Brazil: “The Past and Future Emperor of Tocantins”

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PROJOR study: “Electronic Colonelism of a New Kind (1999-2004): Broadcast licenses as medium of exchange in political bargaining.” Thorough.

As the “sex Senator,” Renan Calheiros of Alagoas, prepares to face charges of illegally controlling two radio stations in his home state — the charges could lead to his removal from office — the Jornal Opção (Goiânia) brings out an exposé on what it says is a similar situation in the Amazonian state of Tocantins, where

o ex-governador Siqueira Campos é tido como dono de um verdadeiro império de comunicação.

Former governor José Wilson Siqueira Campos is held to be the owner of a veritable communications empire.

The headline: “Electronic Colonelism in Tocantins.”

On the concept of “electronic colonelism,” see also

I am not vouching for the accuracy of any of this, mind you. I am just going to translate and then try and annotate. It is, one must note at the start, a one-source story with no attempt to solicit comment from the persons accused in it, and highly speculative in nature.

But the paper does also offer what it claims are corporate records that show how the “business ecosystem” allegedly worked — part of the “vast dossier” offered by its source, a state deputy and radio personality named Coimbra — so I thought it would be interesting to try to fact-check.

Jim Moore of Harvard says that the network, not the firm — the “business ecosystem” — is the basic unit to try to understand in postmodern organizational theory, so let us see what shape this network allegedly takes.

In any event I think you can say it illustrates the struggle for political control of the media in some Garcia-Marquezean way of another.

A certain amount of Horace Greeley-style bombast is to be expected of regional papers from extremely distant hinterlands. Nothing wrong with that, if you can spare the ink, but the lack of economy of expression means a lot more typing for the translator.

The editor in chief of Opção is Euler Belém, who has covered — I have heard of this case — the case of a certain Tarzan de Castro, who sued for defamation after being named as an agent of the political police infiltrated into the militant left during the dictatorship.

Tocantins was the scene of what was really the only semblance of a rural guerilla during that period, the Araguaia insurgency — and a very fragile insurgency it was, but still debated fiercely today. Its members were summarily executed and disappeared, and finding their remains a very sensitive cause celebre.

In 2005, Reporters Without Borders issued an alert about a “threat” made against Primeira Página reporter Sandra Miranda de Oliveira Silva, “after the publication of reports on corruption in the Tocantins state government.” Governor Marcelo Miranda told the brother of the journalist — who told RSF a suspicious arson fire had occurred at her home:

« Não permitirei mais a publicação de informações que constituam ataque à minha família. Se as medidas judiciais não tiverem o efeito desejado, tomarei outras disposições».

“I shall no longer permit the publication of information that constitute an attack on my family. If legal remedies do not have the desired effect, I shall take other measures.”

A case in Peru involves the murder for hire of a journalist by other journalists, in a machine-political dispute. A similar dynamic is not unknown in Brazil. Simple-minded martyrdom narratives — the powers that be, crushing the independent press! — can sometimes mislead such cases.

É o que garante o deputado Júnior Coimbra, do PMDB, lembrando denúncia feita pelo filho do ex-governador. “No ano passado, o próprio filho de Siqueira, José Wilson Siqueira Campos Júnior, conhecido como Júnior Siqueira, ganhou as páginas da chamada grande imprensa ao denunciar o esquema montado pelo pai para controlar quase todos os meios de comunicação do Estado nos últimos 20 anos. Uma verdadeira corporação de laranjas”, relembra o parlamentar. Como mostrou o Jornal Opção na semana passada, na matéria “Coronelismo, antena e voto”, a acusação de Júnior Siqueira contra seu pai coloca Siqueira Campos numa situação semelhante à do senador Renan Calheiros — que pode ser cassado sob a acusação de usar “laranjas” para esconder que é dono de emissoras de rádio. De acordo com a lei vigente, políticos não podem ser proprietários de veículos de comunicação, daí o uso de terceiros, feito por Renan Calheiros, para conseguir as concessões das emissoras junto ao Congresso Nacional e ao Ministério das Comunicações, segundo denúncia da revista Veja. Para o deputado Júnior Coimbra, procedimento semelhante foi usado por Siqueira Campos no Tocantins.

