“I, Cacciola”: The Interview

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Lazarillo de Tormes for the hedge fund mob: Apologia pro vita sua and “witness to history” read of the week.

“Eu, Alberto Cacciola, Confesso”: Leia entrevista do dono do banco Marka sobre o livro em que dá sua versão para as acusações: From 2001, from the annals of the iG news portal (Brazil), an interview with fugitive Brazilian banker Alberto Cacciola of the Banco Marka, whose extradition proceeding drags on in a Monaco court.

See also

Cacciola was convicted in absentia of various crimes over a bail-out deal he struck with the central bank during the crisis over the devaluation of the Brazilian real.

I just finished reading the book in question, I, Alberto Cacciola, Confess, as told to journalist Eric Nepomuceno.

Think The Autobiography of Malcom X for readers of Hedge Funds Review.

Cacciola claims he was made the fall-guy to divert attention from other, much more serious, shennanigans.

Shennanigans involving huge sums hastily transferred from short to long positions on the eve of the “surprise” announcement that the minister of the Treasury was being swapped out for a notorious champion of letting the currency float against the dollar.

He says in the book that he is suing Veja magazine over an (anonymously sourced) story claiming that he led a cabal of bankers who paid huge sums for inside information from the central bank. Not sure whatever happened to that. He also claims that Veja reporter Policarpo Júnior outed the source to him on the telephone several years later — a rival banker.

I have absolutely no way of checking any of the claims he makes, mind you.

Another fascinating (to me) angle on the story developed recently as the extradition proceedings were delayed by an alleged translation glitch.

Cacciola’s defense team screamed that the translations were so gabbling bad as to be unreadable, but — and I should translate the item to give equal time to the other side of the dispute — the Ministry of Justice says the problem was merely that one Brazilian legal term does not have a direct translation into the terminology used by Monaco’s legal system. A problem I am pretty familiar with myself.

iG – O seu livro é assinado conjuntamente com o jornalista Eric Nepomuceno, um jornalista e escritor conhecido. Como foi essa parceria? Ele o entrevistou e escreveu ou o senhor tinha um primeiro texto?

iG: Your book is credited jointly to you and journalist Eric Nepomuceno, a well-known writer. How did that partnership work? Did he interview you or did you write the first draft?

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Front-running: Mercadante’s testimony found similar trends in Brazilian forex trading around the devaluation of the BRR in 1999. 

Cacciola -Em primeiro lugar, esse livro não é assinado em conjunto. Esse livro é assinado por mim, eu sou o autor e o único responsável por tudo que está escrito nesse livro. O Eric fez o texto final, o Eric não tem absolutamente nada a ver com o que está escrito. A responsabilidade é 100% minha. É claro que o estilo é dele, mas o estilo dele foi ele conseguir encarnar o Cacciola, na maneira de falar do Cacciola. Qualquer pessoa que me conhece, ao ler o livro, tem a certeza de que fui eu que fiz.

Cacciola: In the first place, this book is not credited jointly. It is credited to me, I am the author and solely responsible for everything written there. Eric did the final draft, but has nothing at all to do with the contents. I am 100% responsible. Obviously the style is his, but his style in this book was a matter of successfully capturing Cacciola, the way Cacciola has of speaking. Anyone who knows me, reading this book, will be certain that I was the one who wrote it.

iG – Mas como foi esse trabalho, o senhor acordava e escrevia ou eram conversas com ele?

But how did you work together, did you wake up early and write or was it through conversations with him.

Cacciola – Esse livro quem ia escrever era o Fernando Morais, mas o Fernando Morais tinha um compromisso e só podia escrever o livro depois do mês do outubro ou novembro. Eu queria esse livro pronto no final do ano. Então quem me apresentou o Eric foi o Fernando Morais. Quero dizer que foi uma excelente apresentação, o Eric é ótimo, é um excelente escritor, uma excelente figura humana, uma pessoa que eu adorei. Aí o Eric veio à Itália, nós sentamos e fizemos um projeto do livro. O projeto foi o seguinte: os capítulos, os assuntos, tudo aquilo. Então capítulo 1 com os assuntos tais, tais e tais, capítulo 2 com os assuntos tais, tais e tais, e assim por diante. Com base nesse projeto, eu pedi um dia para me concentrar no projeto do livro, aí o Eric sentou na minha frente com um gravador e passamos aqui 15 dias mais ou menos gravando em torno de 40 horas de fita, de gravação, depoimentos meus. Ele levou isso para o Brasil, transcreveu tudo o que foi gravado e moldou o primeiro livro, evidentemente do jeito dele escrever. Isso demorou uns três meses, depois ele voltou para a Itália e nós sentamos juntos, eu lendo o livro, capítulo por capítulo, e a gente foi fazendo as modificações, as alterações, os acertos do livro. Aí nós terminamos o livro juntos aqui na Itália, uma segunda vez.

