all. They (community leaders) do not want to let go of the bone. They want to play little games with us, with the Traffic, with the police. What sets us apart from the police is merely the constitutional role and the state. With or without a uniform, on active duty or in the reserve, I am a military man. We are a family. It is not a question of friendship and tolerance, it is a question of blood, of DNA. So the guy is pulling all this stuff and he has to be held to account for his treason. We are not just talking about community leaders, there are big businessmen in the area, owners of alternative transport, radio stations, community newspapers,” says João.

Entretanto, ele defende que muitos líderes comunitários sabem ser neutros e continuam fazendo seus trabalhos comunitários tranquilamente. Cita exemplos de lideranças que elogiam achegada da milícia e dizem que a vida mudou para melhor na comunidade. Para esses, abrem mais espaço e representação política nas localidades onde trabalham.

However, he does say that many community leaders know how to be neutral, and go on about their community work undisturbed. He cites examples of leaders who praise the arrival of militias and say that life in the community changed for the better. For these leaders, more space and political representation is afforded in the areas where they work.

” Você sabe que ninguém faz nada sozinho. A ronda policial fica mais comum, as obras de melhorias em ruas e calçadas, um projetinho aqui outro ali, algum político que possa se interessar mais por aquele lugar e assim a vida das pessoas muda para melhor. Esse é o trabalho que a gente faz. Se deixarem rolar direitinho, todo mundo ganha. Os serviços são cobrados através de boletos bancários, em substituição aos velhos carnês”. No grupo, a tecnologia chegou para ficar.

You know that no one gets anything done on his own. The police patrols are more frequent, the improvement work on streets and sidewalks, a little project here and there, some politician that might be more interested in that place, and so people’s lives change for the better. This is the work we do. If the would let it just roll along, everyone wins. The services are paid for with bank cards instead of the old payment cards.” Among his group, technology has arrived to stay.

Poder político

Political power

Atualmente a zona oeste, é o local onde o poder público e milícia tem a relação mais estreita. Pelo menos dois deputados estaduais e três vereadores têm o monopólio político da região e o grupo está em pleno processo de expansão dos domínios territoriais e ampliação do número de representantes na câmara municipal para as eleições de 2008.

Currently, it is the Western Zone where the public authorities and the militias have their closest ties. At least two state deputies and three city legislators have a political monopoly in the area, and this group is in the midst of a full-bore expansion of its territory and increase in the number of its representatives in the city legislature in the 2008 elections.

Ao fim da entrevista, uma prova da confiança e demonstração dos métodos utilizados: O motorista consultou João Vicente e após uma perceptível aprovação, ele mostra duas fotos minhas que haviam sido feitas com a webcam e as apaga na minha frente afirmando ter gostado muito da conversa. Após rápidos apertos de mão eles entram no carro onde posso perceber junto à marcha três pistolas enfileiradas entre os bancos do motorista e do carona.

At the end of the interview, a show of trust and a demonstration of the methods used: The driver consults João and after visibly getting the nod, he shows me two photos he has taken of me with his Webcam, then erases them as I watch, saying he liked the conversation a lot. After rapid handshakes, they get in the car, where next to the gearshift three pistols can be seen lined up between the driver’s seat and the passenger’s seat.

Tráfico: Conivência e rompimento

The traffic: cooperation and fallings-out

Muito mais difícil do que chegar ao chefe do tráfico, foi escolher uma favela onde não corresse o risco alguma invasão ou operação policial. A entrevista foi planejada para uma madrugada, horário que é quase impossível acontecer este tipo de ação. Definida a comunidade, não foi difícil entrar em contato com alguém de confiança que fizesse a proposta de uma conversa sobre a questão da relação dos líderes comunitários com as regras impostas pelo tráfico. Até mesmo as fotografias foram combinadas. O fotógrafo do Viva Favela não pôde ir, mas eu já estava com minha câmera digital pronta quando o responsável pela segurança pediu para. ver minha mochila e barrou o registro fotográfico. Na verdade estava à procura de algum gravador escondido, embora eu tenha afirmado que faria apenas registro escritos, deixando espaço para as informações em off.

