“From Beef on the Hoof To the Cruzado Crusade”: Reading Up on Tupi Biz Writers

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Em terra de cruzeiro, quem tem dólar é rei, o que não é vantagem nenhuma em regime presidencialista. (In the land of the cruzeiro, the man with dollars is king … which in a presidentialist regime does him absolutely no good.) —O Grande Livro dos Pensamentos de Casseta e Planeta (Paraguyan edition, publication date unknown)

The Observatório da Imprensa ran this teaser for and excerpt from the preface of my latest bit of nightstand reading in 2005.

Introdução de Construtores do Jornalismo Econômico – da cotação do boi ao congelamento de preços, de José Venâncio de Resende, 416 pp., Ícone Editora, São Paulo, 2005; R$ 55

“An introduction to the journalists who built economic journalism in Brazil — from beef on the hoof to the price freeze,” by a Mr. Rezende (not, I take it, that fellow with the lugubrious moustache from the JB whom you see on TV all the time.) Fifty-five Brazilian bucks was a ton of money even at the time. I was very lucky to get it at the sebo (second-hand bookshop) for R$15.

I am reading a chapter on a gentleman named Geraldo Banas who introduced U.S.-style business journalism in (some sort of) partnership with McGraw-Hill and others in the late 1950s and early 1960s. Very sensible guy, reminds me a bit of Myron Kandel, who used to edit business for CNN. First to use an unhealthy obsession with balance-sheet analysis to produce reality-based prognostications on markets and sectors. The original “spreadsheet head,” as they say here.

I am just trying to learn such basic things as why I should care what Celso Ming says, for example. (A: The guy has been around the block more than a few times and often knows whereof he speaks.)

I liked what Ming said the other day: Just because a given government does not necessarily do much to improve economic conditions, we should never underestimate the value of its refraining from actions absolutely guaranteed to fuck the economy up. (I’m paraphrasing. Mr. Ming is actually a genteel and well-spoken writer.)

A man, for example, claims the Iraq war will pay for itself. He is wrong, and is rewarded for his error with the presidency of the World Bank. Rewarding acts of betting the farm on failed prognostications is not a management best practice. Case in point.

Este texto tem o propósito de apresentar um balanço do jornalismo econômico entre a década de 1930 e o Plano Cruzado, nos anos 80, com base principalmente em depoimentos de cerca de 60 profissionais que viveram e testemunharam o processo de construção dessa área especializada do jornalismo.

This study offers an overview of Brazilian economic journalism from the 1930s to the Cruzado Plan in the 1980s, mainly based on interviews with 60 journalists who lived through and witnessed the process of building this journalistic specialty (in Brazil).

Até a metade dos anos 1960, o jornalismo político ofuscava as boas iniciativas de profissionais de imprensa preocupados com assuntos econômicos, na medida em que a própria economia não se firmara na opinião pública enquanto ciência autônoma. A hegemonia do jornalismo político refletia, assim, o embate entre forças partidárias e produtivas, marcado por acirrado conflito ideológico, notadamente com relação ao patrimônio.

Until the mid-1960s, political journalism overshadowed the good efforts of journalists preoccupied with economic matters, to the extent that the economy had not yet established itself in the public mind as a topic in its own right. The hegemony of political journalist reflected the clash between partisan political forces and the productive sector, which was marked by a heated ideological conflict, especially when it came to wealth.

Após as reformas econômicas e financeiras 1965-66, com a ascensão ao núcleo do poder central de uma elite técnico-burocrata formada agora por economistas e não mais por profissionais do direito (as faculdades de direito inseriam a economia nos seus campos de atuação), houve uma inversão de papéis. O jornalismo econômico atingiu a maioridade não apenas devido à modernização da economia e à censura ao noticiário político, como também por causa de novas necessidades e aspirações da classe média em ascensão, ávida por informações sobre opções de aplicações, investimentos e outros serviços, bem como de proteção contra o surto inflacionário que surgiu na esteira da decadência do “milagre”, trazendo de volta a realidade corrosiva do início dos anos 1960.

After the economic and financial reforms of 1965-66, with the rise of a technocratic elite composed of economists rather than lawyers (the law schools woud later insert economics into their curriculum), there was a reversal of roles. Economic journalism reached most Brazilians not only because the economy was being modernized while political journalism was being censored but also because of the needs and aspirations of a rising middle class that was eager for information on investment options and other services, as well as information on how to protect themselves against the inflation that emerged in the wake of the “economic miracle,” bringing Brazil back to the corrosive economic reality of the early 1960s.

