Ceará: “Praise for the New Officer Friendly”


A view from inside one of the 200 new Toyota Hilux squad cars provided to the Ceará police.

The most striking feature of this reform — the Model Precincts project, designed to stimulate cooperation  between the two police forces — began to be implemented with the help American consultant William Bratton, who helped implement the Zero Tolerance program in New York.  Within just a few years, what had seemed like a new moment in state law enforcement had gotten old fast. It wound up being overwhelmed by internal resistance and by the lack of continuity in public policy.

Columnist Erick Guimarães of O POVO (Fortaleza, Ceará, Brazil) praises the preliminary results of a community policing program implemented in the state.

Interesting to note in this article: A failed attempt to implement Giuliani-style “zero tolerance” policing, led by former NYPD chief Bratton, in the state.

On “Ralph Giuliani for president of Brazil,” see also

A notícia de que o governo do Estado pretende ampliar o padrão Ronda para toda a Polícia Militar tem um forte significado simbólico: ao se livrar da velha farda cinza e das paratis verdes da “polícia convencional” e substituí-los pelos símbolos de um programa que tem sido bem recebido pela população, o Governo sinaliza que pretende levar a cabo uma reforma na estrutura da Polícia Militar. É justamente o contrário do discurso oficial: a questão não está no fato de a população perceber o Ronda como uma polícia dentro da Polícia. Foi justamente esta a lógica que moveu o programa no seu primeiro momento: distinguir aos olhos da população um grupamento sobre o qual não pese o desgaste que a Polícia Militar acumulou ao longo dos últimos anos. Não é à toa que o próprio governo fez questão de marcar bem essa diferença ao estabelecer uma farda completamente diferente da utilizada pelo restante da tropa.

News that the state government intends to widen the Ronda program to include the entire state military police makes a powerful symbolic statement: In getting rid of the old grey uniform and green paratis of the “conventional police” in favor of the symbols of a program that was been received well by the population, the Government is signalling that it means to carry out a reform of the military police. This is precisely the opposite of official statements on the subject: The issue is not the fact that the population perceives the Ronda program as a police force within the police force. This was the logic that drove the program initially: To differentiate a group of policemen in the eyes of the population that did not suffer from the reputational woes the military police have accumulated over the years. It was not by accident that the government made a point of insisting on this difference by implementing a uniform different than the one worn by the rest of the force.

Parati is (1) a metonym for cachaça, (2) a kind of fish. I am not sure what it means in this informal context. Brazilian dictionaries tend to disdain contemporary socio-linguistics. There are some emerging Urban Dictionary-style Web projects, however, that are sometimes useful.

Uma das boas surpresas do Ronda está justamente na forma de abordagem. Há alguns dias, o assessor da Secretaria da Segurança Pública, capitão Plauto de Lima Ferreira, jantava com alguns amigos, quando o tema Rondado Quarteirão veio à tona. Um deles relatou que fora assaltado dias antes e que acionou a Polícia logo em seguida. O cidadão marcou o tempo no relógio. Três minutos depois, chegava uma Hilux com um grupo de policiais. O colega ficou impressionado com a educação e presteza dos policiais. “Eles prenderam os assaltantes?”, quis saber o capitão. “Não”. E, ainda assim, o Ronda era só motivos de elogios.

One of the pleasant surprises of the Ronda program has been its methods for stopping and questioning persons. A few days ago, an aide to the state public security secretary, Capt. Plauto de Lima Ferreira, was dining with friends when the topic of the community policing unit came up. One friend told of being robbed a few days before and calling the police immediately. The citizen kept track of the response time on his wristwatch. Three minutes later, a Toyota Hilux with a group of policemen pulled up. He was impressed by their politeness and promptness. “Did they arrest the robbers,” asked the captain. “No.” Even so, the Ronda is receiving nothing but praise.

Talvez esteja aí a raiz da lua-de-mel do Ronda com a população. O programa está quebrando um estigma de uma corporação cuja imagem saiu fortemente arranhada por inúmeras denúncias de abuso de autoridade, grupos de extermínio e corrupção, acumulada ao longo dos anos. A presença ostensiva dos policiais nas ruas aumentou a sensação de segurança. Grosso modo, a forma de abordagem estimulou a população a acompanhar os policiais do Ronda com outros olhos. O mérito do governo foi perceber que a população estava disposta a apoiar a Polícia, mas que era preciso resgatar a confiança nesta relação. O Ronda é exatamente isso: um marco simbólico. O cidadão passou a ter medida da segurança pelo antes e depois do programa.