It was much less difficult to find a drug leader than to find a shantytown not at risk for being raided by the police. The interview was planned for the hours after midnight, time when it is highly unlikely any raids will occur. Once the community was chosen, it was not difficult to get in touch with a trusted contact who could propose an interview on the relation of community leaders to the rules imposed by the Traffic. The Viva Favela photographer could not go, but I had my digital camera ready when the security office asked to look at my backpack and forbade any picture-taking. What they were really looking for was hidden recorders, though I had promised I would take only written notes, leaving space for information to be discussed off the record.

Uma rápida revista pessoal serviu para deixar o ambiente tranqüilo e confiável. Sentei num mirante de onde podia ver o fluxo na Avenida Brasil às 23h50m. Devidamente despojado sobre uma mesinha de concreto, dessas de jogar damas nas praças públicas, observei a aproximação de uns 15 homens fortemente armados e ao centro um deles vestindo uma vistosa camisa da Seleção Brasileira autografada por alguns jogadores da copa de 2002. Após as apresentações, ele pede que os seguranças se afastem e ficamos apenas os três, eu, ele e o intermediador da entrevista. O chefe pede desculpas pela revista e a proibição das fotos: “ Sabe como é né, irmão? Ele ganha para garantir minha segurança. Tenho que obedecer”, afirma. Ele mesmo sugere o codinome para ser usado na reportagem, Marrom (nome fictício) e vai direto ao assunto:

A quick frisk was enough to leave the atmosphere calm and confidential. I sat down at an overlook from which I could watch the traffic on the Av. Brasil at 11:50 pm. Duly bent over one of those concrete tables, the kind used for playing chess and checks in the public squares, I watched 15 heavily armed men approaching, in the middle of whom was a dressed in a Brazilian national soccer jersey autographed by several players from the 2002 World Cup team. After the introductions, he told his bodyguards to move off, leaving the three of us — me, him and the go-between — alone. The chief apologized for the search and ban on photos: “You know how it is, right, bro? He makes his living guaranteeing my safety. I have to obey him,” he says. He himself suggests the fictitious name to use in the article: Marrom [“brown,” but note that the “yellow press” is known as the imprensa marrom –Ed.]. He gets straight to the point:

“Essas paradas que estão fazendo com os presidentes de associações é muita covardia. Você conhecia o “amigo” (Jorginho Líder comunitário da Vila Kelson´s) que morreu na mão da milícia? Foi “pau a pau a parada?” (não tinha nenhum outro motivo por trás?), indaga? Afirmei que conhecia, mas não tinha como avaliar qual era o nível do conflito até a morte do Jorginho. Marrom então passou a explicar como é a relação do tráfico com as lideranças:

“These deals that are going down with the presidents of the associations is a whole lot of cowardice. You knew my ‘friend’ (Jorginho, community leader in Kelson’s) who died at the hands of the militia? Was that deal really [“man to man”]? (translation: was there maybe not some other motive behind it?),” he asks. I confirm that I knew him, but had no way of knowing what the level of conflict was before his death. Brown then started explaining the relationship of the traffic with community leaders:

“ Posso falar pela facção ao qual sou ligado. A parada com a gente é a seguinte: Tem uns amigos (líderes comunitários) que são mais chegados e fecham mesmo com a gente. Agora, têm aqueles que fazem o deles e são ligados a políticos, partidos, igrejas e esse monte de ongs que têm por aí, enfim… Estão em outra. A gente respeita a opção de cada um. Sendo que é o seguinte; eles têm que defender a favela e os moradores, disso a gente não abre mão. Pode se reunir com Polícia, Secretário de Segurança, Governador, qualquer um. A gente não cobra nada deles que não seja a defesa da comunidade”.

“I can speak for the faction I am associated with. With us, the deal is like this: We have some friends (community leaders) who are closer and actually do a deal with us. Now, you have those others who do their own thing and are hooked up with politicians, parties, churches, and all this ton of NGOs you have around here. That is a whole other thing. We respect everyone’s choice. But it’s like this: They have to defend the community and the residents, we do not prevent this. They can meet with the police, the state safety secretary, the governor, whatever. We do not demand anything of them except that they defend the community.”

Marrom afirma ainda que quanto maior é a distância entre o líder comunitário e o chefe do tráfico, maior é o respeito entre eles:

Brown says that the more distance there is between the community leader and head of the traffic, the great the respect between them:

“ Cada um quer se envolver menos com o outro. É uma mistura de desconfiança com independência. Falamos o essencial e na maioria das vezes através de alguém em comum que seja de confiança de ambos. Eles trazem avisos, pedem mudanças de posturas, informam o início de algum projeto, visitas, obras que por ventura possam passar por nossas bases fixas, mas têm liberdade para fazer as coisas sem nos dar nos comunicar. A coisa fica na base da confiança plena. Se algo der errado vai ser cobrado”, explica.

