The Disbelief of Nassif: “Veja Fudge on Telecom Judge”

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“Doubts must not be allowed to linger: The presiding justice of the STJ, Vidigal, is involved in cases that need to be clarified. CAPTION: Santiago, Chile: Travel to a seminar with expenses paid by Amil.Source: Veja magazine.

O caso Edson Vidigal: As part of his series on how Veja magazine came to run an astonishingly crude hatchet-job in May 2006, based on a scandal-mongering “dossier” it had every reason to believe was as phony as a carton of Paraguayan “Marlboros,” Brazilian business journalist Luis Nassif has noted a number of related hatchet-jobs, in support of the thesis that a personal relationship between the magazine’s top editor and banker Daniel Dantas explains why it published so much gabbling nonsense on the subject.

In this case, Nassif says, it tried to do a hatchet-job on a federal judge who ruled against Dantas’ business interests.

Paulo Henrique Amorim also noted accusations that have been brought up in the Citi-Opportunity litigation in a New York federal court against the retired judge, a somewhat fawning interview with whom he ran in his Conversa Afiada Web column. See

Nassif has made a point of distancing himself from Amorim, who now does some work, I think, for the Globo-killer wannabe TV Record.

I am not that interested in what Amorim is doing these days, either. His attempt to bring criminal libel charges against Veja columnist Diogo “I am a Martyr” Mainardi was, I thought, something of a meaningless publicity stunt.

O segundo serviço de Veja foi a tentativa de “assassinato de reputação” do Ministro Edson Vidigal, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

The second favor Veja did for banker Daniel Dantas was an attempted “character assassination” of Edson Vidigal, the presiding justice of the STJ.

Hierarchically, this federal court is comparable to the U.S. Circuit Court of Appeals, I guess you could roughly say.

A matéria vinha com uma manchete dúbia: “Não pode pairar a dúvida. O presidente do STJ é envolvido em casos que precisam ser esclarecidos”.

The article sported a dubious headline: “Doubts cannot be allowed to linger. The presiding justice of the STJ is involved in cases that need to be clarified.”

Era uma matéria exemplar para se entender como fabricar um escândalo sem crime. A matéria não enfocava uma suspeita específica. Havia um estoque de fatos relacionados a Vidigal – o que demonstrava, nitidamente, que se tratava de um dossiê especialmente preparado contra ele.

This article is a perfect example of how to create scandalous smoke where there is no criminal fire.

A very loose translation, sorry.

The article does not bring any specific suspicions of wrongdoing into focus. There is merely a litany of factoids about Vidigal — which clearly indicates that this was a “dossier” especially prepared to smear the judge. 

A primeira acusação era um “esquentamento” de fato banal, visando conferir tratamento escandaloso: a de que Vidigal viajara para o Chile, para um Congresso patrocinado pela Amil, empresa de seguro saúde, sendo que, na semana anterior, havia liberado um reajuste de 26% para o setor de planos de saúde.

The first accusation against him is a “reheating” of a banal incident with an eye to creating a scandal out of it: Vidigal had traveled to Chile for a conference sponsored by Amil, a health insurance firm, after having ruled in favor of a rate adjustment of 26% for the health insurance industry.

A viagem tinha sido em um final de semana, em um seminário para discutir a legislação chilena para o seguro saúde. A matéria procurava ressaltar aspectos de mordomia:

The trip had taken place over a weekend, for a seminar on Chilean health insurance legislation. The article sought to emphasize the idea of [luxurious accomodations.] 

“O seminário realizou-se em Santiago, no Chile. Foi uma curta temporada regada a bons vinhos daquele país e com todas as mordomias que costumam acompanhar esses rega-bofes”.

“The seminar was held in Santiago, Chile[,” the Veja article stated.] “It was a short trip washed down with fine Chilean wines and all the comforts normally associated with this sort of [junket].” 

O “prego sobre vinil” esquentava a matéria com obviedades. É óbvio que qualquer Congresso tem coquetéis e almoços e, sendo no Chile, vinhos chilenos.

The editor’s “nail taken to the LP” has [tarted up]  the article with the obvious. Every conference has cocktail parties and lunches, and if it’s held in Chile, the wine is going to be Chilean.

Pouco importava se o patrocinador não tinha ingerência na programação, ou se um final de semana trabalhando em Santiago de Chile está longe de configurar suborno ou mordomia.

It mattered little that the sponsor had no influence over the program, of that a working weekend in Santiago is far from constituting bribery or [luxurious wining and dining.] 

Para tornar mais estranha a acusação, não havia a prova do suborno: a matéria informava que, com sua sentença, Vidigal limitara-se a convalidar um parecer da Secretaria de Direito Econômico sobre o tema. Onde a relação, então, entre favor recebido e serviço prestado?

What made the accusation even weirder was that no evidence of a quid pro quo was alleged: The article informs us that Vidigal’s ruling confined itself to upholding an opinion from the [federal Secretary of Economic Law] on the matter. Where is the nexus, then, between favors received and services rendered?

