“Veja Redefines the Boundaries Between Fact and Fiction” (and Attributes the Harry Potter Series to J.K. Howlling)

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Os mais vendidos: Brazlian business journalist Luis Nassif continues his critique of the Editora Abril’s Veja magazine.

Nassif believes the magazine’s credibility has been crippled by a year-round carnival of undisclosed conflicts of interest. He reports that the publishing group — which controls 100% of the print distribution in São Paulo now — has SLAPPed him silly with lawsuits over the series.

The latest chapter puns with the phrase “best-sellers” and the notion of “biggest sell-outs.”

Ao longo dos últimos anos, duas vertentes determinaram o aprofundamento da deformação editorial da revista Veja. No comando, Eurípedes Alcântara e suas coberturas estranhas; nas entranhas, Mário Sabino, incumbindo de coordenar a brigada dos “assassinos de reputação”.

Over the years, two factors have played a decisive role in deepening the editorial distortions at Veja: (1) steering the ship, Euripedes Alcântara and his bizarre coverage; and (2) down in the engine room, Mário Sabino, in charge of coordinating the magazine’s “character assassination” brigade.

Eurípedes é o homem dos altos contatos, altamente agressivo, porém sabendo disfarçar. Seus braços na revista são Lauro Jardim e Diogo Mainardi.

Alcântara is the man with the high-level contacts, highly aggressive but able to disguise the fact. His [muscle] inside the magazine are Lauro Jardim and Diogo Mainardi.

Já Sabino é o truculento, uma espécie de cão de guarda feroz, sem escrúpulos nos ataques a terceiros, praticando cotidianamente o ritual da maldade, com uma agressividade quase pornográfica que se propaga por seus três alter egos: Sérgio Martins, Jerônimo Teixeira e Reinaldo Azevedo.

Sabino is a truculent fellow, a kind of junkyard dog who has no scruples about attacking others, celebrating the [black mass] of malice on a daily basis, an almost pornographically aggressive figure who propagates his agression through his three alter egos: Sérgio Martins, Jerônimo Teixeira and Reinaldo Azevedo.

On Azevedo, who is given to bouts of bizarre, hysterical shrieking cribbed from Gnostic religious pamphleteering, see also

Guarde por ora essas informações e nomes, enquanto tentamos entender melhor o desastre que foi o fenômeno Sabino para a Veja.

Bear this in mind while we try to understand better the disaster that the Sabino phenomenon has represented for Veja.

O caráter jornalístico

What makes journalism journalism?

Há duas características do jornalismo que ajudam a legitimá-lo. Primeiro, investir contra qualquer ameaça de super-poder. Quando quer fuzilar algum personagem público, um dos expedientes mais utilizados pela mídia é superestimar o poder do alvo. Nas sociedades democráticas, a criação do super-poder (ou do mito) é suficiente para mobilizar a opinião pública contra ele.

Journalism has two qualities that help to legitimate it. First, that it takes a stand against any threat of excessive power. When they want to put some public figure in front of a firing squad, one of the gambits most frequently used by the media is to exaggerate the power commanded by their target. In democratic societies, the creation of an excessively powerful figure (or the myth of excessive power) is enough to mobilize public opinion against him.

See also

Uma derivada do princípio anterior, é a denúncia de qualquer forma de utilização indevida dos poderes conferidos. É por isso que denúncias sobre pequenas mordomias ecoam quase tanto quanto aquelas sobre grandes escândalos.

A corollary to the foregoing is to denounce any abuse of the powers conferred. This is why charges against small influence-peddling schemes echo as loudly as the great scandals do.

Obviamente, quem denuncia não pode incorrer nesses vícios.

Obviously, if you are going to denounce these vices, you cannot practice them yourself.

No entanto, esses dois princípios fundamentais foram atropelados de forma impiedosa por Sabino, como se verá a seguir

These two fundamental principals have been trampled mercilessly by Sabino, as we shall soon see.

O Mais Vendido

“Best Sellers”

A seção “Mais Vendidos” é uma instituição da Veja. Criada nos anos 70, se tornou o principal referencial de vendas de livros no país. Aparecendo na lista, aumentam as encomendas do livro, e as livrarias passam a colocá-lo em lugar de destaque em vitrines e estantes. Há um ganho efetivo – intelectual e financeiro – em aparecer na relação.

The “Best Seller” section is an institution at Veja. Created in the 1970s, it became a principal source for book sales in Brazil.

Like the NYT list before it.

Appearing on this list leads to increased orders for the book, and bookstores display these titles with more prominence in their windows and on their shelves. There is an economic and intellectual advantage to appearing on this list.

Um dos textos mais agressivos de Veja foi o comentário “O mais vendido”, referindo-se ao jornalista Leonardo Attuch. Veja ainda estava na fase dos ataques a Dantas – que precedeu o grande pacto.

One of Veja‘s most vicious articles was the commentary [“the most sold/the biggest sell-out”], in reference to journalist Leonardo Attuch. Veja was still in its phase of attacking Dantas, before it made a deal with the banker.