“Each of them wants less involvement with the other. It’s a mixture of mistrust and independence. We talk about the essential things and most times through some intermediary that both of us trust. They bring warnings, ask us to change positions, inform us about the start of some project, visits, public works that might be going on at one of our fixed bases, but they have freedom to do things without telling us. The thing is based on complete trust. If something goes wrong, there are going to have to be explanations,” he says.

Limites

Limits

O traficante deixa claro qual o limite entre a relação respeitosa, a conivência e o rompimento:

The drug trafficker makes very clear what the limits are between a respectful relationship, cooperation and complicity, and a breaking off of relations:

“Não pode “xisnovear”… jogar conversa fora, denunciar nossa presença ou a de algum exilado (fugitivos da cadeia ou de outra comunidade), carregamento de armas e drogas, os “amigos” dos batalhões que nos fortalecem com armas e informações, etc… Para o resto tem sempre chances de desenrolo”.

“He cannot do X-9 work [inform to police] … shoot his mouth off, tell people we are here or that some exile (fugtives from jail or another community) is here, talk about drugs and guns, our ‘buddies’ in the police who supply us with weapons and info, and all that … As for the rest there is always a chance things can go wrong.”

Segunde ele, a principal causa que leva as desavenças com líderes comunitários é a fofoca: “Eles brigam muito. Estão sempre falando mal um do outro, tentando puxar o tapete, queimar o filme. Aqui no morro eu criei uma norma, quem vier fazer fofoca, toma soco na boca. Mando quebrar os dentes. Acabei logo com a fofoca. Foi só quebrar os dentes de um ex-presidente da Associação e da dona de um Centro Social que eles viram que o “bagulho era à vera”.

According to Brown, the main cause of fallings out with community leaders is gossip: “They quarrel a lot. Always talking bad about one another, trying to pull the rug out, burn the film. Here on the hillside I created a rule, anybody gossips, they get busted in the mouth. I send someone to break teeth. The gossip soon stopped. All it took was breaking the teeth of a former president of the association and the lady from a Social Center and they say we were for real.

Marrom assumiu o morro há três anos e afirma que a favela está muito mais tranqüila do que antes, pois acabou com as intrigas internas. Diz ainda que as ordens principais partem do presídio onde se encontram os verdadeiros chefões, mas que agora como a maioria dos chefões está em Catanduvas, no Paraná, as decisões devem ser tomadas por ele mesmo.

Brown has been running this hillside for three years and says the shantytown is much more peaceful than before, now that internal intrigues have ended. He also says that the main orders come down from the prison where the real bosses are, but that now, with most of them in Catanduvas, down south in Paraná, he has to make decisions himself.

“Se a comunidade está tranqüila, todo mundo se dá bem. Traficante não quer ficar dando tiros, matando, muito menos resolvendo problemas da favela. Quem ganha para isso é o Presidente da Associação. Eu quero vender meus negócios e só”, mas se for preciso tomar umas atitudes mais radicais, ele toma.

“If the community is peaceful, everybody does well. The trafficker does not have to go around shooting people, killing, much less resolving the community’s problems. The guy who gets paid to do that is the President of the Association. I want to stick to my business and that’s it.” But if he needs to take a more radical attitude, he does.

“Aqui graças a Deus, nunca precisei tomar; mas têm vários amigos de outras favelas, que teve que dar corretivos nos presidentes que estavam com muita pressão. Aqui só precisei dar uma dura num presidente e afastei ele, pois há mais de seis anos não tinha eleição; mandei fazer o processo eleitoral, mas não o proibi de participar. Ele disputou e ganhou… Não podia fazer nada. Tive que respeitar. Chamei ele e falei pra ele fazer a dele que eu ia fazer o meu. Nunca mais tive problemas”.

Here, thank God, I never needed to; but I have friends in other favelas who have had to take corrective action with presidents who were pressuring them a lot. Here I only had to get hard with one president, and I kicked him out, because there was no election here for six years. I ordered an election, but I did not ban him from running. He ran and won. I could not do anything. I had to respect it. I called him and told him to do his thing and I would do mine. We never had any more problems.”

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