Dantas’ Inferno: Dines on Veja No. 1956

“Veja used all means at its dispoal to prove the veracity of the information. It was not possible to arrive at any conclusion — positive or negative.”Veja (Brazil), May 17, 2006

Brazilian political and economic commentators perform their analyses before the fact. Before they know that it actually happened, they have an explanation for it. They present opinion divorced from information. –Ricardo Kaufmann (See O Globo: “Chávez Won the Referendum Because He Manipulated the System!”)

And he just walked along, alone,
With his guilt so well concealed,
And muttered underneath his breath,
“Nothing is revealed.”

– Bob Dylan, “The Ballad of Frankie Lee and Judas Priest”

David “Fear and Misinformation Abound” Sasaki-style fear, uncertainty and doubt abound!!!!!

Alberto Dines wrote as follows regarding Veja Issue No. 1956, for the Observatório da Imprensa (Brazil) — the veteran newspaper editor is its grey eminence and thundering finger-wagger in chief — on May 16 , 2007.

I am making a scrapbook on the incident. I agree with Dines: This is one for the textbooks.

The odd thing is that I having such a hard time finding the text of the remarks by President Squid that caused so much furor, with hysterical shrieks of “Stalinist repression!”

Veja spills barrels of ink rebutting those remarks without ever so much as citing the words in question. Ecce Veja.

A edição nº 1956 de Veja (17/5/2006) transformou-se instantaneamente num clássico da impostura jornalística. A justificativa posterior, assinada pelo diretor de Redação Eurípedes Alcântara, não ficou atrás: é um clássico de cinismo. Juntas, convertem-se na bíblia do parajornalismo – combinação de chantagem, espionagem e paranóia.

Issue No. 1956 of Veja (cover date May 17, 2006) became an instant classic of journalistic imposture. The post hoc justification, bylined to editor in chief Euripedes Alcântara, was not far behind: It is a classic of cynicism. Together, they comprise a bible of parajournalism — a mixture of blackmail, espionage and paranoia.

A matéria “A guerra dos porões” (págs. 40-45) segue uma linha que Veja persegue há tempos – derrubar o presidente da República, a maior autoridade do país. Mas foi pensada, escrita e editada no extremo oposto – nos porões de uma profissão que já foi considerada missionária, romântica, decente e respeitável.

The article “war in the dungeons” (pp. 40-45) follows an editorial line Veja has been pursuing for some time now — overthrow the president, the highest authority in the land. But it was conceived,, written and published in the extreme opposite — in the deep, dark dungeons of a profession once considered missionary, romantic, decent and respectable.

Only those who have never worked on a daily deadline could consider journalism romantic — or a profession. It is skilled assembly-line labor for poetry majors. But Brazilian journalists still consider themselves liberal professionals, like doctors and lawyers. Go figure.

Esta que se apresenta como a quarta maior revista do mundo ocidental (quem garante?) e agora traveste-se como “a mais respeitada revista brasileira” (está provado, não é?) sintetizou de forma admirável e trágica a história da sua própria decadência.

This magazine that calls itself the fourth-largest in the Western world (who knows if that it true) and fancies itself “the most respected Brazilian magazine” (a proven fact, right?) has summarized with admirable and tragic concision the story of its own decadence. 

Embora o presidente Lula tenha protestado em termos impróprios contra o repórter Márcio Aith (sem mencionar o nome), fica evidente que se referia ao parajornalista e pau-mandado Diogo Mainardi, que pegou carona na entrevista concedida pelo banqueiro Daniel Dantas.

Though the president may have complained in improper terms about Márcio Aith (without mentioning his name), it is obvious that he was referring to parajournalist and goon for hire Diogo Mainardi, who caught a ride on the interview conceded by the banker Dantas.

Nas redações de revistas noticiosas as matérias passam por muitas mãos, a responsabilidade é da direção da Redação – e, neste caso específico, da alta direção da empresa. Uma acusação ao presidente da República, soprada por uma figura como Daniel Dantas, só pode ser publicada quando há indícios consistentes. Aqui, consistente foi o delírio.

In the editorial offices of news magazines, stories pass through a number of hands, but the responsibility for them belongs to editorial managements — and in this specific case, to the senior management of the company. An accusation againt the President, whispered by a figure like Dantas, can only be published when there is consistent evidence to back it up. Here, the only consistency was in the insanity of the whole affair. 

Veja’s Mainardi on Globo’s Jô Xô. Represents unsubstantiated rumors as “information.” Ecce Veja.

Apuração precária

Precarious investigation

Tudo na matéria é assumidamente inconsistente, incoerente, duvidoso, incerto e inseguro. A alegação de Eurípedes Alcântara de que as informações publicadas “esgotam a investigação jornalística”, além da fanfarronice juvenil é um atestado público das limitações de Veja em matéria de investigação jornalística. Quem não tem competência que não se habilite.

The entire article is, by its own admission, inconsistent, incoherent, dubious, and uncertain. Alcântara’s claim that the information published “take investigative journalist to its utmost limits,” besides being a juvenile boast, bear witness publicly to Veja’s limitation in this area. If you are not up to the task, you shouldn’t take it on. 

Sem a ajuda de arapongas, espiões e malfeitores de alto ou baixo coturno Veja não consegue dar um passo. Melhor seria que continuasse na esfera da celulite, impotência, incesto, longevidade, botox, infidelidade e espiritualismo – onde, aparentemente, lidera inconteste.