Perhaps that is what lies at the heart of the program’s honeymoon with the public. It is putting an end to the stigma of a police force whose image has been badly damaged by charges of abuse of authority, death squads, and corruption that have accumulated over the years. The ostensive presence of police in the streets has increased the sense of security. In general terms, its methods for approaching the public has encouraged the public to view the policeman of the Ronda with other eyes. The government deserves credit for perceiving that the population was inclined to support the police but that it was necessary to restore trust to that relationship. The Ronda is exactly that: a symbolic benchmark. The citizen now has a way of measuring security before and after the program.

AS LIÇÕES DA PASSAGEM DE MISTER BRATTON

The lessons of Mr. Bratton’s trip to Ceará

No relation to this Mr. Brayton, unless you engage in the kind of “innovation spelling” of proper nouns that plagues the Brazilian press.

Toda lua-de-mel tem prazo de validade. Hoje, o cidadão fica satisfeito com a chegada rápida de uma viatura e em ser tratado com educação. Amanhã, ele exigirá mais, e é muito bom que seja assim. Por isso mesmo, é bom aproveitar este período para promover os ajustes necessários no programa e na corporação. Para o capitão Plauto, um dos ajustes a ser feito é incorporar ações sociais que impeçam, preventivamente, ocorrências que potencialmente acabariam chegando ao Ronda. Alguns procedimentos bem simples, como a mediação de brigas de vizinhos. Outros mais complicados, como o tratamento para usuários de drogas que queiram largar o vício.

But every honeymoon has an expiration date. Today, the citizen is happy if a squad car arrives promptly and the police treat him politely. Tomorrow, he will demand more, and rightly so. For that reason, we should take advantage of this honeymoon period to promote adjustments that are needed to the program and the police force. In the view of Capt. Plauto, one of these is to incorporate social programs that serve as preventive measures, stopping potential incidents to which the Ronda might be summoned to respond before they get started. Simple measures, such as mediating in neighorhood disputes. Others more complicated, such as providing treatment to drug users who want to overcome their addiction.

See also

É um caminho a ser seguido. Mas é preciso também aproveitar a chance para reformar as polícias. A ampliação do “padrão Ronda” ajuda do ponto de vista dos equipamentos e das relações com a comunidade, mas não é o bastante. Passa também pelo reforço e pela autonomia da Corregedoria (por que não criar uma carreira específica para os corregedores?), e pela faxina mais que urgente que a corporação precisa ser submetida. Passa também pela cobrança de mais rigor do Judiciário na reintegração de policiais afastados.

This is the right path to take. But we also need to take this chance to reform the police forces. Widening the application of the “Ronda standard” helps from the point of view of equipment and community relations, but that is not enough. We also need to strengthen the internal affairs division, and give it more autonomy. (Why not create a separate career path for internal affairs officers?) And there is a more than urgent need to submit the entire force to a thorough housecleaning. And a need to demand more rigor from the judiciary regarding the readmission of policemen who have been suspended from duty.

Oportunidades de resgate da imagem são raras e geralmente nascem de crises. Uma das últimas que a Polícia cearense viu foi em 1997, logo após o escândalo chamado de Caso França. Na época, o então governador Tasso Jereissati subordinou as polícias Civil e Militar à Secretaria da Segurança Pública. Investiu fortemente na compra de equipamento, de veículos e helicópteros; e de tecnologia para o Ciops. O ponto mais marcante desta mudança – o projeto de Delegacias Modelo, que estimulavam o trabalho conjunto da Civil e Militar – começou a ser implantado com o consultor norte-americano Wiliam Bratton, um dos executores da política de Tolerância zero, em Nova York.

Opportunities to recover a tarnished published image are rare, and are generally born of crises. One of the last crises experienced by the Ceará police was in 1997, not long after the scandal known as the França Case.

I digress to offer this summary from São Paulo in Perspective:

No dia 20 de janeiro de 1997, foi preso com um carro roubado o agente da Polícia Civil João Alves de França. Após sua prisão, o acusado fez diversas denúncias de atos criminosos com a participação de policiais civis e militares, como também de parte da cúpula da segurança pública (Brasil, 2000). Estas denúncias, que apontavam a participação dos órgãos de segurança pública em práticas ilícitas, atingiam pessoas importantes deste domínio, como, por exemplo, Francisco Quintino Farias, ex-secretário de Segurança Pública do Governo Ciro Gomes. O escândalo foi denominado “Caso França”. Com as denúncias que vieram à tona, conjugadas com práticas criminosas (já tornadas públicas anteriormente pelas entidades de direitos humanos e por parlamentares, que envolviam policiais em tráfico de drogas, prostituição e crimes de corrupção e extorsão), o quadro de moralização do domínio da segurança pública foi profundamente atingido em sua legitimidade.