Dizia mais:

Veja went on: 

”Muito provavelmente, o pedido da Amil é justo. Mas, depois da viagem ao Chile, também é justo levantar suspeita sobre o julgamento da liminar.”

“It is very likely that Amil’s petition was a fair one. But after this trip to Chile, it is also fair to raise suspicions about the judge’s ruling on the [injunction].”

Mas, para efeito de levantar a mancha da suspeita, dizia que “um observador de fora tem o direito de enxergar no episódio os contornos de improbidade administrativa. O caso deverá ser analisado pelo Conselho Nacional de Justiça, órgão recém-criado com a incumbência de exercer o controle externo do Judiciário.”

In order to [pump up] these suspicions, Veja said that “an outside observer has the right to see in this episode the signs of official misconduct. The case should be taken up by the National Justice Council, a recently created agency responsible for external oversight of the Judiciary.”

De fato, a “denúncia” foi feita por uma Associação de Defesa da Cidadania e do Consumidor… mencionando justamente a matéria de Veja.

In fact, the “charge” was [taken to the CNJ] by a certain Association for the Defense of Citizen and the Consumer … as the Veja article itself reports.

Era de um amadorismo constrangedor. Como Veja poderia saber que haveria uma denúncia baseada na própria reportagem que sequer havia sido publicada? É evidente que havia uma armação da qual a revista participava. Não se contentava meramente em espalhar notícias falsas sobre os adversários de Dantas, mas em participar diretamente de armações bisonhas.

It was an embarrassing display of amateurism. How could Veja have known that a charge would be filed based on its reporting even before that report was published? This was obviously a set-up in which the magazine played an active part. Not content with  publishing false news about Dantas’ adversaries, it got actively involved in clumsy set-ups. 

A denúncia nasceu morta. O corregedor Antonio de Pádua Ribeiro rejeitou-a por não estar “consubstanciada infração disciplinar nem violação dos deveres funcionais da magistratura”.

The charge was stillborn. CNJ inspector-general de Pádua Ribeiro rejected it because it failed to state “a substantiated disciplinary infraction or violation of the professional duties of a judge.”

A segunda denúncia do dossiê é que o nome de Vidigal aparecera em grampos com membros da quadrilha do argentino Cesar de La Cruz Arrieta. Como eram fitas de um inquérito sigiloso, era óbvio que o dossiê fora obtido de forma ilegal por membros do submundo que habita Brasília.

The second charge in the dossier on Vidigal was that his name came up in wiretaps involving members of the criminal conspiracy run by the Argentine Cesar de la Cruz Arrieta.

Accused of defrauding the Brazilian social security system in 2003.Given that these recordings were part of a confidential investigation, it was obvious that the dossier had been obtained by illegal means by members of the Brasília underworld.

A matéria reconhecia que a menção a Vidigal poderia ser apenas bravata de contraventores. Mas colocava como agravante o fato do apartamento de um enteado de Vidigal ter sido alugado para os bandidos.

The Veja article acknowledges that the mention of Vidigal’s name might just have been idle boasting on the part of the [investigation targets]. As an aggravating factor, however, it mentioned that an apartment belonging to a stepson of Vidigal’s had been rented to the bandits. 

Vidigal explicou que o apartamento tinha sido entregue a uma imobiliária, que se responsabiliza por quem aluga.

Vidigal explained that  the apartment had been entrusted to a real estate broker, which was responsible for renting it out.

“O apartamento, pelo que sei, estava entregue a uma imobiliária. E ninguém pede atestado de bons antecedentes quando aluga um imóvel.” Mas a coincidência envolvendo um dos mais altos magistrados do país precisa ser esclarecida.”

“‘As far as I know, it was entrusted to a real estate broker. No one asks for a criminal background check when they rent a property,[‘” Veja quotes the guy as saying, adding:] But the coincidence involving one of Brazil’s highest-ranking judges demands an explanation.”

Que tipo de favor Vidigal poderia ter prestado a Arrieta?

What sort of favor could Vidigal have possible done for Arrieta?

Consultando seus arquivos, ele constatou ter atuado em apenas um caso envolvendo Arrieta. E sua decisão tinha sido a de negar um habeas corpus a ele.

Consulting his files, the judge discovered he had ruled in only one case involving Arrieta, and his decision had been to turn down the Argentine’s habeas corpus petition.  

A troco de quê aquela marcação?

[Cui bono? What was behind this attempt to smear the judge?]

Apenas os leitores mais bem informados entenderam a ginástica jornalística perpetrada por Veja.

Only better-informed readers understood the journalistic contortionism Veja was engaged in.  

Pouco tempo antes, Vidigal havia dado a liminar que permitiu aos fundos de pensão e ao Citibank retomar o controle da Brasil Telecom das mãos de Daniel Dantas (clique aqui para a íntegra da sentença). Foi uma sentença dura contra o Opportunity.