Attuch escreveu o livro “A CPI que abalou o Brasil”. O livro entrou para a lista dos mais vendidos. Depois, descobriu-se que a Editora Siciliano, que lançara o livro, havia inflado os dados de venda incluindo livros em consignação.

Attuch wrote the book The CPI That Shook Brazil, which got onto the best-seller list. It was later discovered that its publisher, Siciliano, had inflated the sales numbers by including books shipped on consignment.

A resposta de Veja, ao estilo Sabino (embora internamente se atribua o texto a Eurípedes) foi de uma virulência desproporcional (clique aqui para ler a íntegra):

Veja’s response, in classic Sabino style (although inside Abril they attribute the article to Alcântara) was of a disproportionate virulence [link to text].

I believe Nassif discussed this case earlier.

Let’s skip the recap and cut to the chase.


Fiction reclassified as nonfiction, the re-reclassified as fiction again: Ecce Veja. It does not seem to really care about the difference.

Continuemos com os “Mais Vendidos”.

Let’s continue with the “best-sellers” column.

No dia 10 de março de 2004, o romance de estréia de Mário Sabino – “O Dia em que Matei Meu Pai”- foi resenhado na Veja (clique aqui). A resenha foi de responsabilidade do jornalista Carlos Graieb, repórter da revista e subordinado a Sabino. Era algo impensável, vetado por qualquer código de ética escrito ou tácito, que um subordinado fosse incumbido de resenhar um livro do chefe.

On March 10, 2004, Mário Sabino’s debut novel, The Day I Killed My Father, was reviewed in Veja magazine. The review was by Carlos Graieb, an employee of the magazine who reported to Sabino. It was something unthinkable, prohibited by every ethical code, formal and informal, that a subordinate would be assigned to review his boss’s book.

Os elogios eram derramados:

An outpouring of praise:

“Dois tipos de sedução aguardam o leitor de O Dia em que Matei Meu Pai (Record; 221 páginas; 25,90 reais). Primeiro, a sedução do bom texto literário, à qual ele pode se entregar sem medo. O romance de estréia do jornalista Mario Sabino, editor executivo de VEJA, é daqueles que se devoram rápido, de preferência de uma vez só, porque a história é envolvente e a linguagem, cristalina. Sabino possui atributos fundamentais para um ficcionista, como o poder de criar imagens precisas: em seu texto, ao ser atingido pelas costas um personagem não apenas se curva antes de desabar; ele se curva como se fosse “para amarrar os sapatos””.

“Two types of seduction await the reader of The Day I Killed My Father (Record, 221 pp., R$25.90). First, the seduction of a good literary text, to which the reader can surrender without fear. The debut novel by journalist Mario Sabino, executive editor of VEJA, is one of those you devour quickly, preferably in one sitting, because the plot is intriguing and the language is crystalline. Sabino has all the requisites for a fiction-writer, with the power to create precise images: In his story, after being struck from behind, a character does not merely bend over before falling; he bends over “as if to tie his shoes.”

Why does this master of the terse simile not have a Nobel Prize yet?

A resenha destaca a passagem mais marcante do livro, um diálogo do personagem com o psicanalista, à altura de uma cena hamletiana:

The review focuses on the book’s most notable passage, a conversation between the protagonist and his psychoanalyst, a sort of Hamlet-like scene:

“A certa altura, ele grita para sua analista: “Não quero saber de interpretações. Faça-as longe de mim, e sem a minha colaboração. De que elas servem, meu Deus? Você, aqui, não passa de coadjuvante, está entendendo? Por isso, não tente ser protagonista por meio de suas interpretações””.

“At a certain point, he screams at his analyst: ‘I don’t even want to hear about intepretations. Keep your interpretations away from me, and don’t expect me to collaborate with them. What are they good for, my God? You, here, you are nothing but an extra, you get me? So don’t try to steal the scene with your interpretations.'”

Escrita a resenha, foi encaminhada ao editor responsável pela liberação: o próprio Sabino. Ele conferiu o título, aprovou a foto em que aparece com o ar circunspecto dos grandes autores atormentados, e mandou para a gráfica.

Once the review was written, it was sent to the editor responsible for deciding whether to run it: Sabino himself. He gave it a headline, approved the photo in which he is shown with that circumspect air of famous, tormented authors, and sent it to production.

No dia 31 de março de 2004, três semanas após o panegírico, a relação dos livros mais vendidos na categoria “Ficção” era a seguinte:

On March 31, 2004, three weeks after [this act of autohagiography by proxy], the best-seller list for fiction was as follows:

1. Perdas e Ganhos, de Lya Luft
2. Pensar é transigir, de Lya Luft
3. Budapeste, de Chico Buarque
4. As Filhas da Princesa, de Jean Sasson
5. Quinze Minutos, de Paulo Coelho
6. O Beijo da Morte, de Carlos Heitor Cony e Anna Lee
7. Harry Potter e a Ordem do Fênix, de J.K. Howlling [sic!]
8. O Rei das Fraudes, de John Grisban [sic; I believe that would be Grisham]
9. Sobre meninos e lobos, de Dennis Lehane
10. Paixões Obscuras, de Nora Robers [sic]

O livro de Sabino não aparecia.