On January 20, 1997, state judicial policeman João Alves de França was arrested in possession of a stolen car. After his arrest, he made a number of accusations about criminal acts involving civil and military police, as well as the state public security leadership. These charges, which included the involvement of law enforcement agencies in illegal activities, affected important figures in this area, such as Francisco Quintino Farias, state public security secretary under former governor Ciro Gomes.

Sort of a Cearense Roberto Jefferson, this guy.

What became of the Quintino charges?

The scandal  became known as the “França Case.” Between the charges that surfaced and the criminal activities previously made public by human rights groups and lawmakers, such as police involvement in the drug traffic, prostitution, corruption and extortion, the law enforcement profession was profoundly demoralized and its legitimacy called seriously into question.

O “Caso França” ensejou o estabelecimento de uma “Comissão Especial” para apurar e avaliar as denúncias. Após a divulgação de um relatório parcial elaborado por tal comissão, o governador Tasso Jereissati iniciou profundas alterações nos órgãos de segurança. A grande mudança foi a substituição da Secretaria de Segurança pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa da Cidadania — SSPDC. A modificação do nome está carregada de simbolismo, reforçado pela nomeação de um general-de-divisão do Exército para dirigir a Secretaria. Novamente um gaúcho — o general Cândido Vargas Freire — veio assumir o comando máximo dos órgãos de segurança pública. Esta Secretaria surgiu com maior peso político, integrada diretamente à “estrutura organizacional da Governadoria do Estado, com responsabilidade de coordenar, controlar, integrar e, principalmente, de unificar as atividades de segurança pública desenvolvidas pela Polícia Civil, pela Polícia Militar, pelo Corpo de Bombeiros e pela Corregedoria dos órgãos de Segurança Pública e Defesa da Cidadania” (Brasil, 2000:74).

The “França Case” led to the establishment of a blue-ribbon commission to investigate and weigh the charges. After a partial report was published, Governor Jereissati initiated deep reforms in law enforcement agencies. The biggest change was  substituting the secretary of public security with the SSPDC, the “secretary of public security and defense of citizenship.”

Jereissati is currently the leader of the PSDB in the senate and co-owner of the Iguatemi shopping center consortium. The other co-owner, his brother Carlos, is a major shareholder in Oi/Telmar, which is reportedly about to buy Brasil Telecom.

The change in name was symbolically charged, and reinforced by the nomination of a rtired Army three-star general to lead it. 

Yada yada yada.

Our columnist continues:

The governor at the time, Jereissati, subordinated the state judicial and military police to the secretary of public security. He invested significantly in the purchase of equipment, helicopters and vehicles, and technology for CIOPS. The most striking feature of this reform — the Model Precincts project, designed to stimulate cooperation  between the two police forces — began to be implemented with the help American consultant William Bratton, who helped implement the Zero Tolerance program in New York. 

Known cynically in some Gotham circles as the “It’s Giuliani time!” policy.

Poucos anos depois, o que parecia ser um novo momento na Segurança Pública envelheceu rapidamente. Acabou vencida pelas resistências internas e pela falta de continuidade das políticas públicas.

Within just a few years, what had seemed like a new moment in state law enforcement had gotten old fast. It wound up being overwhelmed by internal resistance and by the lack of continuity in public policy. 

Risk management takeaway No. 1: If you give a grossly underpaid, undertrained, undereducated policeman who is at extreme risk of going over to the dark side — the hog heaven of the hard men and the Comando Azul — a bigger, deadlier BFG, and a helicopter to shoot it from, that policeman is likely going to wind up as a better equipped, more effective , airborne member of the Comando Azul.

Risk management takeaway No. 2: Parachute consultants tend to get their checks long before the results of implementing their advice are known. Perhaps their incentives ought to be better aligned with policy goals.

Risk management takeaway No. 3: This here ain’t New York City, Bubba.

You are not in Kansas anymore, Toto.

And if you neglect the mutatis mutandis, you are gonna wind up like the guy James Taylor sings about in “Mexico”:

Feel a fool
Runnin’ your Stateside games

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