Uma revista adulta, minimamente responsável, não pode inscrever esta explicação simplória debaixo de uma lista com os nomes de grandes figuras da República e as quantias que teriam no exterior:

An adult and minimally responsible magazine would never scribble this facile explanation beneath a list showing the names of major political figures and money they allegedly possess in offshore bank accounts:

Veja usou de todos os seus meios para comprovar a veracidade dos dados. Não foi possível chegar a nenhuma conclusão – positiva ou negativa.

Veja used all means at its dispoal to prove the veracity of the information. It was not possible to arrive at any conclusion — positive or negative.

Isto não é piada, é epitáfio. Atestado de óbito jornalístico. Conclusão negativa seria uma não-notícia cujo destino é a cesta de lixo. Essa sequer é uma não-notícia, mas simples suspeita veiculada por fonte suspeitíssima e que, apesar dos “seis meses de investigações”, continua tão precária quanto antes da investigação. O mesmo aconteceu com os dólares de Havana que a respeitada publicação até hoje não conseguiu comprovar.

This is not a joke, it is an epitaph. A journalistic death certificate. A negative conclusion would have made this a non-story, destined for the roundfile. But this is not even that. It is a simple suspicion raised by a highly supect source which, despite “six months of investigation,” is as flimsy as before the investigation began. The same goes for the dollars from Havana that Veja has also not yet managed to substantiate. 

Que o carro-chefe da Editora Abril tenha optado pelo haraquiri é problema da Abril. Porém a matéria de Veja vai além, ao comprometer a imprensa brasileira como instituição no exato momento em que a palavra de ordem dos calhordas pilhados em flagrante é vilipendiá-la – justamente por que a imprensa aprendeu a investigar e agora consegue se livrar dos vídeos, fitas e dossiês secretos que apareciam misteriosamente nas redações ou eram comprados de arapongas profissionais.

That Editora Abril’s flagship publication may have opted to commit kara kiri is Abril’s problem. But the Veja article has greater repercusssions: It compromises the Brazilian press as an institution at the precise moment when the standard operating procedure of every scoundrel caught red-handed is to vilify it — just when the press has learned to really investigate, leaving beind all those secret videos, tapes and dossiers that show up mysteriously in the newsroom or are bought from professional cloak and dagger types.

The image “https://i2.wp.com/i113.photobucket.com/albums/n216/cbrayton/brasil14.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.
Snippet of the Frank Holder dossier as it ran in Veja. The experts Veja says it hired — whom it did not name, as far as I know — could not conclusively prove that it was not just a crude Sino-Paraguayan knockoff. The Tupi feds have now concluded it was a crude Sino-Paraguayan knockoff and possibly a cheap plagiarism of the gabbling ratfink used in the Clearstream II affair. These people apparently get their ideas from reading bad spy novels.

Passados dois dias da publicação das calúnias em Veja, o que chama a atenção é a absoluta ausência de manifestações opinativas no resto da imprensa sobre o seu aviltante comportamento. Nas edições de domingo (14/5), a matéria e a resposta do presidente Lula mereceram chamadas nas primeiras páginas do Globo e da Folha de S.Paulo. Na segunda-feira o assunto mirrou.

Two days after the appearance of this slander in Veja, what is notable is the complete lack of editorial reactions in the rest of the press about its revolting behavior. In the Sunday editions, the article on the response by [President Squid] merited a front-page reference in O Globo and the Folha. By Monday, the matter had vanished from the news.

Nenhum editorial, apenas uma opinião, evidentemente apressada, do articulista Clóvis Rossi (Folha, 14/5, pág. 2), que de Viena considerou os supostos depósitos no exterior “quase impossíveis de desmentir”. A imprensa brasileira oficializou a postura do avestruz: Veja provocou uma inédita manifestação de um chefe de Estado, mas isso não pode ser comentado, contestado ou condenado, apenas noticiado. O senso crítico do leitor não pode ser exacerbado.

No editorials on the subject, merely an opinion piece, obviously written in a hurry, by columnist Clóvis Rossi (Folha, May 14, p. 2), who wrote from Vienna that he considered the supposed offshore bank accounts “almost impossible to disprove.” The Brazilian news media officially adopted the posture of the ostrich: Veja provoked an unprecedented manifestation from the head of the state, but this could not be commented, contested or condemned, merely reported. The reader’s critical sense should be not be unduly exercised.

Um magistrado, um parlamentar e um ministro podem ser linchados pela mídia quando cometem ilícitos. Mas revistas ou jornais são inimputáveis – mesmo em crimes de lesa-pátria e lesa-majestade – graças ao habeas corpus da solidariedade corporativa. Esta mesma camaradagem tipo country club foi intensamente utilizada na vizinha Venezuela e o resultado foi (1) a ascensão do caudilho Hugo Chávez, (2) o ressentimento das massas incultas contra los medios de comunicação e (3) o castigo imposto a todos – bons e maus jornalistas, bons e maus veículos: uma imprensa encurralada.

A judge, a lawmaker

Enquanto o narcoterrorismo captura um estado e com ele o Estado, o padrão Veja de jornalismo captura o senso crítico da sociedade brasileira para torná-la presa fácil dos desvarios. [Texto fechado às 21h14 de 16/05]

Even as narcoterrorism takes over a Brazilian state, and with it takes the State hostage, the Veja style of journalism takes the criticial faculties of Brazilian society hostage, making them easy prey for [crazy nonsense.]
Prof. Dines is referring to the PM-PCC wars of May 2006 in São Paulo, when targeted assassination of military police by the PCC criminal organization led to massive — and apparently indiscriminate — reprisals by state military police.

Another case in which the official position is that “it was not possible to arrive at any conclusion — positive or negative.”


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