This book was going to be written by Fernando Morais, but he had a prior commitment and could only get to it in October or November. I wanted the book to be ready by the end of the year. So it was Morais who introduced me to Eric. I mean to say it was an excellent introduction, Eric is top-notch, an excellent writer, a great human being, someone I adored. So Eric comes to Italy, we sit down and do an outline of the book. It worked like this: The chapters, the topics, all that stuff. So Chapter One with such and such a topic, Chapter Two with such and such a topic, and so on. Based on the outline, I asked for a day to concentrate on the outline, then Eric sat across from me with a tape recorder and we spent 15 days or so recording around 40 hours of tape, of my statements. He took this back to Brazil, transcribed all the recordings and hashed out the first draft, obviously in his own writing style. This took maybe three months, then he came back to Italy and we sat down, me reading the draft, chapter by chapter, and we started making edits, fixing the book. So we finishing the book together here in Italy during his second trip.

Skipping some more questions on how the book came to be.

iG – Hoje, nesse momento, quantos processos judiciais correm contra o senhor no Brasil?

At the moment, how many legal proceedings are you facing in Brazil?

Cacciola – Os processos judiciais que correm no Brasil estão todos no livro.

All the lawsuits in Brazil are in the book.

iG – Unidos em um só?

Are they consolidated into a single lawsuit?

Cacciola – Não. Tem vários processos. Tem o de peculato, tem os processo em Brasília, processos no Rio de Janeiro.

No, there are number of them. There’s the [embezzlement] case, there are the Brasília lawsuits, the ones in Rio.

iG – Na Itália, corre algum? Havia o de extradição que foi recusado. Corre nesse momento algum?

Any lawsuits in Italy? The extradition request was turned down. Any others at the moment?

Cacciola – Não. Nem o processo de extradição foi processo. O ministério da Justiça italiano negou a extradição, nem chegou a mandar para a Justiça julgar esse processo. O ministro da Justiça da Itália pode negar a extradição, ele não pode dar a extradição. Se quiser dar a extradição, ele manda para a Justiça e aí a Procura italiana, que é a Justiça italiana, faz o processo de extradição. No meu caso, nem isso aconteceu, o ministro da Justiça negou, acabou. Não tive nenhum processo na Itália contra mim.

No. And the extradition matter did not even make it to court. The Italian justice ministry denied the request and never even sent it to the court to rule on. The Italian justice minister has the power to deny such requests, but he cannot grant it. If he wants to grant extradition, he sends it to the court and then the Italian prosecutor tries the case. In my case, that did not happen, the ministry turned it down, and that was it. …

iG – E de longe, da Itália, como o senhor acompanha tanto as ações como o cotidiano da vida brasileira? No livro tem várias revelações, passagens que sugerem que está bem informado, o caso do Senado, comentários sobre ACM, comentários recentes.

How do you follow your legal affairs and daily life from far-away Italy? There are various revelations in the book, passages that suggest you are well informed, the Senate case, comments on Antônio Carlos Magalhães, recent comments.

Cacciola – Eu acompanho tudo, eu me sinto totalmente informado, tudo, tudo eu acompanho.

I follow everything, I feel like I am totally informed, I follow everything, everything.

iG – Como?

How?

Cacciola – Internet, meus advogados, telefone, tudo eu acompanho. Eu tenho acesso a todos os meus processos pela internet, na Justiça, em tudo quanto é lugar, tenho acesso ao site do Senado, posso olhar. Enfim, tenho tudo aqui por internet.

The Internet, my lawyers, the phone, I follow everything. I have access to all my legal proceedings on the Internet, in the courts, everywhere, I can access the Senate Web site, I can check it out. So I have everything I need on the Internet.

iG – Quando o senhor descreve que saiu da prisão no Ponto Zero, no Rio de Janeiro, e então naquela noite inicia uma viagem para a Itália, sugere, talvez não com toda a clareza, mas passa para o leitor que está iniciando uma viagem sem volta, o senhor chega a dizer que na hora sente isso. O senhor pretende voltar ao Brasil ou não?

When you describe leaving the Ponto Zero prison in Rio, and then that very night starting your travels to Italy, you suggest, though maybe not with perfect explicitness, but you give the reader to understand that you are starting out on a one-way trip, you even say that at the time you felt this. Do you mean to return to Brazil or not?

Cacciola – Eu digo de forma clara no final do livro que quero voltar. O Brasil é o meu país, é lá que eu tenho meus filhos, tenho minha família, tenho meus irmãos, tenho meus amigos. Mas só que eu espero poder voltar para o Brasil e encontrar um Brasil melhor, mais justo, mais honesto, que respeite as leis, que respeite o direito constitucional das pessoas primeiro se defenderem, antes de acusarem. Está no final do livro.

I say very clearly at the end of the book that I want to return. Brazil is my country, my children, my family are there, my brothers, my friends. But it’s just that I hope to return to Brazil and find a better Brazil, more just, more honest, more law-abiding, a Brazil that respects the rights of people to defend themselves over the right to accuse. That is at the end of the book.

iG – Qual é a sua expectativa em relação ao efeito que o livro pode ter?

What effect do you hope the book will have?

