Ecce Veja: “Not a single journalist in Brazil respects the journalism Veja does”

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Nassif: Giving Veja grief

Not a single journalist in Brazil respects the journalism Veja does. They merely fear it. They fear it because Veja has a license to kill, and they know their publications will not defend them.

[Sotto voce] Veja lies, you know. –Foreign correspondent of a major Argentine daily, to NMM(-TV)SN(B)CNN(P)BS, bar-room convesation, near Ubatuba, 2006.

André Cintra and Priscila Lobregatte interview Luis Nassif in Vermelho, the Communist Party of Brazil (but not, God forbid, the Brazilian Communist Party) daily.

There is a cover interview with the guy in the more pan-lefty Caros Amigos this week as well.

All of which goes to show you: The “reality-based community” really is, as suburban Virginia-based ultrarightist fruitcake (and what publication sponsors the guy’s journalist visa, anyway?) Olavo de Carvalho insists, an infinitely guileful communist plot! See also

Or not.

Interesting that Nassif objects here to a commonplace you hear from the more ideologically motivated critics of Abril: that its partnership with South Africa’s Naspers — whose board of directors did, it is true, produce most of the apartheid presidents of that suffering country — underlies a deliberately racist editorial policy at the publisher. See also

Nassif continues to cite a number of Abril journalists who complain anonymously (they could lose their jobs) of “the nail taken to the vinyl”– editorial interpolations that add slanderous nonexistent factoids, vicious, gabbling rumors and sleazy, logic-chopping innuendo to otherwise competently and responsibly written and reported articles.

One does hear this sort of thing through one’s own grapevine. That “do what you are told or you will never work in this town again” is a standard approach to labor relations with Abril staff.

São Paulo is not a happy place to be unemployed.

So I would bet you a beer that is true. I bet you there are plenty of competent journos at Abril who have the self-respect to be embarrassed by this nonsense. If you promoted some of these people to positions of responsibility, and they exercised them responsibly, Veja might even become readable again.

I hereby pledge to buy a copy of Veja as soon as Abril summarily fires its current editorial management and their vicious, gabbling stooges, just to test this hypothesis. I love reading magazines. I can easily read four or five a week. But I refuse to pay to be lied to.

And see also

Diz a série: o conservadorismo da maior revista semanal do Brasil ganhou ainda mais ênfase com a ascensão de Eurípedes Alcântara e Mario Sabino aos cargos, respectivamente, de diretor de Redação e redator-chefe. Com eles no comando, também tiveram projeção o editor especial Lauro Jardim, da seção “Radar”, e o colunista Diogo Mainardi. Estava formado o “quarteto de Veja”, responsável — segundo Nassif — pelo “maior fenômeno de antijornalismo dos últimos anos”.

The series reports that the conservatism of Brazil’s largest newsweekly grew even more pronounced with the arrival of Eurípedes Alcântara and Mario Sabino as publisher and editor in chief, respectively. With these two in command, special editor Lauro Jardim of the “Radar” section and columnist Diogo Mainardi also rose to prominence. The [Four Horsemen of Veja] was forming, which Nassif calls “the greatest manifestation of [Brazilian] antijournalism in recent years.”

O dossiê conta os bastidores e as evidências desse processo. Mostra as relações promíscuas entre Eurípides e o banqueiro Daniel Dantas, o clima bélico injetado por Veja contra jornalistas de outros veículos, a campanha ostensiva e golpista contra o governo do presidente Lula, entre outros descalabros. A repercussão é estrondosa. Da página de Nassif na internet, a série já é reproduzida em mais de 800 blogs.

The series narrates the story behind the stories and the evidence of this process. It shows the promiscuous relationship between Alcântar and Daniel Dantas, the climate of total war against journalists from other publications, the open campaign to overthrow the Lula government, among other . The story has caused quite a stir. The series on Nassif’s Web page has been linked to by more than 800 blogs.

