Brazil: All Your Newsstands Are Belong To Abril

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This Rio newsie made modest headlines by refusing to carry Abril products last year. I wonder if he is still in business?

“During our first week of publication, [Brasil de Fato] had sold out in cities like Santos and Campinas. The following week, São Paulo distribution did not ship the publication to those cities, alleging problems in the area. Little by little, we began to see that this was a boycott: This was happening systematically in every area where the newspaper was selling well,” said Viana.

“… a lack of regulatory policies in support of independent broadcasters, and especially noncommercial and community broadcasters, and by an elevated level of concentration of media ownership, pose a threat to the pluralism and diversity of the Brazilian media.” –See Brazil: The Rashomon Effect and Article 19

Writing in the Observatório da Imprensa Daniela Alarcon follows up on the recent acquisition of the two major print media distributors in our region of Brazil by the Grupo Abril. See

Newsstand guys cannot talk about a lot of this stuff. I know: I have tried to broach the subject after witnessing what looked to be some some astonishing monkey business involving buying up publications in bulk.

Guys riding around in pickup trucks with big wads of cash, things like that.

I guess that beats the way they do things down in Mexico. See

Not that cases of a similar kind do not occur in Brazil as well, mind you. See

O oligopólio da distribuição de revistas no Brasil está prestes a se converter em monopólio. As duas empresas que dominam o mercado – Dinap e Fernando Chinaglia – anunciaram que vão se fundir, originando uma nova distribuidora, a Treelog S/A. Hoje, a Dinap é responsável por cerca de 70% do mercado, e os outros 30% cabem à Chinaglia. A fusão foi anunciada há em 11 de outubro, pela revista Imprensa. No mesmo dia, o Grupo Abril, acionista majoritário da Dinap, emitiu um comunicado confirmando a operação.

The oligopoly of magazine distribution in Brazil is about to become a monopoly. The two companies that dominate the market — Dinap and Fernando Chinaglia — have announced they will merge, creating a new distributor called Treelog S.A. Currently, Dinap controls nearly 70% of the market, with Chinaglia controlling the other 30%. The merger was announced on October 11 by Imprensa magazine. On the same day, Abril, the majority shareholder in Dinap, issued a press release confirming the deal.

Tão logo foi anunciada publicamente, a compra da Chinaglia pela Dinap despertou preocupação naqueles que trabalham no mercado editorial. “Essa compra vai matar uma série de editoras que concorrem com a Abril em algum nível, vai eliminar do mercado as pequenas editoras”, avalia Renato Rovai, publisher da revista Fórum.

As soon as it was made public, the Dinap-Chinaglia deal provoked concern among those who work in the publishing field. “This deal is going to kill a whole series of publishing houses who compete with Abril on some level, it will wipe out the market for small publishers,” says Rovai, who publishes Fórum.

“Não acreditamos que o negócio foi feito para prejudicar alguém. Mesmo assim, a concentração de distribuição em um único grupo é preocupante, pois os outros editores acabam por se tornar reféns e não há pluralidade”, afirma Hercílio de Lourenzi, presidente da Editora Escala, que edita cerca de 150 publicações por mês, distribuídas atualmente pela Fernando Chinaglia.

“We do not believe the deal was done in order to harm someone. Even so, the concentration of distribution in the hands of a single group is worrisome, because other publishers wind up being taken hostage and there is no diversity,” said Hercílio de Lourenzi of the Escala publishing house, which publishes 150 titles per month, and is currently distributed by Chinaglia. 

Hoje, as principais revistas semanais – como a Época e a Carta Capital, que disputam mercado com a Veja, da Abril – são distribuídas pela Chinaglia. Com o monopólio da mais poderosa editora de revistas do país no setor de distribuição, o que acontecerá com elas?

Currently, the main weeklies — such as Época and CartaCapital, which dispute the market with Abril’s Veja — are distributed by Chinaglia. With this monopoly by the most powerful magazine publisher in Brazil over distribution, what will happen to them?

Ditadura das bancas

Dictatorship on the newsstands

A situação, que tende a piorar, já não é um mar de rosas. Pequenas revistas e jornais – em especial os considerados “de esquerda” – caminham há anos na corda bamba. Para que a Fernando Chinaglia aceitasse distribuir o jornal Brasil de Fato, por exemplo, foram necessárias “articulações políticas” junto ao dono da empresa, lembra o editor do jornal, Nilton Viana. À época, o Brasil de Fato acabara de rescindir o contrato com a São Paulo Distribuição e Logística, distribuidora dos grupos Estado e Folha e que atende alguns poucos clientes.