O fim do militarismo trouxe um certo equilíbrio entre o econômico e o político, com a macroeconomia permeando as questões políticas e os negócios ganhando nova dinâmica, com impacto na cobertura da imprensa especializada.

The end of militarism brought a certain balance between the economic and the political, with macroeconomic issues permeating political debate and the business sector exhhibiting a new dynamic that made an impact on the coverage provided by the specialized press.

A primeira parte deste texto, denominada “Uma corrente heterodoxa”, aborda a construção do jornalismo econômico nos jornais do Grupo Folhas, cujos profissionais em geral tiveram formação acadêmica basicamente nas áreas de Direito, Ciências Sociais, Engenharia e Comunicação. A começar pelo advogado Mário Mazzei Guimarães, que na década de 30 começou a fazer um boletim econômico no Sindicato Rural de Barretos e na seqüência foi trabalhar na área econômica da Folha da Manhã. Este tipo de jornalismo forjou o surgimento de nomes como Aloysio Biondi, Roberto Müller Filho e Joelmir Beting, entre outros.

The first part of this book, called “A heterodox tendency,” deals with the construction of economic journalism at the newspapers of the Folhas group, most of whose professionals had an academic background in law, social science, engineering and communications. Starting with the attorney Mário Mazzei Guimarães, who in the 1930s started writing an economic bulletin for the Rural Syndicate of Barretos, then when to work on the economysection of the Folha da Manhã. This type of journalism paved the way for renowned journalists like Aloysio Biondi, Roberto Müller Filho and Joelmir Beting, among others.

Biondi I know a little about.

A segunda parte, chamada de “Uma corrente ortodoxa”, inicia-se com o ingresso no jornal O Estado de S.Paulo de Geraldo Banas, na década de 1940, e Robert Appy, no início da década de 50, os dois com sólida formação econômica adquirida na Europa. Também aborda o desenvolvimento do jornalismo econômico no Jornal da Tarde, com expoentes como Celso Ming, Marco Antonio Rocha e Luiz Nassif. Uma parte interessante foram as grandes brigas assumidas por Alberto Tamer, com o respaldo do jornal O Estado, em temas como nordeste, petróleo, Itaipu e Transamazônica.

The second, called “An orthodox tendency,” begins with the arrival at the Estado de S. Paulo of Geraldo Banas in the 1940s, and Robert Appy in the 1950s, both with solid economics training acquired in Europe. It also deals with the evolution of economic journalism at the Jornal da Tarde, championed by the like of Celso Ming, Marco Antonio Rocha and Luiz Nassif.

Ming and Nassif I know of. Rocha I have heard of, have probably read some of, and should pay more attention to.

An interesting section deals with the enormous quarrels taken on by Alberto Tamer, with the support of the Estadão, on topic such as the Northeast, oil, the Itaipu hydroelectric project, and the Transamazonian highway.

I just finished reading that. It is fascinating.

Before construction even started, the man rented a VW Beetle and drove the proposed route of the Transamazon. Which is an intrepid thing to do, to say the least. And concluded it was all going to wind up on the scrap heap of history. Which it more or less did.

Vivid descriptions of how the torrential rains followed along behind the engineering party, erasing all traces of the progress of each day the way you smash a mosquito with your thumb.

A terceira parte – “A escola de Geraldo Banas” – mostra a preocupação inicial de Assis Chateaubriand em reforçar a área de economia dos jornais dos Diários Associados, a começar pela contratação do alemão, naturalizado brasileiro, Geraldo Banas e de Benedito Ribeiro no início da década de 1950. Na mesma época, Banas criou uma editora, por meio da qual lançou a revista econômica Banas e os famosos Anuários, por setores, nas áreas industrial e financeira.

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“Precursores do jornalismo de negócios” é o título da quarta parte, que mostra a trajetória de nomes como Hideo Onaga e José Yamashiro na revista Visão, assim como a criação em 1967 do Quem é quem na economia (da Visão) por Aloysio Biondi, com análises setoriais e o ranking nacional das empresas”, bem antes de Melhores e Maiores (da Exame) e do Balanço Anual (da Gazeta Mercantil). Também relata a marcante passagem pelas revistas técnicas da Editora Abril de Marco Antonio Rocha e Matías Molina, no início dos anos 60s. Ressalta, ainda, a visão de Molina já nessa época da importância do jornalismo de negócios, o que o levou a criar a revista Exame inicialmente como um encarte das revistas técnicas. Relata a passagem por Veja e Exame de novos talentos como Celso Ming, Paulo Henrique Amorim, Guilherme Velloso e José Paulo Kupfer, bem como a fase meteórica da revista Mundo Econômico, da Cooperativa Agrícola de Cotia, e a criação do importante caderno Diretor Econômico, no jornal Correio da Manhã, pela dupla Novaes e Biondi.