Para Nassif, enfrentar a Veja é lutar em defesa do jornalismo. Mas o dossiê só tem êxito, segundo ele, porque a internet começou a democratizar a comunicação no Brasil, permitindo denúncias de abusos, além de contrapontos fora da grande mídia. E Nassif acredita que uma outra entrevista sua ao Vermelho, concedida em 2006, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, “foi a primeira que rompeu com essa cortina de silêncio”.

For Nassif, going up against Veja is a struggle in defense of journalism. But the series has only succeeded, he says, because the Internet has begun to democratize communication in Brazil, allowing abuses to be denounced and counterpoints from outside the mass commercial media to be heard. Nassif believes that another interview with Vermelho, on the eve of the second turn of the 2006 elections, “was the first to break this conspiracy of silence.”

Você já escreveu um livro (O Jornalismo dos Anos 90) para tentar explicar mudanças paradigmáticas da imprensa na última década. Após as eleições 2006, soltou o artigo “A longa noite de São Bartolomeu”, que é quase um apêndice do livro, com um resumo e atualizações a respeito dessas transformações. O que houve nesse período? Como e por que a grande mídia mudou?

You have already written a book (Journalism in the Nineties) to try to explain fundamental changes in the press in the last decade. After the 2006 elections, you came out with the article “The Long Night of St. Barholomew,” practically an afterword to the book, with a summary and updates on these transformations. What happened during this period? Why did the mass news media change?

Really, Luis “Spreadsheet Head” Nassif wrote a book on that? Where can I get a copy? I am reading as much as I can get my hands on these days about the history of Brazilian journalism, and business journalism in particular.

My goal: Find out who are around here knows what the hell they are talking about — there is a lot of highly intelligent life in the New World Lusophone Zone — and listen to what they have to say, while ignoring the gibbering bullshit.

I figure if I can manage to make even modest progress on that task, I will be way ahead of Larry Rohter, at least.

O livro terminava relativamente otimista. Eu achava que, com o avanço do discernimento por parte dos leitores, a imprensa seria mais seletiva e mais rigorosa na apuração de notícias. Mas nos anos 90 e nesta década entre 2000 e 2010, ao menos até agora, ocorreu uma confluência de fatores que piorou muito o ambiente midiático.

The book ended with relative optimism. I thought that with the advent of a more discerning readership, the press would be more selective and more careful in fact-checking what they reported. But in the 1990s and the current decade, at least sofar, a number of factors joined to make the media environment worse.

Tivemos, de um lado, a crise das empresas jornalísticas, que cometeram o que chamamos de ato de fraqueza como forma de não só saírem da crise como também de enfrentarem um outro cenário adverso que viria pela frente. Cederam à mídia internacional, com grandes grupos entrando e um novo padrão sendo introduzido — e nossos homens da mídia eram sempre acostumados com um ambiente fechado, sem uma visão estratégica para sobreviver num ambiente de competição.

On one hand, we had the crisis of the news publishers, who committed what we might call an act of weakness, not just as a way out of that crisis but also as a way of dealing with adverse conditions to come. They caved into the international media, with big media groups coming in and a new standard being introduced — and these media men had always been accustomed to a closed enviironment, without a strategic vision for surviving in a competitive world.

Isso levou a um pacto de autodefesa entre esses grupos, porque eles precisariam fazer parcerias também com grandes investidores. É aí que aparece a figura dos banqueiros dos anos 90, alguns bem barra-pesada, que passam a ser uma das bóias de salvação da mídia. E aí você vende a alma. Quando você vende a alma e tem essa falta de critério jornalístico em algumas publicações, você dá tanto poder para seus diretores que eles saem do próprio controle da organização.

This led to a self-defense pact among these groups, because they needed to form partnerships with big investors as well. And so there came the bankers in the 1990s, some of them heavy-duty folks, serving as one of the life-buoy to bail out Brazilian media groups. When you sell your soul and have this lack of journalistic quality in some publications, you give so much power to the editorial management of these publications that they can no longer be controlled by the company they work for.