Cacciola – A minha expectativa é uma só: que uma grande quantidade de pessoas possam ler esse livro e entendam a verdade dos fatos. Essa é a minha única intenção, essa é a minha expectativa.

I have just one hope: That a lot of people will read this book and understand the true facts. That is my only intention, that is my hope.

iG – Uma coisa que certamente o senhor deve ter passado muito tempo pensando é qual o impacto que imagina que pode ter sobre o establishment jurídico, juízes, procuradores, etc.

Something you must have thought about a lot is what impact this might have on the legal system, judges and prosecutors and so on …

Cacciola -Eu literalmente não estou nem um pouco preocupado com isso, não estou preocupado. Eu acho que pior do que já aconteceu comigo é impossível. Não estou preocupado com isso.

I am literally not at all concerned about that, I am not worried. I think the worst that could possibly happen to me has already happened. I am not worried about that.

iG – O senhor tem um desejo de vingança, de retribuir talvez ou expor os seus acusadores a uma acusação também.

Do you have a desire for revenge, for retribution, or to accuse your accusers in turn?

Cacciola – Eu nunca tive e não tenho. O livro tem como objetivo mostrar os fatos de forma real. Dentro do possível, tudo comprovado e mostrado. Está no relatório da CPI, está nos depoimentos das pessoas-chave, Gustavo Franco e outros, está ali o depoimento do Mercadante, está tudo ali.

I don’t, and never have. The purpose of the book is to explain the real facts. To the extent possible, everything demonstrated and proven. It’s in the CPI report, in the testimony of the key players, [former central bank president] Gustavo Franco and others, it’s there in Mercadante’s testimony, it’s all there.

The PT senator from São Paulo — he lost the governor’s race last year — gave a presentation about the unusual forex trading activity on the day before the announcement of a shift in the policy. Same sort of thing the SEC now looks at more regularly, unusual transactions that might suggest insider information at work. The CVM also seems more vigilant about these things now than formerly.

iG – No início do livro, o senhor fala várias vezes a palavra canalhice, canalha. Depois tem vários momentos em que aponta um ou outro. Se fosse eleger o arquétipo ou o mais acabado, quem mais veste essa carapuça?

At the start of the book, you use the term [scumbag] and [scumbaggery] quite a bit, and later point out various examples. …

Canalha is more or less cognate with Fr. canaille. I translate with a certain gusto that Isa Mara Lando would disapprove of.

Cacciola – A canalhice foi feita por várias pessoas. O leitor vai julgar quem dessas pessoas foi o maior canalha, mas sem dúvida tem vários que foram canalhas. O leitor julga.

The scumbaggery was carried out by various persons. The reader will be the judge of which was the biggest scumbag, but there were certainly various scumbags. The reader will be the judge.

iG – No livro, Cacciola ataca duramente o então presidente do Banco Central Francisco Lopes, porém ele afirma que não tem desejo de vingança por ninguém, e que o principal objetivo da publicação. Ao mesmo tempo, a história o colocou sob algumas agruras que enfrentou, detenção, vida exposta à execração pública, a imprensa invadindo, o Ministério Público invadindo a casa dele, etc. Nessa altura, depois de tudo isso que aconteceu, mudou seu julgamento dele?

In the book, Cacciola attacks the central bank president at the time, Chico Lopes, and yet you say you have no desire for revenge, that your purpose in publishing … At the same time, this episode has put you through some bitter experiences, being detained, your life exposed to public execration, the press invading your privacy, the prosecutor invading your house. At this point, after everything that’s happened, has your view of Lopes changed?

Cacciola – De jeito nenhum. Em primeiro lugar, eu não ataco duramente o Chico Lopes, porque ele no livro é a pessoa de menos importância, não tem o menor peso, o de menor importância é o Chico Lopes. Ele foi um fantoche usado por pessoas muito mais importantes. Mas eu não tenho a menor compaixão. Ao contrário, eu acho que ele foi protegido pela máquina do governo e tudo o que foi feito em termos de Chico Lopes foi muito mais um cinema, porque na realidade nada aconteceu com ele. Ele não foi detido, não aconteceu nada.

Not at all. In the first place, I do not attack Chico Lopes, because in my book he is the least important figure, he carries no weight, Lopes is the least important of all. He was a patsy used by much more important figures. But I also don’t feel the least bit sorry for him. On the contrary, I think he was protected by the government machine and everything that was done regarding Lopes was just a big show, because in reality nothing happened to him. He was not arrested, nothing happened.

iG – A proteção dada, como o senhor diz, pela máquina do governo, o senhor atribui a um desejo de proteger o próprio governo ou a ele pessoalmente, pela trajetória ou o que seja?

The protection provided, as you say, by the “government machine,” do you attribute that to a desire to protect the government or to protect him personally … ?

Cacciola – Medo dele abrir a boca.

Fear he would not keep his mouth shut.

iG – Mas o que ele teria para dizer?

But what would he have to say?

Cacciola – Tente convencê-lo a falar, não eu.

You try to convince him to talk, not me.

iG – Então nessa altura o senhor o define mais como incompetente ou desonesto?