Not long before, Vidigal had granted an injunction permitting the pension funds and Citibank to reassume control of Brasil Telecom from Daniel Dantas. [Link to ruling.] It was a hard blow for Opportunity. 

“Com olhos voltados à defesa do interesse público, notadamente porque envolvidos vultosos recursos do erário, antevejo ameaçada a ordem econômica. Neste contexto, considero que eventual prejuízo sofrido pelos fundos de investimento, em última análise, será suportado pelo erário, com vistas a garantir a milhares de brasileiros, beneficiários dos mesmos — e que acreditaram nos fundos de pensões e deles dependem —, a necessária subsistência”, registrou o ministro Vidigal na ocasião.

“With a view to defending the public interest, especially given the fact that large sums of public money are involved, I foresee a risk to economic order here. In that context, I consider that any  losses suffered by the pension fund will ultimately be borne by the public treasury in order to guarantee thepensions of thousands of beneficiaries who believed in and depend on these funds for their subsistence,” Vidigal wrote at the time.

“Considerei, também, nas razões de decidir, as informações trazidas pelo requerente que dão conta que a decisão objeto da suspensão entrega a gestão de mais de 10 bilhões de reais em ativos financeiros, materiais e societários ao Grupo Opportunity que, anteriormente, já fora destituído da gestão deste fundo por quebra dos deveres fiduciários, o que, também, recomenda a concessão da contracautela”, afirmou também o presidente do STJ.

“I also took in account, in my deliberations,  information presented by the [appellant] that the ruling under appeal turns over control ovr more than R$10 billion in financial and material  assets and partnership interests to the Opportunity Group, which has previously been removed from management of this fund for breach of fiduciary duty, which also weighs in favor of granting the motion,” he also wrote.

A sentença de Vidigal foi proferida no dia 15 de junho de 2005. A tentativa de um novo “assassinato de reputação”, por parte de Veja, em 21 de setembro de 2005.

Vidigal’s ruling was handed down on June 15, 2005. Veja ran its attempted “character assassination” on September 21, 2005.

No dia 16 de maio de 2006 – quase um ano depois -, acuado pela revelação do dossiê falso sobre as contas de autoridades no exterior, Dantas mostraria claramente as peças que se encaixavam nas duas tentativas de “assassinato de reputação” da Veja.

On May 16, 2006 — nearly a year later — cornered by revelations about the phony dossier on the secret offshore bank accounts of senior Brazilian officials, Dantas would demonstrate clearly how these two attempted “character assassinations” by Veja magazine fit together.

Na entrevista à “Folha”, mencionada no capítulo anterior, Dantas disse o seguinte:

In his interview with the Folha de S. Paulo, which I mentioned in my last chapter, Dantas said the following:

O controlador do Opportunity, Daniel Dantas, disse à Folha ter recebido informações de que o governo pressionou o Judiciário brasileiro para favorecer os fundos de pensão na briga pela telefônica Brasil Telecom.

“Opportunity’s Dantas told the Folha that he had information that the government pressured the Brazilian judiciary into favoring the pension funds in the fight for control of Brasil Telecom. ” 

“Informaram a mim que teria havido uma intervenção do ministro Palocci [ex-ministro da Fazenda] junto ao ministro Edson Vidigal [ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça] para dar uma decisão favorável aos fundos de pensão”, disse Dantas em entrevista concedida no último sábado, por videoconferência. “Fui conferir e ouvi de uma pessoa que esteve com Palocci que o próprio teria dito não ter sido ele diretamente, mas alguém ligado a ele [que procurou Vidigal].”

“‘They told me that  [former Treasury minister] Palocci intervened with Justice Vidigal to demand a decision favorable to the pension funds,’ Dantas said in an interview conducted last Saturday by teleconference. ‘I went to check it out and heard from someone that was with Palocci that he did not do it directly, but it was someone tied to him  [who went and saw Vidigal.]'”

(…) A versão segue as declarações feitas por advogados do banco em Nova York. Em documento público, eles lembram que o STJ tem 21 ministros, mas que os litígios entre o Opportunity e os fundos costumavam ser julgados por Vidigal (o ex-ministro assinou pelo menos três liminares favoráveis aos fundos de pensão).

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No texto, os defensores do Opportunity ressaltam que Vidigal deixou o Judiciário e que concorre ao governo do Maranhão -pelo PSB, com apoio do PT.

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(…) Questionado se o Planalto pediu que não fizesse declarações contundentes sobre o caso Gamecorp, Dantas confirmou. Segundo ele, o recado chegou por meio de Yon Moreira, então diretor da Brasil Telecom. Ele não soube dizer quem foi o emissário do governo. A empresa Gamecorp tem entre os sócios um filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Foi o segundo capítulo de uma longa série de matérias que, nos anos seguintes, marcaria de forma indelével a parceria Dantas-Veja.

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