Mino on Nassif

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“Only Bush stands by him.” CC’s cover this week features Uribe of Colombia

Mino Carta’s column in the latest edition of CartaCapital magazine (Brazil).

We read CartaCapital. We wish there were a larger variety of newsmagazines of this quality to read each week here in Brazil — I have a prodigious appetite for magazines. But unfortunately, there aren’t.

I think Mino and Nassif used to be business rivals of a sort: Carta founded Quatro Rodas, a consumer title for car owners, while Nassif tried to steal away some of the same readership with the Jornal do Carro.

O estudo das atividades político-comerciais da revista Veja, que seu autor, Luis Nassif, batizou dossiê, causa a repercussão merecida. Antes de mais nada, porque Nassif pertence à restrita categoria dos jornalistas habilitados a diferenciar a verdade factual das suas opiniões e venetas de cada dia.

The study of the politico-commercial activities of Veja magazine, which its author, Luis Nassif, has dubbed the “Veja dossier,” is receiving well-deserved attention. Above all because Nassif belongs to that select group of journalists who are qualified to distinguish fact from their own opinions and passing whims.

I skip a paragraph. Mino has a quaint writing style — “hot off the old Olivetti!” — that I find hard to translate.

Veja porta-se como se estivesse acima da verdade factual. Quem sabe, Roberto Civita seja tentado a dizer, com a candura de quem alimenta apenas certezas, “a verdade sou eu”. Mas o dossiê de Luis Nassif desfia tramas variadas, urdidas pela Editora Abril a serviço de insondáveis cruzadas contra o senso comum, a inteligência e a ética. E a própria história (com H grande).

Veja behaves as though it were above the facts. Who knows but that Roberto Civita might be tempted to say, with the candor of someone who knows only certainties, “The Truth? I am the Truth.” But the Nassif dossier unwinds various schemes the Editora Abril has hatched in the service of its crusades against common sense, intelligence and ethics. Not to mention History (with a capital H).

Há algo de insano nas atitudes de Veja. Certo é, porém, que Luis Nassif não precisa de apoio para conduzir seu estudo. Trata-se de um profissional talentoso, competente, responsável e de estilo próprio. De minha parte, limito-me a lamentar a parábola da revista, esta frase descendente a mirar no fundo do poço. Haverá quem alegue sua elevadíssima tiragem para demonstrar-lhe o êxito. No entanto, cabe outro ponto de vista: demonstra a confusão reinante na chamada classe média brasileira.

There is something insane about the way Veja behaves. But Nassif certainly needs no support [from me] in order to carry out his case study. This is a talented, competent, responsible professional journalist with a style of his own. For my part, I limit myself to lamenting the downward spiral of the magazine, its descent into the depths. There are those argue that its circulation numbers are proof of its success. But there is another point of view on that question: Its popularity is proof of the confusion that reigns among the so-called Brazilian middle class.

Neste sentido, a mídia nativa, rosto tradicional do poder, continua empenhada na permanência das coisas como estão para ver como ficam. Quem milita do lado contrário é posto em questão. Uma nota na coluna social do Estadão de quarta 5 chamou-me a atenção. Fala-se ali, neste espaço destinado a contar as pífias aventuras de um punhado de pessoas, sempre e sempre as mesmas, de uma reunião que se daria em São Paulo, no sábado 8, entre figuras do jornalismo alternativo ( a palavra é esta) para debater a formação de uma “frente única”.

Thus the native media, the traditional face of power, continues to struggle for keeping things as they are in order to see how they turn out. Anyone who takes the opposite view is called into question. A note in the social column of the Estado de S. Paulo daily last Wednesday caught my attention.

I saw this, too.

There in that space dedicated to the trivial adventures of a handful of persons, who are always the same, they tell of a meeting to be held in São Paulo on Saturday, March 8, among leading figures in alternative journalism (their term) to discuss forming a “united front.”

Frente de qual guerra? A coluna bondosamente me inclui entre os participantes, e tudo foi surpresas para mim. Nada sei de reunião e de frente única, e estou longe de ser “alternativo”, como não o são os demais citados, entre eles os professores Emir Sader e Luiz Gonzaga Belluzzo, e jornalistas do porte de Raimundo Pereira e Luis Nassif. Não exageremos, porém, em espantos. Coluna social sumiu da imprensa contemporânea do mundo faz mais de cem anos. O provincianismo, na sua manifestação mais medíocre, ou mesmo ridícula, impera nestes espaços indestrutíveis em jornalões e revistas especializadas, bem como nas páginas de Veja.

A front in what war? The column kindly includes me in the list of participants, which was a complete surprise to me. I know nothing of a meeting or a united front and I am far from being “alternative.” Neither are the others cited, such as the academics Luiz Gonzaga Belluzzo and Emir Sader and major journalists like Raimundo Pereira and Luis Nassif. Let us not exaggerate our surprise, however. The society pages vanished from the contemporary press more than a century ago. Provincialism, in its most mediocre, or even ridiculous, form, rules these indestructible spaces in the major dailies and specialty magazines, as well as the pages of Veja.

Columnist Mauricio Dias adds:

A imprensa brasileira vive, simultaneamente, uma situação trágica e cômica em relação a um princípio básico do jornalismo: o ato de dar notícias. Nos momentos em que se vê obrigada a publicar fatos favoráveis à administração Lula, a informação torna-se um suplício.