So at this point do you see him more as incompetent or as dishonest?

Cacciola – Os dois.

Both.

iG – O senhor acusa o ex-dono do Banco Pactual, Luís Cézar Fernandes, de ser o responsável por acusações feitas contra o senhor pela revista “Veja”, que por sua vez serviram de base, sustentaram o início da ação no Ministério Público, que acabou o levando à prisão. Qual a prova que tem de que ele foi a fonte da reportagem?

You accuse the former owner of the Banco Pactual, Fernandes, of being behind that accusations made against you by Veja magazine, which in turn served as the basis, gave rise to an indictment by the prosecutor’s office, which wound up landing you in prison. What evidence do you have as to the source of that story?

Cacciola – O próprio jornalista Policarpo Júnior.

[Veja reporter] Policarpo Júnior told me himself.

iG – Apenas aquela suposta declaração dele ou aquela declaração dele por meios interpostos, aquele telefonema?

Just that alleged statement by him … that telephone call?

Cacciola – Suposta, não. Ele declarou isso para o meu advogado de Brasília. Não é suposta, não. Ele nega isso, mas ele declarou para o meu advogado.

Alleged nothing. He told this to my lawyer in Brasília. Nothing alleged about it. He denies this, but he told my lawyers this.

In the book, Cacciola claims he recorded the call. If I remember correctly.

iG – Além disso, qual a prova que o senhor tem de que o que ele diz é falso?

Besides that, what evidence do you have that what he says is false?

Cacciola – Veja bem, se fosse verdadeiro, eu seria um criminoso. Se tivesse prova, ele tinha que provar, eu não. O que eu vou provar? Se é mentira, eu vou provar o quê? Se eu digo que é verdade, sou um criminoso. Evidentemente, nem ele tem prova e eu nego 100%, digo que não tinha esquema. Se tivesse esquema, eu não estava aqui na Itália, estava milionário no Brasil.

Look here, if it were true, I would be a criminal. If he had evidence, the burden of proof would be on him, not me. What am I going to prove? If it is a lie, what should I provide evidence of? If I say that it is true, then I am a criminal. Obviously, he has no proof, and I deny it 100%, there was no such scheme [of paying bribes for insider information from the central bank.] If there had been, I would not be here in Italy, I would be a millionaire in Brazil.

iG – O senhor também diz que ele é um dos banqueiros brasileiros que se beneficiou de informações privilegiadas. Qual é a prova de que isso tenha ocorrido ou qual o indício de que isso tenha ocorrido?

You also said he is one of the Brazilian bankers who benefited from inside information. What evidence do you have that this happened,or what indications?

Cacciola – No livro eu falo isso de forma claríssima. A prova número um é o que ele fez com os sócios. Os sócios podem até negar que ele achacou eles, mas eles foram achacados pelo Luís Cézar Fernandes. Se foram achacados, é porque tinham o rabo preso. Se foram achacados, é porque tinha um esquema. Se foram achacados, é porque o sr. Luís Cézar Fernandes tinha provas. Se foram achacados, é porque foi o sr. Luís Cézar Fernandes que montou o esquema dentro do Banco Pactual, contratando o sr. Rubens Novaes e montando o esquema dentro do banco. Então ele tem todas as provas contra o banco e usou essas provas para achacá-los e tomar o dinheiro do sócio. Em vez de vender as ações por 10, deve ter vendido por 100 ou 50, sei lá por quanto. Pode até ser negado, porque ninguém vai saber como é que foi pago isso.

I explain this very clearly in the book. Proof No. 1 is what what he did with his partners. They may deny that he attacked them, but they were attacked by Fernandes. And if they wre, it is because they had their tail between their legs. If they were, it was because there was a scheme going on. If they were, it was because Fernandes had the goods on them. If they were, it was because Fernandes was the one who ran this scheme from inside Pactual, hiring Rubens Novaes and running the scheme from inside the bank. So he has all the evidence against the bank and used this evidence to attack them and take his partner’s money. Instead of selling the shares for 10, he should have sold them at 100, 50, I don’t know how much. It can even be denied, because no one is going to know how much was paid.

I am not clear about what is exactly being discussed here.

iG – O senhor no livro critica muito detalhadamente todas as cifras, muito diferentes entre si sobre quanto o Banco Central teria gasto na operação de salvamento do Marka. São cifras disparatadas, uma fala de US$ 1,5 bilhão, outra de não sei quanto. O senhor aponta trecho de um artigo do Maílson da Nóbrega que chega a 56 milhões como o que seria o custo.

In the book, you criticize all the numbers in great detail, the very different numbers regarding how much the central bank supposedly spent in bailing out Marka. They are crazy different, one side talking R$1.5 billion, the other I don’t know how much. You point to an article by Maílson da Nóbrega that puts the cost at 56 million.

Cacciola – Esse é o número real.

That’s the real number.

iG – Agora, eu pergunto: quando o senhor aponta que outros bancos, esses sim, teriam se beneficiado ou se beneficiaram da informação privilegiada, com a máxi, quanto o senhor acredita que de fato tenham se beneficiado ou quanto tenham lucrado com a informações?