That is what state deputy Júnior Coimbra says, recalling charges made by the ex-governor’s son. “Last year, his own son, José Wilson Siqueira Campos Júnior, known as Júnior Siqueira, went to the so-called major media to accuse his father of mounting a scheme whereby he controlled all the media in the state for the past 20 years. A regular syndicate of front-men,” he says. As this newspaper showed last week, in the report “Colonelism [boss-controlled machine politics], the antenna, and the vote,” Junior’s accusation against his father puts the former governor in a situation similar to that of Renan Calheiros ….

According to his official bio, Coimbra is a professional journalist who was a radio sports reporter in “various parts” of Maranhão before running for office.

Kind of a sketchy resume, as to where he worked.

Em 1997, foi diretor-superintendente da antiga TV Palmas, a atual Redesat de Televisão. Em 2000, Júnior Coimbra retorna à vida política como o vereador mais bem votado da Capital,

In 1997, he was managing director of the former TV Palmas, the present-day Redesat de Televisão. In 2000, he returned to public life as the most-voted alderman in the capital city.

The last article in the series cites a 2005 interview with the prodigal Júnior Siqueira:

Em entrevista ao Jornal Opção, publicada na edição de 19 de março de 2005, Júnior Siqueira foi taxativo, referindo-se ao próprio pai, Siqueira Campos, e seus aliados: “Hoje, sou o principal entrave ao esquema de poder deles no Tocantins. Um esquema que envolve televisões, rádios e jornais. E esses jornais são assim: o Eduardo [Siqueira Campos] é bonito, o fulano é feio; o Siqueira é demais, sicrano não é de nada. A principal atividade do Tocantins, hoje, é a citricultura — a plantação dos laranjas”. Na época, indagado sobre as razões de suas denúncias contra o próprio pai, Júnior Siqueira disse: “O que quero é fazer uma catarse, buscar a verdade. Por isso, resolvi descascar os laranjas. E esse processo é irreversível”. E vem tendo desdobramentos, pode-se acrescentar. Essa concentração de veículos de comunicação na mão de políticos como Sarney, Renan e Siqueira — explícita ou implicitamente — levou ao surgimento do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, criado em julho de 1991. O problema é que o fórum, muito ligado a entidades de esquerda, como a Fenaj (Federação dos Jornalistas), tende a trocar o coronelismo eletrônico pelo proselitismo ideológico. Mas não se constrói meios de comunicação democráticos nem com “laranjais” nem com ideologias, mas com transparência e respeito à lei.

[tktktktktk]

Back to this week’s report:

O deputado peemedebista adianta que vai denunciar na Assembléia Legislativa do Tocantins a existência de uma verdadeira “rede de prepostos” que movimentou milhões de reais nas emissoras de rádio e televisão pertencentes, segundo ele, ao ex-governador Siqueira Campos. “Agora, Siqueira e seu filho, o ex-senador Eduardo Siqueira, articulam a retomada destes veículos”, acredita o deputado. “Sem a caneta na mão, eles foram obrigados a vender o principal veículo, a TV Jovem Palmas [canal 11] e hoje tentam tomar do empresário Ronaldo Barreto a TV Girassol, repetidora da Rede Bandeirantes”, afirma. Para o deputado, a pressão já começou. “Eduardo está comandando pessoalmente a Jovem Palmas FM e está com um pé dentro da Band. Será que ele virou radialista, afinal, ele está desempregado?”, ironiza. “Todos sabem no Tocantins que a família Siqueira comandava o SBT, a Bandeirantes, a Record e a CNT, além de inúmeras emissoras de rádio. Havia também um jornal, Folha Popular, que logo faliu. Basta verificar os registros da Jucetins [Junta Comercial do Estado do Tocantins]. Com eles à mão, foi possível revelar o elo que faltava entre o ex-governador e estas sociedades geridas por laranjas”, denuncia.

The PMDB lawmaker says he will go to the Tocantins state legislature and denounce a “network of impostors” who gave millions from their radio and TV stations to the former governor. “Now, Siqueira and his son, former senator Eduardo Siquiera, are working to regain control of these vehicles,” he charges.”Without formal control, they were forced to sell Jovem Palmas TV (Channel 11), their main station, and now want to take TV Girassol from Barreto, which is a retransmission facilities in the Bandeirantes network,” he claims. He thinks the pressure is already on. “Eduardo is personally in charge of Jovem Palmas FM and has one foot inside Band. Is he becoming a disk jockey now that he is unemployed?” he quipped. “Everyone knows that the Siqueiras control SBT, Band, Record, and CNT in Tocantins, as well as a number of radio stations. There was a newsaper too, the Folha Popular, that later went under. Just check with the state corporations registry. With those records in hand, it was possible to reveal the missing links between the ex-governor and these partnerships managed by front-men,” he charges.