Nessa série da Veja que estou fazendo, há muitos episódios que não têm Abril no meio. A Abril perdeu o controle. A comparação que faria é a de uma empresa que usa o caixa 2 e sistemas não-formais para poder conseguir negócios — e que perde o controle de quem está fazendo as coisas. Na Veja, você tem matérias que são muito estranhas. Você olha e diz: que justificativa tem para isso? É a Abril que está pedindo isso? São os diretores?

In this series on Veja that I am doing, there are a number of episodes in which Editora Abril is not involved. Abril has lost control. The analogy I would use would be a company that uses off-the-books cash and informal systems for doing busines — and loses control ofwho does what. At Veja, you have articles that are really, really strange. You look at them and ask yourself, what explains this? Is Abril telling them to do this? Is it the editors?

Você está nos dizendo que a “hierarquia militar” da Abril foi violada? Ou o Roberto Civita (presidente da Editora Abril) poderia intervir e não interveio?

Are you saying that the “chain of command” has broken down at Abril? Or that Roberto Civita could have intervened, but didn’t?

O Roberto Civita foi alvo, em momentos passados, de ataques pessoais pesados. E aí vem um pessoal pistoleiro de reputação e oferece a chance de fazer com eles o que antes fizeram com o Civita. E então ele libera esses mastins para sair atacando todo mundo. O que acontece? Ele não é um cara ideológico. Esse negócio de dizer que os sócios sul-africanos é que estão levando a essa posição da Veja é mentira. O Civita é um sujeito que se guia pelo mercado e que se baseia muito no que acontece nos Estados Unidos.

Civita has been the target in the past of some heavy attacks. So here come these “hired gun” types and offer to do to them what they did to Civita. So he lets these attack dogs loose on all and sundry. And what happens? Civita is not an ideological guy. This whole thing about it being his South African partners who are behind this attitude of Veja’s is alie. Civita is a guy who follows the market and it’s based to a large degree on what is happening in the United States.

E nos Estados Unidos tem início esse movimento neocon, de agressividade na linguagem. Ele pensou: “Vamos trazer isso para cá”. E entregou essa função para as piores mãos possíveis — um pessoal jornalisticamente incompetente e inescrupuloso no trato da informação. Começaram a radicalização, a grosseria, os ataques contra todo mundo e os beneficiamentos pessoais. O que aconteceu com o livro do Mário Sabino? Ele usou todo o ferramental disponível inclusive para mudar critérios dos livros mais vendidos e, assim, se beneficiar. Isso aí não é coisa da Abril. É inacreditável um negócio desses.

And in the United States you had this “neocon” movement, this use of aggressive language. He thought: “Let’s bring that down here.” And he put this assignment in the worst hands possible — a bunch of journalistic incompetents with no scruples about how to deal with information. They started getting more radical, the crude insults, attacks on everyone, benefiting themselves. What happened with Mario Sabino’s book? He used every means possible, including changing the selection criteria for the magazine’s best-seller lists, and so benefited himself personally. This is not an Abril thing. This kind of deal is just unbelievable.

Se essa série tivesse saído no ano passado, o que eles alegariam? São os inimigos políticos da Veja, são os chapas-brancas. E atrás desse discurso, dessa blindagem, eles faziam tudo. A qualquer crítica que surgisse, eles diziam: “Ah, são os chapas-brancas”. O Diogo Mainardi foi usado pelo Mário Sabino, é um doente. Foi utilizado para isso: se alguém chegar perto, cria a marca “é da equipe do governo”, “é chapa-branca”. Com isso, você libera a direção para fazer o que desse na telha.

If this had come out last year, what would they have charged? That these are the political enemies of Veja, these are the [front men]. And they use this line, this all-purpose excuse, to justify everything they do. Any critic that comes along, they say, “Oh, those are the front men.” Diogo Mainardi is a puppet of Sabino’s, he’s a [fruitcake.] He was used for just this purpose: If anyone gets close them, they brand hiim “a government man,” “a front man.” That way, you free up the editorial management to do whatever they feel like doing.