So I ask you: When you point to other banks that supposedly did benefit from insider information, at a maximum, how much do you think they benefited, or profited from that information?

Cacciola – Eu faço esse cálculo no livro muito bem explicado, tudo com base no relatório da CPI. Digo de forma límpida e clara quantos bilhões o governo perdeu vendendo a quantidade de dólares que vendeu na segunda, na terça, na quarta e na quinta-feira. Não relaciono os bancos porque vários bancos entraram, evidentemente. Mas não quer dizer que todos os bancos que compraram tinham esquema. Quem tinha o esquema não é problema meu. Quem tem que investigar é o Ministério Público, seria o Senado com a CPI, seria o Mercadante dar seguimento à acusação e ao depoimento que ele fez, que de forma milagrosa parou de acusar. O PT de repente parou de falar sobre esse assunto, nunca mais falou. A troco de que? Não sei. Talvez seja a troco da campanha milionária que o PT está fazendo hoje para candidato a presidente.

I do this calculation very explicitly in the book, all based on the CPI [congressional probe] report. I state very clearly how many billions the government lost selling the amount of dollars it sold on Monday, Tuesday, Wednesday, Thursday. I do not name the banks because a number of them were in on it, obviously. But that does not mean that all the banks that bought were in on the scheme. Who was in on it is not my problem. It ought to be a problem for the prosecutor, for the Senate, for Mercandante to follow up on his charges and the testimony he gave, which somehow got dropped afterwards, miraculously. The PT suddenly stopped talking about it, never said another word. In exchange for what? I have no idea. Maybe in exchange for this million-dollar campaign they are running now for the presidency.

iG – O senhor fala dessa campanha presidencial que se avizinha ou acha que já beneficiou na campanha para prefeito?

You are referring to the upcoming presidential race, or do you think it benefited in the mayoral campaign?

Cacciola – Que prefeito? É a campanha de presidente agora, campanha milionária de horário nobre, horário de Jornal Nacional. Eu não vou acusar nomes, nunca acusei nomes. E tem mais, eu só estou falando de Pactual porque o Luís Cézar Fernandes foi o autor daquela acusação infame que ele fez na Veja. Eu nunca mencionei nenhum banco, nem Pactual. Eu sou do mercado há 30 anos e não vou acusar banco nenhum. Mesmo que eu saiba que tinha esquema, é problema deles e problema do governo, problema do Ministério Público. Não é problema meu, eu não sou investigador. Quanto aos bancos, eu não tenho resposta. Manda ver lá no relatório e manda o Ministério Público e o Senado investigarem isso, não eu.

What mayoral campaign? The presidential campaign that’s going on right now, a million-dollar campaign in prime time, [ad buys] in the Jornal Nacional. I am not going to accuse anyone by name, I never have. Moreover, I am only talking about Pactual because Fernandes was behind that scurrilous accusation that he made in Veja. I never mentioned any names, not even Pactual.

I think Pactual has been sold in the meantime. UBS, right?

iG – No capítulo 13, “Uma figura surge das sombras, o achacador”, o senhor aponta um esquema de venda de sentenças judiciais, sobre o qual fala-se muito, mas nunca ou raramente se prova alguma coisa. O senhor omite nomes do achacador e mesmo de quem poderiam ser os elos de ligação dele. Isso não é uma omissão ou mesmo um desserviço?

[tktktktkt]

Cacciola – Não é uma omissão. No livro eu falo de forma clara o seguinte: para ser franco, esse doutor Lucas é o mesmo que está nas fitas grampeadas de forma totalmente ilegal pelo Ministério Público e pela Justiça do Rio de Janeiro. Eu não estou omitindo, estou dizendo. Como isso é um segredo de Justiça e está hoje correndo um inquérito policial investigando isso, eu estou colocando no livro e estou repetindo para você agora que só quero ver qual é o final dessa investigação e faço um ponto de interrogação. Não é função minha, é função da polícia e do Ministério Público.

[tktktktkt]

iG – No livro, o senhor retrata de forma bastante negativa o Ministério Público em inúmeras passagens. O senhor entende que o Ministério Público o perseguiu de forma exorbitante e muitas vezes inclusive com irregularidades processuais. O que, no seu entendimento, levou os procuradores a esse comportamento exagerado?

[tktktktkt]

Cacciola – Essa pergunta você deve fazer aos três procuradores do Rio de Janeiro que me acusam, recalcados. Agora, eu quero deixar bem claro o seguinte: eu tenho o maior respeito pelo órgão Ministério Público, acho que todo país desenvolvido, honesto e decente tem que ter um Ministério Público bastante competente. Mas a minha crítica é que dentro do Ministério Público existem procuradores que têm o único objetivo de aparecer, se tornarem vedetes de qualquer escândalo e têm uma enorme capacidade de pré-julgamento e não de fazer de fato investigações sérias e de forma competente. Eles fazem investigações na base de escândalos, usando a imprensa como aliada e a imprensa tem uma culpa enorme em dar o apoio e o espaço que dá a esses procuradores incompetentes, a esses procuradores que têm o único objetivo de aparecer, por recalque ou sei lá porquê. Agora, isso é uma minoria, porque a grande parte do Ministério Público é formada por gente honesta, competente, que está ali para cumprir as verdadeiras funções dele. Então o Ministério Público é importantíssimo. O que não é importante e o que ao meu ver desmerece todo esse crédito do Ministério Público é uma minoria de procuradores que fazem o que fazem de forma totalmente ilegal, injusta e inconstitucional.