Júnior Coimbra descobriu que, no contrato social deste “verdadeiro conglomerado”, formado por duas dezenas de veículos, aparece uma frase que somente pode ter partido de Siqueira Campos. “É uma espécie de mensagem criptografada que foi inserida no objetivo social de cada firma e determinava que estas empresas operassem ‘sempre com finalidades educativas, culturais, informativas, cívicas e patrióticas’. Ora, Siqueira é que costumava se alardear, hipocritamente, como um homem cívico e patriótico. Basta lembrar os despachos administrativos do ex-governador, que sempre continham essa expressão”, salienta o parlamentar. Júnior Coimbra descarta uma “mera coincidência” e — lembrando, ironicamente, o livro O Código Da Vinci, de Dan Brown — defende a existência do chamado “Código Siqueira”. Para ele, “é impossível que contratos sociais, efetivados em vários períodos de tempo e locais diferentes, tenham uma frase como esta, típica de associações comunitárias e grêmios escolares”. O deputado pretende denunciar o caso na Assembléia Legislativa e afirma que reuniu “uma documentação incontestável”, compondo um vasto dossiê. “Pretendo enviar estes documentos ao Ministério Público Federal, porque a competência para este tipo de processo é deles”, adianta.

Coimbra found out that in the corporate charter of this “veritable conglomerate,” comprising dozens of media properties, there appears a clause that only Siqueira Campos could have inserted. “It is sort of a coded message inserted in the mission statement of each firm and provides that these firms operate “always for educational, cultural, informative, civic and patriotic ends.” Look, Siqueira likes to brag, hypocritically, that he is a civic-minded and patriotic man. Just remember his speeches, which always contained that phrase,” he poitns out. Coimbra says he does not believe it is a “mere coincidence” and — alluding ironically to Dan Brown’s The Da Vinci Code — says there is a Siqueira Code.

[!]

In his view, “it is impossible for articles of incorporation drawn up at various times in different places, to all have the same phrase, which is tyypical of community associations and [scholarly societies] [school fraternities]. The lawmaker means to denounce the case in the State Assembly and says he put together “incontrovertible documentary evidence,” compiling a vast dossier. “I mean to send this dossier to the federal prosecutor, because this is in their jurisdiction,” he says.

Segundo Júnior Coimbra, como Siqueira Campos e seu filho Eduardo Siqueira Campos não poderiam ser concessionários de serviço público, pelo fato de terem mandato, eles constituíram as empresas de comunicação valendo-se do nome de terceiros. Na avaliação do deputado peemedebista, agora que ficaram sem mandato, Siqueira e Eduardo estão tentando recompor esse império de comunicação. “Enfraquecido com a derrota nas urnas em 2006, o siqueirismo tenta se levantar e reviver o período áureo do laranjal, quando prepostos não se cansavam de afirmar que eles apenas tomavam conta das emissoras do ex-governador”, analisa Júnior Siqueira. De acordo com o levantamento que o deputado pretende levar ao Ministério Público Federal, Siqueira iniciou o seu império de comunicação logo após a criação do Estado, em 1988, comandando a instalação da TV Real (retransmissora do SBT em Palmas, que teve a concessão cassada); da TV Lajeado (em Palmas, Porto Nacional, Paraíso do Tocantins, Araguaína e Gurupi); da TV Girassol (em Palmas, Araguaína e Gurupi); da TV Jovem Palmas e da Jovem Palmas AM e FM (em Palmas e Araguacema). O levantamento mostra ainda que o grupo detém outras 20 concessões de rádio (parte delas à venda), nos municípios de Ananás, Araguaçu, Arraias, Augustinópolis, Axixá, Babaçulândia, Colinas, Colméia, Formoso do Araguaia, Gurupi, Miracema, Miranorte, Paraíso, Pedro Afonso, Peixe, Palmas, Sítio Novo, Tabatinga, Wanderlândia e Xambioá.