Chapa branca” means a car with license plates hidden or missing, so as to avoid identification. “The death squad piled out of a car with chapa branca and opened fire with weapons reserved for military use.”

Foi o que fizeram com o Franklin Martins, com a Tereza Cruvinel…

What they did with Franklin Martins, with Tereza Cruvinel …

Martins, who did a Tony Snow or (in another generation) Bill Moyers, leaving Globo to become President Squid’s press secretary, successfully sued Veja and Mainardi for libel. Because they stated nonexistent facts about him on purpose, according to their successful (civil) libel complaint.


Mainardi on Globo’s late-night Jô Xô repeats the unsubstantiated rumor that senior government officials have bribe-stuffed offshore bank accounts — defending the exercise in logic-chopping gibberish with a gibbering tautology.

Upon which they trashed the man’s wife as a grasping, greedy piranha on their podcast because she inquired about payment of the (modest) damages.

Você pega o Franklin Martins. Eles conseguiram jogar nos braços do governo o melhor jornalista político do país: “Ah, agora está provado que o Franklin era governista”. Provado coisa nenhuma! O Franklin ficou fora do mercado e foi trabalhar no governo. A Tereza Cruvinel era uma das melhores colunistas que havia. Começaram com esses ataques baixos, desqualificadores, e ela foi trabalhar no governo.

Take Martins. They managed to drive the best political journalist in the country into the arms of the government. “Ah, that just proves that Martins was always for the government.” It proves nothing of the sort! Franklin got thrown out of the market and went to work for the government. Tereza Cruvinel was one of the best columnists around. These low blows, this character assassination, began, and she went to work for the government.

A questão toda não é somente os ataques, mas a maneira como os jornais reagiram a isso. No Globo, o (diretor-executivo de jornalismo) Ali Kamel fechou com eles. O que o Ali Kamel fez com o Franklin quando foi atacado? Rompeu contrato com ele. Isso foi uma deslealdade que intimidou todos os demais colunistas do O Globo. Na Folha, o Otavinho (Otávio Frias Filho, diretor de Redação) não saiu em defesa quando seus colunistas foram atacados. Não digo nem a mim — mas ao Kennedy Alencar, ao Marcelo Coelho e a outros.

The issue is not just the attack-dog approach, but also the way the newspapers cover this issue. At Globo, journalism director Ali Kamel did a deal with them. What did Ali Kamel do when Franklin was attacked? He broke his contract with the man. This was an act of disloyalty that intimidated all the other columnists at O Globo. At the Folha de S. Paulo, Little Octávio (son of the founder and publisher) did not defend his columnists when they were attacked. I am not talking about my own case, but about Kennedy Alencar, Marcelo Coelho, and others.

The attack on Alencar was jaw-droppingly stupid, and based on nonexistent factoids (Veja lies, in other words.) See

Isso criou uma insegurança geral nos colunistas. Nos anos 90, havia diversidade jornalística dada por eles. Quando se cria essa guerra e essa unanimidade para derrubar o Lula — e se permite que os seus jornalistas sejam atacados —, você induz todos eles a fazerem discurso único por uma questão de sobrevivência profissional. Eu pulei fora.

This has created a generalized sense of insecurity among the columnists. During the 1990s, they benefited from journalistic diversity. But when this war was launched, this concerted attempt to bring down Lula — and it was permitted to attack these journalists — you force all of them to use the same line, purely as a matter of professional survival. I got out.

Nos anos 50, havia um jornalismo bastante carregado de opiniões. Isso voltou tal como era antes ou você vê diferenças?

In the 1950s, you had a journalism heavily charged with opinion. Has this phenomenon returned in the same form or do you see differences?