Sabino’s book did not appear.

Na edição seguinte, de 7 de abril de 2004, a seção dos “Mais Vendidos” anunciava uma mudança nos critérios de classificação dos livros.

In the following edition, on April 7, 2004, the “Best-Sellers” section announced a change in the classification scheme for books.

“Da categoria de ficção farão parte apenas romances e coletâneas de contos. Da categoria de não-ficção constarão ensaios e biografias, mas também livros de crônicas, cuja referência principal se encontra no noticiário e no registro de uma realidade mais imediata” Isso acontecerá ainda que o cronista lance mão de recursos ficcionais”

“Only novels and short-story collections will be included in the fiction list. The non-fiction category will include essays and biographies as well as books of [columns] whose principal focus is on the news and on recording a more immediate reality. This will also be the case when the columnist uses fictional techniques.”

Não fazia sentido. Há um padrão consagrado nas listas e nas premiações e de mais vendidos, de considerar crônicas como Ficção. Segundo o leitor Saulo Maciel, que percebeu essa manobra:

It made no sense. There is an established standard for lists, prizes and best-seller statistics, in which [crónicas] are considered to be fiction. According to reader Saulo Maciel, who noticed this maneuver:

“Um livro de Luis Fernando Verissimo – 100% ficcional –, depois de dois anos na categoria Ficção, passava a ser considerado Não-Ficção, embora o próprio sítio internet de sua editora, a Objetiva, o incluísse na página Ficção. (Recentemente os livros de Verissimo voltaram a figurar, sem explicação aparente, na categoria Ficção). A revista também não explicava por que quatro livrarias haviam sido excluídas da lista de estabelecimentos consultados. (Basta conferir com a edição anterior)”

“A book by Verissimo — 100% fictional — after spending two years on the fiction list, came to be classified as nonfiction, even though its publisher, Objectivo, lists it under fiction in its online catalog. (Recently, the author’s books have once again been classified as fiction, without any apparent explaation). The magazine also did not explain why four bookstores were removed from the list of establishments consulted. (You need only lookat the previous edition.)”

Quatro livros da categoria “Ficção” foram transferidos para a “Não Ficção”: os dois da campeã Lya Luft, “As Filhas da Princesa”, e um de Luiz Fernando Veríssimo.

Four books from the fiction category were transferred to nonfiction: The two by sales champ Lya Luft, the book by Jean Sasson, and one by Veríssimo.

Essas mudanças permitiram ao livro de Sabino entrar em 10o lugar na lista, na categoria “Ficção” (clique aqui).

These changes allowed Sabino’s book to enter the list in 10th place, in the fiction category [link].

Geralmente o livro entra na relação dos mais vendidos na semana do lançamento, ainda mais após a exposição recebida de Veja. O de Sabino entrava na terceira semana, à custa de mudança de critérios e da exclusão de livrarias pesquisadas.

Generally, a book enters the best-seller list during the week it is published, especially after Veja gives it exposure . Sabino’s made the list in its third week, but only after criteria for the list were changed and some bookstores were excluded from the collection of sales information.

Mesmo com as alterações nos critérios, o livro não resistiu e sumiu da lista na semana seguinte. Depois, sem muito alarde, voltaram os critérios originais dos “Mais Vendidos”.

Even with this change in the criteria, the book could not hang in there, and disappeared from the list the following week. Then, without further to-do, the original selection criteria for the “Best-Seller” list were restored.

Pouco tempo depois, Graieb foi promovido.

Not long after, Graieb was promoted.

As mordomias do cargo

The perquisites of the job

Não ficou apenas nisso. Valendo-se do prestígio conferido pelo cargo, Sabino estabeleceu contatos pessoais para “emplacar” o livro. Marcou almoço com Otávio Frias Filho, da “Folha”. Em 1986, Sabino havia sido demitido do jornal por ser considerado muito parcial na edição da página de livros da Ilustrada: defendia seus amigos e atacava os inimigos. Atacou, por exemplo, o escritor Marcos Rey, chamando-o de “sapo”. Como se ele, Sabino, tivesse a fina estampa de um príncipe.

And that was not all. Taking advantage of the prestige afforded by his job, Sabino made personal contacts in a bid to [“place”] the book. He scheduled a lunch with Otávio Frías Filho of the Folha de S. Paulo. In 1986, Sabino had been fired from the paper because he was considered very slanted in his editing of the books page in the illustrated magazine: He defended his friends and attacked his enemies. He attacked writer Marcos Rey,for example, calling him a “toad.” As if Sabino had the bearing of a prince.

No dia 10 de dezembro de 2003, Sabino fez questão de assinar resenha consagradora do livro lançado por Otávio. Logo após o almoço, Sabino obteve uma resenha elogiosa da “Folha”.

On December 10, 2003, Sabino pointedly wrote a glowing review, under his own byline, of a book by Otávio. Not long after their lunch, Sabino got a positive review of his book in the Folha.

Na “Época” recorreu a seu então amigo Luiz Antonio Giron – que, depois, seria alvo de uma tentativa de “assassinato de reputação” no caso dos IPods de Maria Rita -, ganhando mais uma resenha elogiosa.