Junior Coimbra says that because Siqueira and his son Eduardo could not hold public concessions, as elected officials, they started a communications firm using the names of third parties. Now that they are out of office, he thinks they want to rebuild this empire.

Rather than the “owner of a vast empire” mentioned in the lead, the guy seems to be the former owner of a vast empire, looking to reconquer it.

“Weakened by their defeat in 2006, Siqueira and Eduardo are trying bring back the golden age of their network, when their stooges used to say they were only taking care of the governor’s TV station for him.” According to the report he means to send to the federal prosecutor, Siqueira began his communications empire shortly after the creation of the state in 1988, overseeing the construction of TV Real (an SBT retransmitter in Palmas that had its concession revoked); TV Lajeado (in Palmas, Porto Nacional, Paraíso de Tocantins, Araguaia, and Gurupi); TV Girassol (in Palmas, Araguaína and Gurupi); TV Jovem Palmas and Jovem Palmas AM and FM (in Palmas in Araguacema). His research shows that the group controls another 20 radio concessions (some of them for sale in the cities of Ananás, Araguaçu, Arraias, Augustinópolis, Axixá, Babaçulândia, Colinas, Colméia, Formoso do Araguaia, Gurupi, Miracema, Miranorte, Paraíso, Pedro Afonso, Peixe, Palmas, Sítio Novo, Tabatinga, Wanderlândia e Xambioá.

I have heard of Xambioá somewhere …

Obviamente, o sobrenome “Siqueira Campos” nunca aparece no registro dessas empresas de comunicação na Junta Comercial do Tocantins (Jucetins), mas há muitos indícios de que um mesmo grupo está por trás de todas elas. Inclusive, porque os nomes dos sócios se repetem com freqüência e alguns deles já foram denunciados como “laranjas” de Siqueira Campos pelo próprio filho do ex-governador, como lembra o deputado Júnior Coimbra. É o caso, por exemplo, de José Carlos Camargo, que aparece como sócio majoritário de um dos primeiros empreendimentos de comunicação atribuídos a Siqueira Campos — a JLC Comunicação, que operava a TV Real, de Palmas. A empresa foi registrada em 19 de dezembro de 1990, tendo como sócios: José Carlos Camargo, com 50 por cento das cotas; José Carlos Moura Leitão, com 33 por cento; e Telma Regina Testa Leitão, com 17 por cento. Dois anos depois, o mesmo José Carlos Camargo aparece como sócio de Antônio Milhomem de Castro, no Sistema Tocantinense de Televisão Ltda., o STT, constituído em 19 de maio de 1992. O STT deixou de existir em 11 de maio de 2001, por não ter sido instalado até aquela data, perdendo, portanto, a concessão. Mas retomar sua história é importante para explicitar os possíveis elos do ex-governador Siqueira Campos com o setor de comunicação no Estado.

Obviously, the surname “Siqueira Campos” does not appear in the documentation of any of these media companies in the state corporations registry, but there are many signs that the same group is behind all of them. The names of certain partners are frequently repeated, and some have already been denounced as “oranges” (front-men) for Siqueira Campos by his own son, as Coimbra recalls. That is the case, for example, with José Carlos Camargo, who is listed as the majority shareholder in one of the first media businesses attributed to Siqueira — JLC Communications, which operated TV Real, in Palmas. The company was incorporated on December 19, 1990, with the following partners: Camargo, with a 50% stake; José Carlos Moura Leitão, with 33%; and Telma Regina Testa Leitão, with 17%. Two years later, Camargo shows up as a partner of Antônio Milhomen de Castro’s in the Tocantins Television System Ltd (STT), incorporated in May 1992. STT ceased to exist on May 11, 2001 because it had never commenced operations, and thus lost its concession. But retracing its history is important to explaining the possible connections of former governor Siqueira Campos with the media in the state.