[tktktktkt]

iG – Conhecendo o rito processual todo, aquelas sentenças controladas previamente por lobbies, ou achacadores ou por interesses estranhos poderiam acontecer sem uma participação do Ministério Público?

[tktktktkt]

Cacciola – Eu não vou afirmar que existe uma participação do Ministério Público. Mas existe uma motivação e um incentivo por parte de alguns procuradores para que o caminho da Justiça seja esse.

[tktktktkt]

iG – Mas no seu caso, o Sr. acredita, pelo que está me dizendo, que isso ocorre por desejo de aparecer e fazer-se famoso?

[tktktktkt]

Cacciola – Fazer-se famoso ou recalque, sei lá. Está bem claro no livro tudo isso.

[tktktktkt]

iG – Mas não corrupção?

[tktktktkt]

Cacciola – Não, eu não acredito que seja corrupção. Dos procuradores você está falando, né? Não acredito.

[tktktktkt]

iG – As acusações que o senhor faz ao banqueiro Luís Cézar Fernandes já estão nas barras dos tribunais? Ele o processa, o senhor o processa, ou não?

[tktktktkt]

Cacciola – Ele não me processa. Se ele vai me processar, tem que perguntar a ele. Se eu vou processá-lo, a resposta é: meus advogados é que estão cuidando desse caso.

[tktktktkt]

iG – Um personagem crucial do seu livro, explícita e implicitamente em diversas passagens ou quase em todas as passagens, é a imprensa e também nessa entrevista o Sr. já fez referências ao papel dela. Eu pergunto: o Sr. preserva algum representante da imprensa, algum setor ou indivíduo que tenha tido um comportamento, digamos, que julga correto?

[tktktktkt]

Cacciola – O meu caso foi um caso tão atípico em relação ao comportamento da imprensa que, quando me refiro à imprensa, me refiro à imprensa como um todo. É claro que a “Veja”, através do seu jornalista Policarpo Júnior, eu diria que é a mais forte, é a principal. Eu diria que foi a que teve o comportamento mais desleal, mais desumano, mais absurdo, fazendo acusações sem nenhuma prova e não reconhecendo e não colocando, escondendo e protegendo o Luís Cézar Fernandes. A palavra é horrível…, nem vou falar…, mas… de forma bastante suja, vamos chamar assim, e muito bem colocada no livro, com base em todas as reportagens que a revista “Veja” fez. Então eu diria que a imprensa como um todo agiu de forma exagerada, me transformando no bandido-mór do Brasil, mas a maior motivação, o ‘start’ e a coisa mais absurda quem fez sem dúvida nenhuma foi a “Veja”. Mas a imprensa como um todo colaborou e contribuiu para criar essa minha imagem negativa, com base inclusive em tudo que eu tenho guardado e está lá até dito na orelha do livro pelo próprio Fernando Moraes.

[tktktktkt]

iG – A imprensa tem um comportamento muitas vezes esquizofrênico, um comportamento que vai e vem, muitas vezes ela massacra, metralha um certo tema ou personagem, e depois faz uma expiação de culpa. Isso aconteceu, por exemplo, no famoso caso da Escola de Base, em que a imprensa quase inteira massacrou aqueles professores e depois toda a imprensa passou a publicar sempre artigos mostrando como ela mesma foi errada. O senhor já sente na imprensa hoje os primeiros sinais de mea culpa ou de autocrítica?

The press often behaves in a schizophrenic manner, very inconsistently, it will often massacre, machine-gun a certain issue or person, then latter beg forgiveness. This happened in the famous case of the Escola de Base, in which almost the entire Brazilian press massacred those pre-school teachers and then later started publishing articles showing that the press was wrong. Do you see any preliminary signs in the press today of mea culpa or self-criticism?