At Época magazine, he went to see his then-friend Luiz Antonio Giron — later the target of a “character assassination” campaign in the case of Maria Rita’s iPods — and got another glowing review.

Supposedly “bribed” journalists by handing out free iPods at a promotional event for a new record.

On Abril’s world-class governance standards regarding payola to staff, see

Standard allowed value of gifts to journalists at most global news organizations: $0.

At Abril: R$100.

O uso do cargo em proveito próprio não ficou só nisso.

But that was not the only use he made of his position [for personal self-promotion.]

O caso Record

The Record Affair

De 2003 a 2007, Mário Sabino foi namorado da diretora editorial da Record, Luciana Villas-Boas. Houve troca de favores, na época, que provocou ressentimento tanto nas editoras concorrentes como das seções de lançamento de livros de outras publicações.

From 2003 to 2007, Mário Sabino was the boyfriend of Record’s editorial director, Luciana Villas-Boas. There was an exchange of favors at the time that provoked resentment at both of the competing publishing hosues as well as in the book pages of other publications.

Entusiasmada com o talento nascente do namorado, durante a Bienal do Livro em São Paulo de 2004 Luciana mandou espalhar outdoors por toda a cidade, vendendo Sabino como a grande descoberta do novo romance brasileiro.

Thrilled by the emerging literary talent of her boyfriend, during the São Paulo Biennial of the Book in 2004, Luciana had billboards set up all over town to sell Sabino as the great discovery of the new Brazilian novel.

Mesmo assim, tirando resenhas de amigos e subalternos, a repercussão foi quase nula.

Even so, and even with positive reviews from buddies and subordinates, the book went nearly nowhere.

Mas, a partir dessa relação, a seção de Livros de Veja passou a dar um tratamento diferenciado para a Record – e a Record a dar com exclusividade, para Veja, o anúncio de seus lançamentos mais relevantes. Se a Abril quiser aprofundar, bastará consultar as editoras concorrentes.

Still, based on this relationship, the books section in Veja started giving Record preferential treatment — and Record starting providing Veja with exclusives on its most important launches. If Abril wants to look further into the matter, all it needs to do is ask competing publishers.

A Record se indispôs com todos os demais veículos, ao privilegiar Veja no lançamento de alguns títulos – caso de “Memórias de Minhas Putas Tristes”, de Gabriel Garcia Márquez, que saiu com chamada na capa de Veja, e livros de Lya Luft, com várias exclusividades para a revista. E Veja se indispôs com outras editoras, pelo favorecimento explícito à Record.

Record fell out with all the other publications when it gave Vjea the exclusive on certain titles — such as Garcia Márquez “Memoirs of My Sad Whores,” the subject of a Veja cover story, and the books of Lya Luft, with various exclusive articles given to the magazine. And Veja fell out with other publishers because of its explicit favoritism toward Record.

Sabino ia conseguindo pavimentar seu prestígio pessoal, à custa desse duplo desgaste.

Sabino was succeeding at building his personal prestigate at the cost of this double [burning of the bridges.]

A situação tornou-se tão escandalosa, que várias chefes de revistas concorrentes foram tomar satisfações com Luciana.

The situation got so scandalous that various magazine editors complained to Luciana.

Mesmo assim, seguiu-se um jogo de troca de favores poucas vezes visto no jornalismo cultural brasileiro. Sabino assinava uma resenha positiva sobre Miguel Sanchez Neto. Grato, Miguel incluía um conto de Sabino na coletânea “Contos para Ler”. O volume era publicado por Luciana Villas-Boas, que conseguia nota bajulatória em Veja.

Even so, an exchange of favors the likes of which has seldo been seen in Brazilian cultural journalism continued. Sabino wrote a positive review of Miguel Sanchez Neto. A grateful Miguel included a story by Sabino in the collection “Short Stories To Be Read.” The volume was put out by Luciana, who managed to get a glowing review for it in Veja.

Mas não se ficou nisso.

But that was not all.

Como conta um jornalista do setor, o esquema de divulgação da editora Record segue uma velocidade de McDonald’s. Ela lança um livro por dia, e não dá atenção aos autores por muito tempo. Mas Sabino mereceu tratamento vip: além dos outodoors, seus livros passaram a ser oferecidos no Exterior, graças ao empenho pessoal de Luciana e à enorme enorme influência da Record, maior editora brasileira.

As a journalist working the area recounts, Record’s publishing business resembles McDonald’s. It launches one new title a day, and does not give long-term exposure to its authors. But Sabino got VIP treatment: Besides the billboards, his books were published abroad, thanks to a personal effort by Luciana and the enormous influence of Record, Brazil’s largest publishing house.

O segundo livro de Sabino, “O Antinarciso” foi resenhado pelo escritor e médico gaúcho Moacir Scliar.

Sabino’s second novel, “The Anti-Narcissus,” was reviewed by Southern writer and physician Moacyr Scliar.

I am very fond of Scliar as a writer. If you publish anything new by the guy, you can just assume I want a copy and send it straight to my house.