O José Carlos Camargo que constava como sócio-proprietário da JLC Comunicação e do Sistema Tocantinense de Televisão é o mesmo que José Wilson Siqueira Campos Júnior — o filho dissidente do ex-governador Siqueira Campos — denunciou como um dos principais “laranjas” do próprio pai, numa entrevista ao Jornal Opção, publicada na edição de 27 de agosto do ano passado. “A declaração de renda do meu pai é uma completa fraude” — afirmou, na época, o filho mais velho de Siqueira Campos, então com 49 anos. Júnior Siqueira referia-se aos 431 mil reais que seu pai havia declarado como patrimônio à Justiça Eleitoral, na condição de candidato ao governo do Estado do Tocantins. “Esses 431 mil reais não pagam nem os móveis das emissoras de televisão que ele possui no Estado”, ironizou Júnior Siqueira. Segundo disse à época, seu pai “possui mais de 20 veículos de comunicação no Estado” e apenas as emissoras do SBT — das quais Siqueira Campos seria o verdadeiro dono, segundo afirmou — “valem mais de 12 milhões de reais”. Na semana seguinte, Júnior Siqueira encaminhou ao Ministério Público Federal o verdadeiro dossiê que acumulou contra seu pai, e o caso, que ganhou as páginas da grande imprensa, contribuiu para a dupla derrota da União do Tocantins — a do próprio Siqueira na disputa do governo e a de Eduardo Siqueira Campos na briga pelo Senado.

The Camargo who was listed as a partner in and owner of JLC and STT is the same man whom Junior Siqueira, the dissident son of the former governor, denounced as one of the principle “front-men” of his father, in an interview with this newspaper, published in August of last year. “My father’s income tax return is a complete fraud!” the eldest son of the ex-governor, 49, said at the time. He is referring to the R$431,000 his father declared as his personal assets to the elections authority when running for the governor’s mansion. “That R$431,000 would not even pay for the furniture at all the radio and TV stations he owns in this state,” quipped the son. He said at the time that his father “possesses more than 20 media outlets in the State,” and the SBT retransmitters alone — whose real owner was his father, he claimed — “are worth more than R$12 million.” The following week, the dissident son sent a veritable dossier to the federal public ministry that he had gathered on his father, and the case, which received coverage in the major media, contributed to the double defeat of the Siqueiras — the father in his bid for the governorship and Eduardo in his battle for the Senate.

This writer loves the word “veritable.”

I am trying to see if I can find contemporary coverage.

Um indício de que por trás de José Carlos Camargo pode estar Siqueira Campos, como garantiu seu próprio filho, é o polêmico terreno do Morro do Governador, que, segundo Júnior Siqueira, pertence ao seu pai. No ano passado, ele convocou famílias pobres de Palmas para ocuparem o terreno, se propondo a fazer uma espécie de “reforma agrária” na área que garantiu pertencer a Siqueira. “Acredito que se somarmos todos os bens que são dele, de fato, mas estão espalhados em nome de laranjas, o patrimônio do Siqueira deve chegar a 80 milhões de reais”, avaliou, na época. “Posso garantir isso, porque eu mesmo ajudei a montar o império de comunicação que ele tem no Estado. E também fui eu quem fiz cerca nas terras do Morro do Governador, uma verdadeira fazenda encravada em Palmas, com o objetivo apenas de promover a especulação imobiliária”, disse Júnior Siqueira na entrevista concedida ao Jornal Opção, após ter liderado a manifestação pela “reforma agrária” nas terras de seu pai.

One sign that Siquiera is behind Campos, as his son swears is true, is the controversial property on the Morro do Governador, which the son says belongs to his father. Last year, he invited poor families to squat the property, proposing to undertake a sort of “agrarian reform” of the land he says belongs to his father. “I believe if we add up all the assets that belong to him, in fact, but registered in the name of third parties, his net worth would be some R$80 million,” he said at the time. “I can guarantee this, because I myself helped set up his communications empire in the state. And I was the one who fenced in the lands on the Morro do Governador, a veritable planation embedded in the city of Palmas, with the sole objective of promoting real estate speculation,” said Junior in his interview with Opção, after leading a protest for “agrarian reform” on his father’s lands.