Cacciola – Eu não estou esperando e nem estou preocupado em ver a imprensa admitindo um mea culpa. Estou muito mais preocupado em que a imprensa tenha a capacidade de, com base na leitura do meu livro, poder perseguir o que eu estou dizendo no livro, que é o fato real. O fato real é o que o governo fez naquela segunda e naquela terça, sabendo que ia desvalorizar o dólar. Isso está muito bem claro. Então eu gostaria muito que a imprensa pudesse agora esquecer um pouco o Cacciola e tentar de fato esclarecer isso que eu estou colocando no livro. Porque o que eu estou colocando no livro está no relatório da CPI, assinado por aqueles senadores. Ou eles são míopes ou são 100% incompetentes. Pelo amor de Deus, eu nunca vi uma coisa dessas no mundo, o Senado assinar um relatório daqueles e crucificar o Cacciola como o único culpado. É impossível que a imprensa não tenha um jornalista competente, esclarecido, que entenda o que aconteceu e corra atrás. É o Watergate lá dos Estados Unidos. Que tenha um jornalista desses, pelo amor de Deus, é isso que eu peço. Agora, você há de convir, com todo o respeito que eu tenho pela imprensa e você também que é um jornalista, você há de convir que esses jornais botam esses garotos e essas meninas totalmente inexperientes, recém-formados, pagando um salarinho de fome, para tomar conta de um caso desses. Aí botam aquelas manchetes absurdas e vai ficar por aquilo mesmo, porque eles não têm a competência de entender um caso desses. Agora, se tiver alguém na imprensa ou algum órgão da imprensa que tenha de fato alguém competente que queira perseguir essas minhas acusações, que são reais, não são inventadas, você vai ver que o desdobramento desse caso vai ser outro completamente diferente. E talvez lá na frente vá ter um mea culpa em relação ao Cacciola.

[tktktktkt]

iG – Há uma passagem muito sutil, uma frase, em seu livro, quando fala do Banco Matrix. Em algum momento menciona o sucesso que Mendonça de Barros e André Lara Resende tiveram ao longo da sua trajetória, distinguindo-se de economistas clássicos que não eram bons operadores de mercado. E aí o senhor fala que o Matrix foi o único banco que conseguiu passar da teoria econômica para o mercado, ganhando muito dinheiro com o mercado e inclusive com desvalorizações do dólar. Há algo mais do que essa simples frase?

[tktktktkt]

Cacciola -Em primeiro lugar, está faltando um pedaço que você esqueceu. Eu digo que esses economistas estavam cercados de ases do mercado, pessoas muito competentes de mercado. O somatório disso fez com que de fato o Matrix fosse o banco vencedor. Só isso. Agora, cada um interprete do jeito que quiser.

[tktktktkt]

iG – Como o livro tem na desvalorização do Real em 1999 a sua trama principal, aquela referência me sugere a pergunta: o Matrix ou aqueles economistas naquele momento se beneficiaram também daquela desvalorização?

[tktktktkt]

Cacciola – Não digo que eles se beneficiaram. Eu tenho certeza que esses dois economistas eram 100% contrários à política que o Gustavo Franco estava adotando. Daí, com certeza, eles nunca apostaram contra o dólar. Se apostaram, sempre apostaram contra o real, porque a opinião deles eu conhecia, sempre foram contrários à política do Gustavo Franco. É um pouco diferente do que você gostaria que eu dissesse.

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iG – Não, eu estou apenas perguntando, quero saber se o seu desejo era sugerir. Evidentemente, eu não desconheço que inúmeros investidores naquela altura apostavam contra o real.

[tktktktkt]

Cacciola – Eles eram uns deles. Eles e um monte de bancos apostavam contra, mas sempre apostaram. O Citibank sempre apostou contra o real. Ele e outros bancos estrangeiros sempre apostaram contra o real. O Matrix também era um banco que sempre apostava contra o real.

[tktktktkt]

iG – A diferença entre esses e eventualmente aqueles que possam ser os personagens negativos da história estaria no saber o dia da desvalorização e não a aposta macroeconômica na desvalorização?

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Cacciola – É claro, é evidente isso. Tem um monte de bancos estrangeiros, tem um monte de clientes multinacionais que a vida inteira apostaram contra o real porque são obrigados, porque têm que defender o seu patrimônio no Brasil, e perderam dinheiro durante três anos. Ora, se eles ganharam dinheiro na desvalorização, é mais do que justo. Eu não critico isso, é mais do que correto.

[tktktktkt]

iG – Esses tantos que de fato perderam naqueles grandes embates em que o Gustavo Franco operava do outro lado da mesa, no balanço de 1995, posse do Fernando Henrique, até aquele dia da megadesvalorização de janeiro de 1999, eles mais ganharam ou mais perderam?

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Cacciola – É impossível responder a essa pergunta. Não tenho a menor idéia dos valores, quanto eles perderam e quantos eles ganharam. O que eu quero dizer é que esses bancos atuavam por conta própria e por conta de clientes para defender o seu patrimônio, fazer um hedge com o patrimônio do Brasil, investimento em dólar que eles tinham no Brasil. Nesse lance eu não vejo nada de anormal. Foram os perdedores durante três anos e ganharam na desvalorização, é mais do que justo. Se no balanço eles ganharam ou perderam, eu não sei. Mas a que me refiro no livro não é a esses bancos. Eu me refiro no livro ao que aconteceu na segunda e na terça-feira.

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iG – Na sua opinião, o governo Fernando Henrique, o balanço desses quase oito anos é o balanço de um erro na condução da política monetária, da política cambial, ou a desvalorização de 1999 foi um acidente de percurso em sete anos de um período melhor?