The situation, whose tendency is for the worse, was never exactly a bed of roses. Small magazines and newspapers — especially those considered “of the Left” — have been walking a tightrope for years. For Chinaglia to agree to distribute Brasil de Fato, for example, “political maneuvers” were required with the company’s owner, recalls editor Nilton Viana. At the time, BDF had just torn up its contract with São Paulo Distribution and Logistics, the distributor of publications from the Estado and Folha groups, which serves few other clients.

“Na primeira semana de publicação, o jornal havia esgotado em cidades como Santos e Campinas. Na semana seguinte, a São Paulo Distribuição não mandou o jornal para essas cidades, argumentando que estavam com problemas na região. Aos poucos, percebemos que era um boicote: isso ocorria sistematicamente em todas regiões onde a venda do jornal era boa”, diz Viana.

“During our first week of publication, Brasil de Fato had sold out in cities like Santos and Campinas. The following week, São Paulo distribution did not ship the publication to those cities, alleging problems in the area. Little by little, we began to see that this was a boycott: This was happening systematically in every area where the newspaper was selling well,” said Viana.

Para Rovai, da Fórum, a justificativa das empresas para não distribuir uma revista “nunca foi política ou editorial: vem travestida de argumentos técnicos”. Quando da criação da Fórum, ele procurou a Dinap, que exigiu um reparte mínimo para venda em banca. “A tiragem mínima exigida por eles é proibitiva para revistas que não são de caráter comercial. Eles criam uma linha de corte para quem eles não consideram conveniente distribuir, por motivos comerciais ou político-editoriais”. Ainda segundo o publisher da Fórum, “a distribuição é uma parte estratégica do negócio, e não há qualquer fiscalização. A Abril vai estabelecer uma ditadura das bancas. Está mais que na hora de o governo estimular a criação de alternativas de mercado”.

To Rovaí, of Forum, the justification the companies gave for not distributing a magazine “was never political or editorial in nature; it comes dressed in technical arguments.” When Forum was created, he sought out Dinap, which demanded a minimal run in order to be distributed to newsstands. “The minimum run demanded by them was prohibitive for magazines of a noncommercial nature. They created a cutoff point for those they did not want to distribute, for business or political-editorial reasons.” The Forum publisher adds, “Distribution is a strategic part of the business, and there is no oversight. Abril is going to establish a dictatorship over the newsstands. It is high time the government stimulated the creation of alternatives in the market.”

De acordo com Viana, os primeiros efeitos da fusão entre Dinap e Chinaglia, ainda que difusos, já são perceptíveis. “Por ‘coincidência’, há um mês a Chinaglia começou a colocar uma série de exigências que não existiam antes e que fariam parte da nova gestão, como o cumprimento de metas de vendas, que tendem a inviabilizar o nosso jornal”, disse.

Viana says the first effects of the Dinap-Chinaglia merger, though diffuse, are already visible. “‘Coincidentally,’ a month ago, Chinaglia become making a series of demands that did not exist before and were supposedly a part of the new management, such as meeting sales goals, which tend to undermine the viability of our newspaper,” he said. 

Insatisfeitas com a monopolização do mercado de distribuição, as pequenas editoras se organizam para intervir no processo. “Nós vamos nos somar a outras entidades e publicações independentes para discutir formas de garantir que essas publicações consigam disputar espaço nas bancas”, afirma Viana.

Dissatisfied with the monopolization of the distribution market, the small publishers organized to intervene in the process.”We are going to join other organizations and independent publications to discuss ways of making sure these publications get space on the newsstands,” Viana said.

Lei antitruste

Antitrust legislation

De acordo com a legislação brasileira, fusões que resultem no domínio de 20% ou mais do mercado ou que envolvam empresa cujo faturamento bruto tenha sido equivalente ou superior a 400 milhões de reais no ano anterior devem ser autorizadas pelo Ministério da Justiça. O Brasil é um dos raros países que adotam o modelo de notificação posterior, ou seja, as empresas têm um prazo de até 15 dias úteis após a formalização do ato de concentração para notificar o órgão antitruste, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O Cade foi notificado no último dia 5 sobre a aquisição da Fernando Chinaglia pela Dinap.

Under Brazilian law, mergers that result in the control of 20% or more of a given market or involve a firm with gross revenues of R$400 million or more require prior authorization from the Ministry of Justice. Brazil is one of those rare countries that use the model of subsequent notification, in which companies have 15 days after formalizing the deal to notify the antitrust regulator, CADE. CADE was notified on November 5 of the Dinap-Chinaglia combination.