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A quinta parte – “Um jornal de economia e negócios” – conta a trajetória da Gazeta Mercantil, adquirida em meados da década de 1930 pelo empresário e jornalista Herbert Levy. Em 1950, passou a ser impressa em máquinas planas (até então, era mimeografada) e ganhou o nome de Gazeta Mercantil Industrial Financeira e Econômica. Após a fase “romântica”, com nomes como Antonio Fernandes Neto, Mário Watanabe, Tide Hellmeister, Teodoro Meissner e Jaime Matos, veio a grande reforma, em 1973, inicialmente com Hideo Onaga, Klaus Kleber, Frederico Vasconcelos e Rocco Buonfiglio, entre outros. Ao assumir em 74, Roberto Müller Filho continuou e aprofundou a reforma do jornal, levando profissionais como Cláudio Lachini, Glauco Carvalho, Aloysio Biondi e Matías Molina.

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A sexta parte – “Jornalismo agrícola: do academicismo à profissionalização” – aborda o surgimento, em 1955, do Suplemento Agrícola do jornal O Estado de S.Paulo, cujo enfoque, mais agronômico, era dado por professores da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQ) e pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC). Em 1960, José Yamashiro iniciou a reformulação da revista de tecnologia Coopercotia, mesclando jornalistas experimentados e novos valores como Ivan Nakamae. Na mesma época, foi criada a revista de tecnologia Dirigente Rural do Grupo Visão. Para preencher um vácuo existente, em meados da mesma década, Mário Mazzei Guimarães comprou o jornal Correio Agro-Pecuário e o transformou em bandeira da defesa política da agricultura.

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No início dos anos 70, José Carlos Cafundó de Moraes começou a acompanhar agricultura e abastecimento em O Estado de S.Paulo, percebendo que havia uma relação direta entre as duas áreas. Na Folha de S.Paulo, Joelmir Beting revigorava a cobertura da agricultura, agregando a Folha Agrícola à economia. E as crises de abastecimento começavam a ganhar espaço nas páginas da economia. Em 83, o Estado lançava o novo Suplemento Agrícola, com mais espaço para economia, cujo projeto editorial foi encomendado a Cafundó de Moraes. E Octavio Frias chamava Borin para modernizar e ampliar a Folha Agrícola, abrindo o caminho para o surgimento do Agrofolha.

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A sétima parte – “Sotaque carioca” – apresenta nomes de jornalistas cariocas ou que viveram no Rio de Janeiro, mas que acabaram criando vínculos com a imprensa de São Paulo. São os casos de Noênio Spínola, que criou a grande editoria de Economia do Jornal do Brasil, com especialização por áreas; Paulo Henrique Amorim e José Paulo Kupfer, que deixaram o Rio para participar da dinamização da revista Exame; Suely Caldas que começou a cobrir comércio exterior na sucursal carioca da Gazeta Mercantil, e dos gaúchos Paulo Totti e Ismar Cardona, que se transferiram para o Rio, o primeiro assumindo a sucursal carioca da Gazeta Mercantil e o segundo criando a editoria de Economia de O Globo.

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A oitava parte, denominada “Jornalismo econômico na imprensa alternativa”, resgata o papel de profissionais como Raimundo Pereira, Bernardo Kucinski, Marcos Gomes e Aloysio Biondi em jornais como Movimento e Opinião, que combatiam o milagre econômico brasileiro durante o regime militar.

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Transição para a Democracia

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A nona parte (“Transição da ditadura militar para a democracia”), a mais longa, mostra a criação da Associação dos Jornalistas de Economia do Estado de São Paulo (AJOESP) em 1972, durante o “milagre econômico”, por um grupo de profissionais que incluíam nomes como Aloysio Biondi, Rolf Kuntz, Klaus Kleber, Gabriel Sales, Rocco Buonfiglio e Marco Antonio Rocha. A Ajoesp nasceu para valorizar o exercício do jornalismo econômico e promover o aperfeiçoamento profissional, por meio de cursos, estágios, viagens e palestras, entre outros objetivos.