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Cacciola – Essa pergunta não é que eu não possa te responder. O que eu quero dizer é que não tenho dúvidas de que o Gustavo Franco estava conduzindo a política cambial de forma brilhante, conduziu de forma brilhante na crise da Ásia e na crise da Rússia. O que aconteceu em janeiro de 1999 não foi nenhuma crise, não tinha nada de anormal até aquela sexta‑feira, dia 8. A única anormalidade foi aquele chilique do governador de Minas Gerais, Itamar Franco. Aquilo não deu susto a ninguém, porque o governo imediatamente foi claro, com uma declaração muito bem escrita pelo próprio ministro Pedro Malan, onde dizia que o governo iria honrar e depois se entenderia com o governo de Minas Gerais. Então eu quero dizer que em janeiro não teve crise nenhuma. A crise que teve em janeiro sabe qual foi? Foi o vazamento da desvalorização cambial, daí na segunda e na terça-feira teve uma crise porque todo mundo comprou dólar, quem sabia comprou dólar, acabou. Essa é a grande realidade. Está lá no livro explicado direitinho. A crise foi provocada pelo próprio governo que vazou a informação e aí deu a crise, porque todo mundo comprou ou pelo menos uma minoria comprou sabendo que ia desvalorizar. Eu não tenho dúvida disso. E o Mercadante disse isso de forma límpida e clara. Só que o Mercadante, de forma mágica, depois esqueceu, o PT também esqueceu e nunca mais falou sobre isso.

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iG – Quando o senhor várias vezes no livro e agora nessa entrevista fala do Mercadante com esse comentário, entende que há uma proximidade entre ele ou setores do PT e setores do governo, digamos, uma espécie de conciliação por interesse ou por interesse político?

[tktktktkt]

Cacciola – Isso eu não sei avaliar, porque não é minha especialidade. Está certo? Na minha vida sei comprar e sei vender, e mesmo assim demonstrei que não sabia nem fazer isso, perdi meu banco. Então não sei te responder.

[tktktktkt]

iG – Há algo que não foi perguntado e o senhor gostaria de dizer?

[tktktktkt]

Cacciola – Tem uma coisa que você não perguntou e então gostaria de dizer. Em primeiro lugar, eu quero dizer que sou o autor do livro.

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iG – Isso nós falamos no começo, está claríssimo.

[tktktktkt]

Cacciola -Como autor do livro, eu tenho direitos autorais do livro. Parte desses direitos eu estou dando, evidentemente, a quem fez o texto final. Agora, a minha parte do meu contrato com a editora está claro no contrato que essa minha parte não será paga a mim, será paga a instituições de caridade que eu vou indicar por escrito depois. Já escolhi uma instituição de caridade e a minha mulher está indo ao Brasil na semana que vem e vai indicar uma outra instituição de caridade lá.

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iG – Qual é a que o senhor já escolheu?

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Cacciola -Eu preferia dizer depois as duas. Minha mulher vai ver, vai visitar, enfim ela quer ter certeza. Eu não estou no Brasil, está certo? Então ela vai visitar e vai me dar o outro nome também. Eu quero dizer que a minha parte está sendo doada a duas instituições de caridade, talvez três, mas eu diria que devem ser duas só. No contrato está que eu depois mando uma carta dizendo qual é a instituição de caridade e a editora credita diretamente. Então quero dizer que não ganho nenhum centavo nesse livro, o meu objetivo não é vender o livro e ganhar dinheiro, por mais até que eu precisasse. O Fernando Moraes até briga muito comigo: “Alberto, você vai abrir mão de um best-seller?” Eu lá quero saber de best-seller, não fiz o livro para ganhar dinheiro. Escrevi o livro para contar a minha verdade, é a minha verdade. Como ela vai ser interpretada pela imprensa, pela opinião pública, eu não tenho a menor idéia. Confesso a você que essa é uma expectativa forte para mim, mas é uma coisa que a mim não preocupa. O que me alivia é que estou com a minha consciência tranqüila e, para dizer a verdade, eu lavei a alma escrevendo esse livro. Foi uma oportunidade que eu tive de colocar toda a história com início, meio e fim. E assumo toda a responsabilidade por aquilo que está escrito no livro. Isso é que é o importante. Essa é a minha única satisfação, para dizer a verdade. Quero dizer também para você que eu jurei que nunca mais vou ler esse meu livro. Eu li essa versão final que eu já tinha redigido há uma semana atrás, li essa versão final no sábado. Você não tem noção do quanto me faz mal.

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iG – Por quê?

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Cacciola – Eu me sinto mal, por mais que eu administre até bastante bem. A sensação de ódio, a sensação de vingança, a sensação de raiva, eu administro para não ter ódio, nem vingança e nem raiva, porque ódio, vingança e raiva só faz mal a você mesmo, você se destrói. Então eu não quero me destruir. Estou aqui na Itália sobrevivendo e lutando para ter uma cabeça lúcida para poder recomeçar a minha vida. Ler esse livro me faz um mal que você não tem idéia, porque ali está a minha verdade. Eu passei muito mal, me senti muito mal na noite de sábado, acordei domingo péssimo. Eu não vou ler nunca mais esse livro.

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