You read a lot about squatters sometimes being used as pawns in land grabs by hidden third parties in Brazil. See, for example …

A área que hoje é conhecida como Morro do Governador, foi comprada pelo agricultor Leontino Soares Milhomens, junto ao município de Porto Nacional, em 23 de outubro de 1973, muito antes da criação do Estado do Tocantins. Inicialmente chamada de Fazenda Fortaleza, a área tinha 682,44 hectares, segundo aparece na escritura original. Em 1989, o então governador Siqueira Campos desapropriou a fazenda de Leontino Milhomens, alegando que ela seria usada na construção de Palmas, cuja pedra fundamental foi lançada em 20 de maio daquele ano. Por intermédio do Decreto nº 213, de 14 de março de 1989, toda a área onde se encontrava a Fazenda Fortaleza passou a fazer parte da Reserva Ecológica de Palmas. Entretanto, no dia 13 de março de 1991, dois dias antes de Siqueira Campos deixar o governo do Estado, toda a área — já com o nome de Chácara Morro do Governador e 1.004 hectares — foi repassada como lote único a José Carlos Camargo. E o que é mais estranho é a celeridade com que se deu o processo de transformação de um bem público em um patrimõnio privado. Apenas dois anos depois de toda a área do Morro do Governador ter sido desapropriada em nome do interesse público, ela voltou para a mão de particulares. E de um modo inusitado. Em 11 de março de 1991, o próprio José Carlos Camargo requereu ao Instituto de Terras do Tocantins, a titulação, em seu nome, de toda a área do Morro do Governador. Com uma rapidez impressionante para a proverbial burocracia do serviço público, em exatos dois dias seu pedido foi atendido.

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Daí que, no apagar das luzes do governo Siqueira Campos, José Carlos Camargo tornou-se um fazendeiro urbano, dono de 1.004 hectares de reserva ecológica no centro da mais nova capital do país. Foi esse terreno que José Carlos Camargo usou para integralizar o capital da empresa Palmas Participações Ltda., juntamente com os sócios Antônio Milhomem de Castro, Ronaldo Barreto e Elio Pedro Junqueira. A Palmas Participações foi criada em 2001, com o objetivo social de participar de outras empresas como acionista ou cotista. Para integralizar o capital da nova empresa, Antônio Milhomem entregou dois terrenos, os lotes 10 e 12 da ACSU-NO-10, conjunto 2, uma área que totaliza 8.714 metros quadrados e onde funciona grande parte das emissoras suspeitas de serem propriedade de Siqueira Campos. Em setembro de 2003, depois de cinco alterações contratuais, a Palmas Participações passou a ser propriedade de Geraldo Dias da Mota — detentor de 99 por cento das cotas — e de Edevanilde Xavier Dourados, detentora de 1 por cento do capital da empresa. Entre os sócios anteriores da Palmas Participações figurava Luciano Capuzzo, que também aparece como sócio de veículos de comunicação.

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Assim como José Carlos Camargo, Geraldo Mota também tem ligações com Siqueira Campos. E essa ligação passa por uma casa do ex-governador, em que ele residia, até o ano passado, com sua segunda esposa. O terreno, com 739 metros quadrados, foi comprado por Lecy Ribeiro de Almeida em 16 de junho de 1994, junto à Companhia de Desenvolvimento do Tocantins (Codetins), empresa de economia mista criada por Siqueira Campos, através de medida provisória, que foi transformada em lei, pela Assembléia Estadual Constituinte, em 23 de janeiro de 1989. Depois de passar pelas mãos de outros donos, esse terreno foi adquirido por Geraldo Dias Mota, da empresa Palmas Participações. Geraldo Mota comprou a casa em 4 de março de 2002, por 80 mil reais, segundo dados do cartório. Entre 20 de outubro de 2003 e 23 de junho de 2004, o imóvel esteve sob arrolamento de bens por parte do INSS, em função de dívidas previdenciárias. (Na época, Júnior Siqueira disse acreditar que essas dívidas eram das televisões de seu pai, em nome, segundo ele, de Geraldo Mota.) Poucos meses depois, em 22 de novembro de 2004, uma certidão negativa do Cartório de Registro de Imóveis de Palmas mostra que Geraldo Mota vendeu a casa para os filhos do segundo casamento do ex-governador pelos mesmos 80 mil reais que havia pago por ela dois anos antes. Um verdadeiro negócio de pai para filho, levando em conta que, no mesmo dia em que foi efetuada essa transação (22 de novembro de 2004), o imóvel já foi transferido para o usufruto de Siqueira Campos e sua segunda mulher, só que com o valor alterado para quase o dobro — 150 mil reais. Como a lei do mercado não é capaz de explicar esse tipo de negócio, fica a impressão de que, nessas intrincadas transações, o ex-governador não está adquirindo nada, mas apenas resgatando o que já era seu.

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