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Também relata a inauguração da informação econômica diária no rádio e na televisão, nos anos 1970, com Joelmir Beting e Marco Antonio Rocha; a criação nos anos 1980 do programa Crítica & Autocrítica, da Gazeta Mercantil, na TV Bandeirantes, conduzido por Roberto Müller Filho; a indicação de Washington Novaes como o primeiro editor de economia do Jornal Nacional da TV Globo; e o projeto DCI, lançado por Aloysio Biondi, como alternativa à Gazeta Mercantil, para abrir espaço aos pequenos e médios empresários.

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Apresenta ainda o projeto de quinzenalização da revista Exame, comandado por Paulo Henrique Amorim, e a ascensão (e queda) de Pedro Cafardo à chefia da editoria de Economia da Folha de S.Paulo, época em que economistas como José Serra e Eduardo Suplicy começaram a trabalhar na redação. Detalha a primeira eleição de oito líderes empresariais, encabeçados por Cláudio Bardella, organizada pela Gazeta Mercantil para externar o pensamento do setor sobre o momento de transição política, bem como a criação do projeto Balanço Anual, que fazia análise do desempenho dos setores da economia.

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Revela como Luiz Nassif ingressou na economia na revista Veja, para acompanhar finanças; como Nassif começou a abordar, no Jornal da Tarde, temas de interesse do consumidor como Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), condomínio, aposentadoria, Banco Nacional da Habitação (BNH) e reflexo da política tarifária em contas como telefone; a criação de uma seção de serviços no JT, que, além do mercado de ações, passou a cobrir assuntos de interesse do cidadão; e como Nassif conseguiu emplacar o projeto do Jornal do Carro no JT, que no entanto perdeu o caderno de informática para a Folha de S.Paulo.

It recounts how Luiz Nassif came on board at Veja to cover finance; how he started covering topics of interest to consumers at the Jornal da Tarde such as pensions, condominiums, retirement, the national housing bank, and how government policy affected telephone bills; the creation of a service journalism section at the JT that in addition to the stock market started covering topics of interest to ordinary citizens; and how Nassif managed to get the auto section off the ground at the JT …

Estão incluídos nesta parte a reforma da Folha de S.Paulo, baseada no documento “A Folha: alguns passos são necessários dar”, de 1981, produzido por Boris Casoy e Odon Pereira a partir da contribuição de Cláudio Abramo, com o objetivo de fazer um jornalismo mais moderno e com uma imagem voltada para a crítica social que a classe média fazia à ditadura; os famosos encontros de quinta e sexta-feira em São Paulo do então ministro Delfim Netto com os jornalistas de economia, em conversas individuais, para discutir a recessão econômica decorrente da crise da dívida externa brasileira de 1982; e a introdução do jornalismo de serviços para donas-de-casa na rádio Jovem Pan por Alberto Tamer, por causa da recessão, depois inflação, estagflação e hiperinflação.

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Finalmente, apresenta a preparação de alternativa à política econômica de Delfim Netto, a partir da Secretaria da Fazenda do Governo Montoro, cujo titular João Sayad tinha como assessor de imprensa Carlos Alberto Sardenberg. O jornalista escrevia documentos para Sayad e reescrevia textos de outros economistas, passados por Sayad para circularem e serem discutidos, sobre combate à inflação, inércia inflacionária, indexação etc. Com a posse do presidente José Sarney e o fortalecimento de Sayad, então ministro do Planejamento, o assessor de comunicação Sardenberg continuou escrevendo documentos e preparando textos para discussão entre os economistas que assumiram o poder, como Pérsio Arida, Edmar Bacha e André Lara Resende.

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The flack in question is now a leading Globo pundit who issues vatic pronouncements on the order of “The stock market, unless it rises, might well fall. Be very afraid!” Sort of a Tupi Jim Kramer, though with a more genteel demeanor.

Relata a ida de Roberto Müller Filho para Brasília, como chefe de gabinete do novo ministro da Fazenda, Dílson Funaro, após licenciar-se da Gazeta Mercantil. Mostra como ele tratou duramente os seus colegas de jornal na fase anterior ao lançamento do Plano Cruzado. As maiores vítimas foram Celso Pinto e Cláudia Safatle, que acabaram “furados” por outros jornais.

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A decisão de lançar o Plano Cruzado de surpresa prejudicou bastante o trabalho de comunicação, na análise de Sardenberg. Mas havia um conflito entre a necessidade de manter o sigilo e a de planejar a divulgação. Resultado: não houve planejamento e a divulgação foi improvisada e tumultuada porque as decisões foram tomadas de afogadilho.

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Não poderia deixar de agradecer ao jornalista Rolf Kuntz cujo incentivo foi fundamental para a conclusão deste trabalho

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