Na edição de 11 de maio de 2005, o romance “Na Noite do Ventre, o Diamante”, de Scliar, mereceu resenha elogiosa de Jerônimo Teixeira (clique aqui), subordinado de Sabino.

In the May 11, 2005 edition of Veja, Scliar’s [“In the Night of the Belly, A Diamond”] got a glowing review from Sabino’s subordinate, Jerônimo Teixeira.

That is a really, really great book, I thought, by the way.

I was just planning to re-read it.

Duas edições depois, em 25 de maio de 2005, Scliar resenhou o livro de contos de Sabino (clique aqui). Não havia nenhuma possibilidade de uma resenha negativa.

Two editions later, on May 25, 2005, Scliar reviewed Sabino’s book of short stories. There was no possibility of a negative review.

No fecho da resenha, Scliar chamava a atenção para o título “O Antinarciso”, que não sai de nenhum dos contos:

In the close of his review, Scliar called attention to the title, “The Anti-Narcissus,” which is not included in any of the stories:

“A esse narcisismo cego, que barra as possibilidades afetivas dos personagens, é que se contrapõe o olhar atento do autor antinarciso. E também se opõe à tentação que assalta muitos escritores contemporâneos – de girar em torno ao próprio umbigo, de fazer do pronome “eu” a palavra mais importante da literatura. Os contos de Mario Sabino mostram que a subjetividade só tem sentido quando está a serviço do entendimento, quando funciona como um sensível sismógrafo capaz de captar as vibrações da alma”.

“To this blind narcissism, which blocks off the emotional capacity of persons, the attentive gaze of this anti-Narcissus is opposed. And it is also opposed to the temptation that assails many contemporary writers — of navel-gazing, of making the first-person pronoun the most important word in literature. The stories of Mario Sabino show that subjectivity only makes sense in the service of understanding, when it functions as a sensitive seismograph capable of registering the vibrations of the soul.”

O antinarciso

The Anti-Narcissus

O levantamento das mudanças na lista dos “Mais Vendidos” foi publicado por Saulo Maciel em 2005, no Observatório da Imprensa. Passou despercebido.

Saulo Maciel wrote about the changes in Veja‘s bestseller list in 2005, in the Observatório da Imprensa. The article went unnoticed.

Semanas atrás, quando republiquei seu artigo no meu Blog, Sabino decidiu se valer de Reinaldo Azevedo – blogueiro do portal da Veja, contratado e comandado por ele.

Weeks later, when I republished that article on my Blog, Sabino decided to make use Reinaldo Azevedo — a blogger on the Veja portal, hired and supervised by him.

Subordinado a Sabino, Azevedo resolveu “espontaneamente” solicitar-lhe um artigo, para que pudesse falar de seu próprio valor literário.

A subordinate of Sabino’s, Azevedo “spontaenously” decided to commission an article from his boss so that the latter could discuss his own literary merit.

O “pedido” de Azevedo é um marco do jornalismo bajulatório; a resposta de Sabino um marco do jornalismo auto-laudatório. Juntando as duas partes, se terá o quadro mais expressivo, até agora, das deformações que passaram a fazer parte do ambiente interno da revista, refletindo-se inevitavelmente em seu conteúdo.

Azevedo’s “request” is a principal characteristic of [brown-nosing] journalism: Sabino’s response, the epitome of self-congratulatory journalism. Put the two together and you get the most dramatic expression to date of the distortions that have become deeply embedded in the magazine’s culture and are necessarily reflected in its content:

De Reinaldo Azevedo:

Azevedo writes:

“Vejam só: sou um pouco mais briguento do que algumas pessoas com as quais convivo. Por mais que certos ataques sejam de impressionante vileza, de uma estupidez ímpar, acabam ganhando a rede e são usados como instrumento de luta pela Al Qaeda eletrônica. E precisam ter uma resposta. Uma resposta dada às pessoas de bem, não aos terroristas. Mario Sabino, redator-chefe da VEJA, tem sido alvo de uma impressionante baixaria. Por isso, eu o convidei a escrever um texto para o blog. E pedi: “Gostaria que fosse um testemunho, na primeira pessoa mesmo”. Acabamos combinando que ele me mandaria um e-mail, que eu publicaria se achasse conveniente.

“Look here: I am a little more combative than some of the people I hang around with. And to the degree that some of my attacks are [jaw-droppingly] vile and peerlessly stupid, they wind up on the Internet being used as weapons of war by the electronic al-Qaeda.

Azevedo is jaw-dropping vile, I find. On this we apparently agree.

And these require a response. A response to good people, not to terrorists. Mario Sabino, editor in chief of VEJA, has been the target of an impressive smear campaign. For that reason, I invited him to write a post for this blog. I asked him: “I would like for you to bear witness, in the first person.” We wound up agreeing that he would send me an e-mail, which I would publish if I thought it suitable.

Trata-se de um jornalista brilhante — nem quem eventualmente o detesta lhe nega isso — e de um escritor formidável, além de bem-sucedido. Certos círculos têm horror à competência”.

This is a brilliant journalist — not even those who might detest him deny this — and formidable writer, as well as a successful one. Certain circles have a horror of competence.”