Voltou com tudo, inclusive com os planos Cohen [?] da vida. Toda aquela manipulação, inclusive dossiês falsos, passou a ser usada. Isso é uma loucura! Estamos na era da internet, da comunicação, e a Veja passa a usar dossiês falsos, passa a misturar a notícia com fantasia.

It is back in the fullest sense, with the Cohen plans [?] and everything. All the manipulation, including phony dossiers, are being used again. It’s nuts! This is the age of the Internet, of communication, and here’s Veja using phony dossiers, mixing news with fantasy.

Is he referring to Roy Cohen here?

Aquele negócio de dólares de Cuba é um exemplo. A qualidade da notícia deveria ser melhor até por uma questão de cautela. Se hoje não há mais aquele controle da informação que se tinha antes, você não pode se dar à imprudência de sair inventando história, porque vai ser desmascarado.

That whole thing with the Cuban dollars is one example. The quality of news ought to be better just as a matter of prudence. If today you no longer have the controls on the quality of information you once had, you cannot be careless enough to be just making things up, because you are going to get caught at it.

Há um capítulo do dossiê em que você diz que, a cada sucessão no comando da Veja, entram jornalistas cada vez mais desqualificados e incompetentes…

There is a chapter in your Veja series in which you say that with every change of management at Veja, you had journalists coming in who were less qualified and competent …

É. A Veja está num processo de deterioração moral. Recebo vários e-mails de jornalistas que trabalharam lá, e há um que fala que, a cada edição, morria de medo de involuntariamente fuzilar alguma reputação. Porque eles pegam as matérias e alteram tudo.

That’s a fact. Veja‘s reputation is deteriorating. I get quite a few e-mails from journalists who have worked there, and people are saying that with every edition they were deathly afraid they going to assassinate somebody’s reputation without meaning to. Because [the editors] take the copy and change it all around.

Existem vários exemplos de jornalistas que faziam parte de um grande veículo e que, agora, têm seus sites e blogs, estão “nadando contra a corrente”. Temos o Paulo Henrique Amorim e o Luiz Carlos Azenha, que eram da Globo. Há você, que saiu da Folha. A internet virou uma válvula de escape?

There are a number of cases of journalists who worked at a major publication and now have their Web sites and blogs in the “swimming against the current” style. You have Amorim, Luiz Carlos Azenha, who used to be at Globo. There’s you, who left the Folha. Has the Internet become an escape valve?

Vou falar da minha experiência. Na Folha, sempre procurei jogar no contrafluxo. Um exemplo foi a Escola Base. Esse negócio de não seguir a manada, para mim, sempre foi um oxigênio. Qualquer forma de restrição ao pensamento, para mim, é um terror. E a restrição ao pensamento pode vir da empresa, pode vir do governo ou pode vir do leitor.

I will just speak for myself. At the Folha, I always sought to take a contrarian stance, to swim against the current. There was the Escola Base scandal, for example.

This was a hysterical trial by media involving allegations of systematic Satanist child-fucking at a pre-school.

Everyone involved was eventually cleared of all charges, and the news media had to pay them damages. But in the meantime, the media frenzy was astonishing. Made the McMartin preschool case look like a cab driver from Dubuque challenging a parking ticket before Judge Judy. Brazilian “moral panic” lynch-mob journalism at his most degraded.

Any form of restriction on thought, to me, is terror. And these restrictions on thought can come from a company, the government, or from the reader.

Ao longo dos anos 90, um grande fator de restrição à imprensa foram essas pesquisas de opinião. Os jornais criavam um escândalo, o leitor queria mais daquele escândalo, e o jornal ficava prisioneiro daquela opinião do leitor que ele mesmo tinha criado. Era um círculo vicioso.

Throughout the 1990s, a major restriction on the press came from all that market research. The newspapers created a scandal, the reader wanted more of that scandal, and the paper became a slave to that desire on the part of its reader, which it had created itself. It was a vicious cycle.