A ocorrência de infrações à ordem econômica será avaliada, no Cade, por um colegiado. Não há prazo-limite para a conclusão do processo – a análise de fusões desse porte chega a se prolongar por até dois anos. Nesse meio tempo, a não ser que seja apresentada uma medida cautelar, as empresas podem concluir a operação.

Antitrust violations are assessed by a CADE commission. There is no deadline for the process — analysis of deals of this size can last as long as two years. In the meantime, unless under an injunction, the companies can complete the merger.

Se uma medida cautelar for aceita pelo Cade, as empresas devem retornar à situação anterior à fusão. É comum, porém, que em casos de grande visibilidade o colegiado proponha um acordo às empresas, autorizando temporariamente a fusão, com apenas algumas restrições. Mesmo após uma decisão negativa do Cade, as partes podem entrar com uma ação no Judiciário.

If CADE issues an injunction, the firms must return to their situation prior to the merger. It is common, however, in highly visible cases for the commission to propose a settlement, temporarily authorizing the merger with just a few restriction. Even after a negative finding by CADE, the parties can file a lawsuit.

Advogados consultados pela reportagem caracterizam a Lei 8.884/94 (que discorre sobre concentrações) como liberal. Na prática, dizem, a lei tende a aprovar fusões que resultam em monopólios, pois ao mesmo tempo que prevê que “dominar mercado relevante de bens ou serviços” constitui infração à ordem econômica, por outro lado admite a concentração se esta atender requisitos como “aumentar a produtividade” ou “melhorar a qualidade de bens ou serviços”.

Attorney consulted by this reporter characterize Law 8,884 (1994), which deals with monopolies, as liberal. In practice, they say, the law tends to approve mergers that result in monopolies, for, even though it provides that “dominating a significant market in goods or services” constitutes an infraction against the economic order, it also admits market concrentration if it serves such ends as “increasing productivity” or “improving the quality of goods or services.”

Já que o Cade não conhece em detalhes todos os mercados sobre os quais deve deliberar, costuma ouvir entidades que opinam, durante o processo, sobre o impacto que a fusão terá no mercado.

Given that CADE does not have detailed knowledge of the markets it is supposed to regulate, it is wont to solicit the opinion of organizations in the field on the markets effects of the deal being judged.

No caso das distribuidoras, a Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner) deve ter um peso significativo. A entidade, que ainda não se manifestou publicamente sobre a fusão, é presidida por um funcionário do Grupo Abril – a única empresa associada a manter três entre os oito membros do conselho consultivo, formado por ex-presidentes.

In the case of distributors, the National Assocation of Magazine Editors (ANER) should weigh heavily in the balance. The organization, which has yet to take a public position on the deal, is presided over by an Abril employee — the only member company to have three members on the eight-member board, which is made up of former chief executives.

O Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas de São Paulo dificilmente assumirá uma postura crítica diante da operação. “O sindicato mantém uma ligação forte com o Grupo Abril”, afirma o proprietário de uma banca na Capital Paulista que não quis se identificar.

The Syndicate of Newspaper and Magazine Vendors of São Paulo can scarcely be expected to take a critical stance with respect to the deal. “The Syndicate has a strong relationship with Abril,” says a newsstand owner in São Paulo, who did not wish his name to appear.

I find that the best way to get a notion of this issue on the street level is to talk to newsstand operators who believe that Grupo Abril and Rede Globo ought to be given monopolies because they can be relied upon to stem the tide of mind-bending, race-mixing Communist indoctrination.

The jackboot crowd, in a word — and top Globo management.

On the latter of whom see also

Unlike the dishonest, logic-chopping Ali Kamel, however, these folks at least exhibit the virtue of moral and intellectual coherence and sincerity.

They tend not to be ashamed of doing God’s work and do not mind explaining why they believe what they believe.

Which, as I was saying, makes them good sources on such issues as they affect the man in the street.

De todo modo, o Grupo Abril está bem assessorado: seu advogado no caso já foi conselheiro do Cade. Procuradas pela reportagem, Dinap/Grupo Abril e Fernando Chinaglia não quiseram se pronunciar a respeito.

In any event, Abril has competent counsel in the case: Its lawyer is a former CADE commissioner. Sought for comment on this matter, both Dinap/Abril or Chinaglia declined to make a statement.

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