Estava falando do próprio chefe. Mas como um bom seguro não faz mal a ninguém, do nada Azevedo estendia seus elogios ao diretor de redação da “Folha”, Otávio Frias Filho:

He was talking about his own boss[, Nassif continues.] But as a good insurance policy never does any harm, out of nowhere Azevedo extended his praise to the publisher of the Folha, Otávio Frías Filho:

“Em 2003, resenhei, por exemplo, ainda na revista Primeira Leitura, o excelente livro Queda Livre, de Otavio Frias Filho. Gostei tanto da resenha, que a publiquei em Contra O Consenso, uma antologia de artigos meus. Aponto ali que os livros de Otavio costumam ter uma recepção fria da crítica por ele “ser quem é, não por escrever como escreve”. Explico-me: ofende certa mentalidade escrava o fato de o diretor de redação (e dono) da Folha ser também um dos melhores textos do país.

“In 2003, for example, I reviewed the excellent book Free Fall by Frias for Primeira Leitura magazine.

Now defunct, PL.

I liked the review so much that I published it in an anthology of my articles titled Against Consensus. I pointed out there that Otávio’s books tend to get a chilly critical reception “because he is who he is, not because he writes what he writes.” I explain: The fact that the publisher (and owner) of the Folha is also one of the best writers in Brazil bothers a certain slave mentality.

Ah, não. Não estava procurando emprego. Se estivesse, acho que Otavio não me contrataria se o preço fosse uma resenha favorável (…) Um petralha vagabundo (pleonasmo) enviou-me um comentário: “Aí, hein?, puxou o saco do Otavio no seu livro, mas ele acham você um lixo, ka, ka, ka” (esse “ka, ka, ka” é como estranhamente representa graficamente o que suponho ser sua risada).

And no, I was not angling for a job. If I had been, I think Otávio would not have hired me if the price was a favorable review. …

The contrary-to-fact condition is the first refuge of a not particularly bright scoundrel.

Some [bum …] sent a comment: “Oh, yeah? You suck up to Otávio in your book, but he thinks you suck, ha ha ha (this ha ha ha … apparently represents laughter.)

Vou fazer o quê? Descobrir defeitos no texto de Otavio porque um articulista seu decide me atacar de modo boçal, rasteiro? Arrepender-me? Ah, não! Esse não sou eu. O mundo em que vivo é feito de outras qualidades. Que eu saiba, Otavio prepara um novo livro, que aguardo com muito boa expectativa.”

What am I going to do? [Azevedo writes.] Discover defects in the man’s book because some writer decides to attack me in a sleazy manner? Repent? Oh, no, not me! The world I live in is made of other qualities. As far as I know, Otávio is preparing a new book, which I await with great expectancy.

Tudo isso no site da Veja, como parte do seu conteúdo editorial.

All of this on Veja, as part of its editorial content.

Sobre esses círculos de adulação, capaz de chocar qualquer pessoa com um mínimo de caráter, escreverei em outro capítulo.

On these circles of mutual adulation, shocking to anyone with a minimum of charter, I will write in another chapter.

I have noticed this in many cases as well: When criticized for its journalistic deficiencies, Veja launches into a barrage of self-praise and finger-wagging moralism. Such was the case during its bate-boca with Jon Lee Anderson, for example:

I tend to think of this as “the commedia dell’arte of journalistic due diligence.” You spend all the energy you could be spending actually finding things ought on praising yourself as a superior professional.

Interessa, neste momento, a resposta de Sabino, o autor de “O antinarciso”, o escritor que, segundo Scliar, se opunha “à tentação que assalta muitos escritores contemporâneos – de girar em torno ao próprio umbigo, de fazer do pronome “eu” a palavra mais importante da literatura”.

What is of interest at this point is the response from Sabino, author of The Anti-Narcissus,” the writer whom, according to Scliar, has opposed himself to “the tempation that assails so many contemporary writers — to engage in navel-gazing, to make the first-person pronoun the most important word in literature.”

“Reinaldo, caro,

My dear Reinaldo [Sabino wrote],

Com o risco de parecer cabotino, o fato é que sou um autor bem-sucedido. Tenho dois livros publicados, o romance O Dia Em Que Matei Meu Pai, de 2004, e um de contos, O Antinarciso, de 2005. Antes de lançar o romance, mostrei-o a Raduan Nassar, que deu duas sugestões — acatadas — e me fez elogios. Disse que eu era um narrador “brilhante”, adjetivo do qual, vindo de quem veio, muito me orgulho. Poucas pessoas têm conhecimento disso. Só o revelo agora por causa dos insultos que ando recebendo. O livro vendeu, no Brasil, cerca de 4 500 exemplares, uma marca, como você sabe, acima da média nacional. Não precisei mendigar críticas positivas, ao contrário do que espalham os inimigos de VEJA. Ele foi elogiado na Folha, no Estado, no Globo, na Bravo! e outras publicações especializadas, como o jornal Rascunho, de Curitiba. Até a revista Época, concorrente de VEJA, brindou-me com uma resenha elogiosa, escrita por Luís Antonio Giron”

At the risk of seeming a hypocrite, the fact is that I am a successful author[, Sabino writes]. I have two books published, the novel The Day I Killed My Father (2004) and a collection of short stories, The Anti-Narcissus (2005). Before publishing the novel, I showed it to Radwan Nasser, who made two suggestions — which I followed — and gave me praises. He said I was a “brilliant” narrator, an adjective that I am very proud of, considering the source. Few people know this. I only reveal it because of the insults I have been receiving. The book sold nearly 4,500 copies in Brazil, above the national average.

