“The Rio Police: Long Day’s Journey Into Night”

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Cabeça de Porco, e-Paraguayan camelô edition. Note: We own an official copy as well. Support your local independent New World Lusophone publishing house.

From Cabeça de Porco (Editora Objetiva, 2005), by Luiz Eduardo Soares, rapper MV Bill, and Celso Athayde. On the title:

Cabeça de porco: cortiço. Na linguagem jovem das favelas cariocas, é sinônimo de situação sem saída, confusão.

Pig’s head: A slum. In the slang used by young people in Rio shantytowns, it is synonymous with a dead-end situation, a mess.

The excerpt comes from a postscript titled “The Rio Police: Long Day’s Journey into Night.”

If the Golden Bear-winning film Tropa de Elite takes off in the U.S. this year, perhaps some U.S. niche publisher might consider commissioning a translation. (Doubtful. Study the statistics on how much foreign literature in translation gets published in gringoland every year. A drop in the bucket.)

I translate, as ever, draft-quality and in haste.

Passo a tratar, agora, da polícia real, de como ela efetivamente tem sido, não da polícia ideal, concebida nos projetos com que, justifícadamente, sonhamos – nós, os críticos, e os policiais, aqueles que têm consciência do potencial democrático e humanista de sua instituição.

Let me talk now about the real police, what the police have actually become, and not the ideal police, as conceived in the plans we justifiably dream of — we, the critics, as well as the police themselves, those who are aware of the democratic and humanistic potential of their institution.

No Rio, não faria sentido falar do tráfico sem dar grande atenção à polícia, porque traficantes e policiais formam um sistema, uma única rede. Infelizmente, o Rio não é exatamente exceção única, nesta matéria.

In Rio, it makes no sense to talk about the drug traffic without paying close attention to the police as well, because traffickers and police form a system, a single network. Sadly, Rio is not a unique exception in this regard. 

Exemplo: o chefe do tráfico de conhecida favela carioca recebe um telefonema. Seu auxiliar lhe traz o celular usado para contatos especiais – não é o mesmo número do qual liga para seus parceiros na penitenciária.Ele atende, emite algumas interjeições, um ou outro palavrão e saúda o interlocutor que está na outra ponta da linha. Era a polícia avisando que o morro estava prestes a ser invadido. Ato contínuo, determina providências: “Os homens vão subir em uma hora. Separem uns vinte fuzis, deixem no lugar de sempre e recolham o pessoal.” Uma hora depois, chega a polícia fazendo o barulho costumeiro: tiros, gritos, movimentos de guerra. O comando avançado identifica o paiol, invade o barraco e apreende o lote de armas. Missão cumprida.

Example: The boss of the traffic in a well-known Rio shantytown gets a phone call. His assistant brings him the cell phone use for special contacts — it is not the same number he uses to call his business partners who are in prison. He answers, utters a few obscenities and interjections, and greets the person on the other end of the line. The next order of business is to plan the steps to be taken: “The Man is coming up in an hour. Take twenty assault rifles, leave them in the usual place, and pull your people back.” An hour later, here come the police, as noisy as ever: Gunshots, shouts, tactical maneuvers. The advance party locates the  cache, busts into the shanty and seizes the weapons. Mission accomplished.

Nenhuma prisão, os policiais lamentam para a mídia na entrada da favela; mas não voltam de mãos abanando: um punhado de novos troféus enriquece o currículo da corporação, mostra eficiência e desmente os detratores da polícia. A imprensa exibirá com destaque foto da corbeille de fuzis, enaltecendo o esforço do governo do Estado e a ação policial.

No arrests, the police are sorry to have to report to the news media gathered at the entrance to the shantytown; but they have not returned empty-handed: they have a fistful of new trophies to pad the resumé of the police force, demonstrate efficiency and answer the critics. The press will give prominent play to the [fruit basket] of assault rifles and praise the efforts of the police and state government to the skies.

No dia seguinte, conforme combinado, os fuzis são devolvidos, mas, neste caso específico, a ganância plantou um boi na linha: os negociadores da polícia querem cobrar um ágio, uma espécie de taxa, um preço pelas armas. Curto e grosso: querem revendê-las, em vez de devolvê-las, como previa o acerto, segundo o qual cada patrulha recebia 2 mil reais por dia.

On the following day, as planned, the assault rifles are returned, but in this specific case, greed has [placed an ox on the tracks]: The police negotiators want to collect a premium, a kind of tax, set a price on the weapons. To put it bluntly: They want to resell them instead of returning them as defined in the previous agreement, under which each patrol car would get R$2,000 per day.

São rompimentos do pacto como este que provocam confrontos. O mais irônico – tristemente irônico – é que alguns dos negociadores policiais, mais dia, menos dia, serão mortos pelas armas que venderam aos traficantes.

 Deals gone bad like this are what lead to violent confrontations. The most ironic part of it — sadly ironic — is that some of the police negotiators, sooner or later, will wind up getting killed by the weapons they sell the drug traffickers.

Nota importante: a população local sabe disso. Compreende-se, portanto, a revolta que sentem quando esta mesma polícia os trata com brutalidade, em nome do “cumprimento do dever”. Lá na comunidade, o rei está nu. O discurso oficial desvenda-se como crua hipocrisia, do início ao fim. Que credibilidade as instituições públicas podem reivindicar, neste contexto? Imagina-se a sensação de impotência da comunidade e deduz-se, com naturalidade, sua tendência a pender para o lado dos mais sinceros, na ostentação da própria desonestidade.

An important note: The local population knows this, which makes it possible to understand their revulsion when the same police treats them with brutality in the name of “doing their duty.” In the community, the emperor has no clothes. The official line is revealed as crude hypocrisy from start to finish. What credibility can the public institutions claim for themselves in this situation? One imagines the community’s sense of powerlessness and concludes that it is only naturally for the community to gravitate toward the side that is more sincere, more straightforward about its own dishonesty.

Ante a proposta indecorosa dos policiais, os traficantes reclamavam como se fossem honrados defensores dos direitos do consumidor: “Isso é uma sacanagem. Não é justo. Será que ninguém tem vergonha na cara?”

Faced with this indecent proposal from the police, the drug traffickers complain as if they were honorable defenders of the rights of the consumer: “This is fucking sleazy. It’s not right. These people oughta be ashamed of themselves.”

Mais um pouco, ameaçariam entrar com ação judicial. Os paradoxos proliferam. De novo, tom Jobim vem ao caso: “O Brasil não é para principiantes.”

Next thing, they will be threatening to take the cops to court. Paradoxes proliferate. Once again, that saying of Tom Jobim’s applies: “Brazil is not for beginners.”

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