The Brazilian press is living a moment that is at once tragic and comic in relation to a basic principle of journalism: The act of reporting the news. When it finds itself obliged to publish facts favorable to the administration of [sitting President-reelect Squid], the act of reporting the news becomes an unbeable agony. 

Nesse sentido, a mídia tem passado sobre alguns fatos com a sutileza de um trator desgovernado. Há um esforço cotidiano e desesperado contra o governo. E isso vai muito além de uma reação conservadora. A supressão e distorção de informações e a fabricação de escândalos têm a finalidade de fazer o presidente sangrar. Esse esforço, até agora, malsucedido, encontra lógica na eleição de 2010.

Thus, the media has rolled over certain information with all the subtlety of a runaway bulldozer. There is a daily, desperate effort against the government. And this goes far beyond a conservative reaction. The suppression and distortion of information and the fabrication of scandals has as its objective to bleed the president out. This effort, so far unsuccessful, draws its logic from the 2010 elections.

Headline in Última Instância (a legal affairs newswire of the Folha Group that competes with Conjur at the Estado Group) this week: “CartaCapital [Carta’s newsweekly] uses phony documents in report!”

CC stands by its reporting. I will try to translate that little briga for you, for my first reaction is that it tends to fit the pattern of a Veja smear campaign, whose leitmotif tends to be the old Pop Group lyric: “We are all prostitutes/Everyone  has his price.” See, for example

CC generally issues a correction promptly when it is wrong, which it sometimes is (the city government of São Paulo caught it in an inaccuracy last week, for example, I forget what about, a contract with a research institute being questioned about spending its research budget on something other than research, yada yada yada.)

A mídia finge que não vê o espelho. As pesquisas de opinião não refletem o que ela quer. Os ponteiros das sondagens de opinião indicam uma aprovação monumental do governo. Mas isso não significa que a maioria da sociedade seja lulista nem se traduzirá necessariamente em votos. Talvez seja apenas o reconhecimento de uma boa administração, com um elenco de acertos e erros e com inflexão visível para a questão social.

The media pretends it cannot see itself in the mirror. The public opinion polls do not reflect the results it wants. The opinion polls indicate monumental approval ratings for the government. This does not mean that the majority of Brazilian society is “Lulist,” and it will not necessarily translate into votes. It may just be an acknowledgement of good management, with a list of achievements and mistakes and a clear focus on the social dimension.

Paulatinamente, a atuação de Lula desestabiliza os preconceitos da classe média. Há um namoro cauteloso, mas permanente. O cruzamento dos números das pesquisas, consideradas as referências de renda e de escolaridade, mostra isso. A rejeição a Lula está pouco acima de 30%. Este é o porcentual de eleitores que nunca votaram e nunca votarão em um operário metalúrgico.

Little by little, Lula’s work is destabilizing the prejudices of the Brazilian middle class. A cautious but permanent flirtation is underway. Analyzing the poll numbers in terms of level of education and income shows this. Rejection of Lula is a little over 30%, representing that portion of the electorate that has never voted and will never vote for a factory worker. 

The yoga-practicing, mud people-fearing and despising, idly rich, empty-headed, “Daddy got me my job” Daslu shopper.  “The Protestant work ethic is a Communist plot!”

Tem sido dirigida essencialmente para esse núcleo a voz da mídia. O jornalismo submetido, assim, tão profundamente, a objetivos político-eleitorais tangencia a esquizofrenia. Essa doença deriva da confusão entre a coisa e a aparência da coisa, porque a imprensa, ao contrário do que se supõe, não reflete a opinião pública.

The voice of the mass media has been directed principally at this sector of public opinion. Journalism subject so deeply to political and electoral objectives borders on the schizophrenic. This disease derives from a confusion of appearance with reality, because the press does not really reflect public opinion, as is supposed. 

O mal não é de agora. Dom Pedro II percebeu esse equívoco e o registrou no elenco de “Conselhos à regente”, de 3 de maio de 1871: “O sistema político no Brasil funda-se na opinião nacional, que, muitas vezes, não é manifestada na opinião que se apregoa como pública”.

This problem is not unique to the present day. Dom Pedro II perceived this error and included it in his “Advice to the Prince Regent” of May 3, 1871: “The political system in Brazil is based on public opinion, which is often not represented by that opinion that claims itself to be public.”

Or something like that.

O exemplo disso é a manchete da primeira página de O Globo, de 22 de fevereiro, dia seguinte ao anúncio oficial de que as reservas brasileiras superaram a dívida externa. O jornal atribui o desempenho “à ação ortodoxa do Banco Central” e “à expansão” da economia mundial.

An example is the front-page headline in O Globo on February 22, the day after the official announcement that Brazilian reserves now exceeded its foreign debt. The newspaper attributed this result to “the orthodoxy of the Central Bank” and “the expansion” of the global economy. 

Assim, tudo decorre como resultado da “mão invisível do destino” ou, alternativamente, da “mão invisível do mercado”. O governo não existe. O Globo desaloja o presidente do comando da administração. Declara, assim, o impeachment de Lula na notícia.

Thus, everything results from the “invisible hand of destiny,” or, if you will, the “invisble hand of the market.” The government does not exist. O Globo removes the president from command. It impeaches [Squid] from the news.

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