Sadly, that level of sales does make a book a minor best-seller in Brazil. Books are unbelievably expensive and the publishing industry suffers from an oligopoly effect.

I have no need to go begging for positive reviews, unlike what the enemies of VEJA are going around saying, [Sabino continues in reply to Azevedo]. The book was praised in the Folha, the Estado, O Globo, Bravo! and other specialty publications, such as Rascunho [“rough draft”] in Curitiba. Even Época magazine, a competitor of VEJA, favored me with a positive review, written by Luís Antonio Giron.

Até hoje Giron lamenta seu momento de fraqueza, de ter cedido aos apelos de um falso amigo. Sobre o fato do livro ter sido resenhado por um subordinado que, na seqüência, foi promovido, a explicação de Sabino era de um simplismo atroz:

Giron [Nassif goes on] regrets his moment of weakness to this day, regrets having given in to the appeals of a false friend. On the fact that his book was favorably reviewed by a subordinate who was subsequently promoted, Sabino’s explanation is simply atrocious:

“O livro recebeu uma bela resenha em VEJA, escrita por Carlos Graieb, um profissional honrado, tradutor de Emerson e ex-editor de Opinião do Estadão. O livro foi passado a Graieb pelo diretor de redação, Euripedes Alcântara. O que sei é que Carlos Graieb leu e gostou. Ele foi promovido depois? Foi, mas não por causa da resenha positiva, como afirmou um detrator da revista. A promoção já estava acertada muito antes de eu publicar o meu livro. Seu desempenho extraordinário como editor de Artes e Espetáculos justificou a ascensão. VEJA chegou ao posto de quarta revista semanal do mundo porque, em sua redação, vigora a meritocracia, não o compadrio”.

“The book got a very nice review in VEJA written by Carlos Graieb, an honorable professional, translator of Emerson and former opinion editor at the Estado de S. Paulo[, Sabino continued.] The book was assigned to Graieb by editor in chief Alcântara. From what I understand, he read it and liked it. Was he later promoted? Yes, he was, but not because of the positive review, as a detractor of this magazine suggests. His promotion was planned long before I published my book. His extraordinary performance as editor of [“Arts and Shows”] justified the promotion. VEJA is the fourth-largest newsweekly in the world because meritocracy, not cronyism, rules the newsroom.

Prosseguia o inacreditável libelo do “antinarciso”, explicando o sucesso do seu romance:

This unbelievable little treatise “against Narcissus” went on, explaining the success of Sabino’s novel:

“O romance está fazendo uma carreira internacional, se me permite o adjetivo, estupenda. Já foi publicado em Portugal e Itália” .

“The novel is having an international career, if I may permit myself the breathless adjective. It has been published in Portugal and Italy” [Sabino says.]

“O Antinarciso” fez carreira mais modesta. Culpa de quem? Dos petistas.

The Anti-Narcissus has had a more modest career[, Sabino goes on to say.] And whose fault is that? The fault of the PT.

“O Antinarciso foi finalista, ainda, do Prêmio Portugal Telecom em 2006. Apesar de chegar à final, houve boicote dos jurados. Como sei? Um deles, do qual declino o nome por razões óbvias, contou à editora Record que boa parte dos jurados, petistas ou simpatizantes havia concluído que “para alguém da direita, o Sabino já havia ido longe demais. Um editor da VEJA não pode ganhar o prêmio”. Obviamente, não compareci à entrega. Sou péssimo ator. Tudo bem, não ligo para o boicote, mas é um desaforo me acusarem de manipulador. Quem manipula são eles”.

[My book of short stories] was even a finalist for the Portugal Telecom Prize in 2006. Though it got to the final round, there was a boycott by the jury. How do I know this? One of them, whose name I decline to state for obvious reasons, told the Record publishing house that a good portion of the jury, PT militants or sympathizers, had concluded that “for someone from the right, Sabino had already made it too far. A VEJA editor cannot win the prize.” Obviously, I did not attend the awards ceremony. I am a terriblel actor. But fine, I do not care about the boycott, but it is just too much for them to call me a manipulator. They are the manipulators,” [Sabino concludes.]

“I am a martyr to political persecution” is a constant motif of Veja’s self-justifications. It really is something of a one-note samba, trotted out to explain every eventuality.

These people are like sharks: Their primitive brains are programmed with only one behavior: Swim forward with your mouth open.

Se entrar no site da Amazon e clicar “Luís Nassif”, aparecerão o CD “Roda de Choro”, relançado alguns anos atrás, e meus livros “O Menino de São Benedito” e “Os Cabeças de Planilha”. Não ousaria dizer que nenhum deles foi sucesso internacional, nem mesmo nacional, apesar do primeiro ter sido finalista da categoria Conto/Crônica, do Prêmio Jabuti. Hoje em dia, provavelmente está fora de catálogo. Mas continua aparecendo na Amazon.

If you got to the Amazon Web site and click on my name [says Nassif] you will see my CD Roda de Choro, reissued a few years back, and my books [The Boy from São Benedito?] and “The Spreadsheet Heads.” I would not venture to call either of them an international success, or even a domestic hit, through the first was a finalist for the Jabuti Prize in the short story/creative nonfiction category. These days, they are probably out of print. But they still show up on Amazon.

The Spreadsheet Heads I have been meaning to have a read of, if I can find a copy.

Se clicar o nome de Mario Sabino, aparecerão três menções: uma ópera de Verdi (que nada tem a ver com ele), uma pornochanchada (presumo que não), e seu livro “O Antinarciso”, edição brasileira. Nenhuma obra em outra língua.

If you search for the name Mario Sabino, three mentions appear: An opera by Verdi (nothing to do with VEJA’s editor), a sexxxploitation film (ditto, I assume) and the Brazilian edition of his book of short stories. No works in other languages.

I think to make this point more rigorously you would have to do a thorough check of the Library of Congress and the like.

Sobre a manipulação da lista de Veja, Sabino envereda em um contorcionismo extravagante:

On the manipulation of Veja‘s best-seller list, Sabino gets himself tangled in an extravagant contorsionist’s act:

“Quanto aos livros que, naquele momento, passaram a ser considerados “não-ficção”, qualquer pessoa alfabetizada que os abrir verificará que fizemos o certo. Aliás, é comum que as livrarias forneçam à imprensa listas em que trocam os livros de categoria, como sabem os profissionais encarregados de fazer as tabulações nos jornais e nas revistas. Esses ajustes, pelo menos em VEJA, são freqüentes. Se não me engano, meu romance, na ocasião em que foi lançado, vendeu, na primeira e segunda semanas, 300 e 250 livros, respectivamente. Foi o bastante para pegar o último lugar na lista de ficção, numa única semana. Convenhamos que, como manipulador, sou um desastre.”

“As to those books that came to be considered nonfiction at that moment, any literate person would agree we did the right thing. Besides, it is very common for bookstores to furnish the press with lists in which books switch categories, as the professionals in charge of compiling the lists for newspapers and magazines know. If I am not mistaken, my novel, when it was published, sold 300 and 250 copies in the first and second weeks, respectively. It was enough to earn it last place on the Top 10 list for a single week. Let us agree that as a manipulator, I am a disaster.”

Foi um desastre como venda. A manipulação ocorreu, ocorreram os favores de amigos, o acordo com a Record que garantiu campanha de outodoor nas ruas. E nem assim o livro emplacou.

The disaster was the book’s sales [Nassif comments]. The manipulation was real, the favors from friends actually happened, the deal with Record for a billboard campaign actually happened. And not even then did the book take off.

Duas coisas chamavam a atenção. Uma, a falta de limites em colocar seu cargo a serviço de seus interesses pessoais, inclusive comprometendo uma das instituições de Veja, a lista dos “Mais Vendidos”. Mas isso é problema de Roberto Civita.

Two things are worth noting. One is the lack of limits, in using his post to serve his personal interests, to the extent of compromising a venerable VEJA institution, the best-seller lists. But that is a problem for Roberto Civita.

A segunda, o fato de Sabino julgar que o nível raso de seus argumentos poderia convencer qualquer leitor medianamente informado, de que não houve manipulação. Como explicar esse nível primário de argumentação, partindo de um “jornalista brilhante — nem quem eventualmente o detesta lhe nega isso”, nos dizeres de seu subordinado, Azevedo?

The second is the fact taht Sabino thinks that the [crude logic-chopping] of his arguments are going to convince a reasonably well-informed reader that there was no manipulation. How to explain this level of argumentation from a “brilliant journalist — not even those who may detest him deny this,” as his subordinate Azevedo says?

Tudo isso passou incólume no jornalismo impresso por que, a esta altura, a imprensa estava controlada por um fenômeno que, na França, foi batizado de “Os novos cães de guarda”: a montagem de grupos de auto-promoção, com um exercício tão ostensivo de agressividade gratuita (contra os de fora) e de lisonja (para os poderosos), de auto-promoção escandalosa, que era impossível passar despercebido dos formadores de opinião.

All of this can go on with impunity in print journalism because at this point the [Brazilian] press is in the grip of a phenomenon that in France has been dubbed “the new guard dogs”: The setting up of these closed circles of mutual self-promotion, with an ostentatious display of gratuitious aggression (against outsiders) and hagiography [of the powerful], of scandalous self-promotion, which the formers of opinion can scarcely have failed to notice.

Esse processo de compadrio, de colocar a revista a serviço da promoção pessoal, trouxe mais desgaste à Veja do que as coberturas estranhas de negócios empresariais. Mas será assunto para o próximo capítulo.

This practice of cronyism, using the magazine for personal ends, has done more to destroy the reputation of Veja than its bizarre coverage of business affairs. But this is a topic for the next chapter.

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