O que aconteceu nos últimos anos foi que você não podia mais jogar no contrafluxo por conta dessa frente que se formou contra o governo. Uma das características do jornalismo é que a capacidade que você tem de fazer um elogio é que te garante credibilidade e a eficiência quando você faz a crítica. Se for sistematicamente a favor ou sistematicamente contra, não se faz jornalismo.

What has happened in recent years is that you can no longer swim against the tide because of this united front that has formed against the government. One of the characteristics of journalism is that the ability you have to praise is what guarantees your credibility and efficiency when you start in to criticize. If it is systematically for or systematically against, journalism is impossible.

Só que quando, começou aquela campanha maluca contra o Lula, você tinha que ficar sistematicamente contra. Tinha denúncia verdadeira? Tinha. Mas também havia denúncias falsas. O jornalismo coerente tinha que separar o falso do verdadeiro. Só que o patrulhamento foi um negócio tão intenso — e essa frente da mídia foi tão emburrecedora — que acabou essa diferenciação.

But when that insane campaign against Lula began, you had to be systematically against [the government]. Were there some genuine charges? Yes. But there were phony ones as well. Coherent journalism has to separate the false from the true.

Quando fomos para a internet, o público que estava lá era o público dos jornais. Mas a internet também é uma armadilha; você tem que tomar cuidado para não ficar prisioneiro dela também. Meu público é 80% a favor do Lula. Mas, se você cede a esse público, você perde a liberdade.

When we went to the Internet, the public we found there was the same public that reads newspapers. But the Internet is also a trap: You have to be careful not to become a prisoner of the Internet as well. My public is 80% in favor of Lula. But if you give in to this public, you lose your freedom.

Que pressões você sofreu na Folha?

What pressure did you suffer at the Folha?

Ali foram desgastes internos, que já vinha há algum tempo. Quando entrou a “guerra santa” e eu comecei a fazer o contraponto, gerei insatisfação e não teve jeito.

Those were internal fallings-out that had been coming for a long time. When the “holy war” started and I started offering a counterpoint to it, it created dissatisfactions and there was no other way.

Existe na blogosfera um “ativismo jornalístico” cujos principais nomes seriam o seu, o do Paulo Henrique Amorim?

In the “blogosphere” is there a certain “journalistic activism” whose principal figures are you and Amorim?

Isso aí é malandragem desse pessoal da Veja. Quando a Veja resolveu montar a blindagem para a revista, o álibi encontrado contra as críticas foi dizer que se formou uma frente contra ela. Quando comecei minha série, o Paulo Henrique ligou me apoiando. E eu falei: “Não me apóia”. Daí, quando eu lancei o primeiro capítulo, ele fez um carnaval lá, e eu publiquei uma coluna até deselegante com ele, mas não tive outro jeito. Falei que não tenho nada a ver com Paulo Henrique — só para deixar bem claro que não havia essa ligação.

That’s malicious gossip from the Veja gang. When Veja decided to try to shield itself, the alibi they found to ward off critics was to say that a common front was formed against it. When I started my series, Amorim phoned up to offer support. I said, “Don’t support me.” So when I launched the first chapter, he threw a big shindig over there [on his site] and I even published a somewhat inelegant columnwith them, but there was nothing else to do. I said I had nothing to do with Amorim — just to make it clear there was not this connection.

I tend to agree with Nassif about Amorim — he has apparently studied the likes of Keith Obermann and adopted a “fight Limbaugh with Limbaughism” (or in this case, “fight Mainardi with Mainardism”) approach.

Does not interest me much.

What bothers me about this approach in general is not the political orientation of its opinions but the constant recourse to screeching, hysterical noise.

And lying. The lying is what really bothers me. (Not a vice one will catch Amorim at, I think, but the guy is still too noisy and partisan for my purposes.)

Você pega esses blogs da Veja e tem lá: “Porque o iG tem o Paulo Henrique, o Mino, o Nassif…”. Isso é malandragem. Qualquer crítica que você faz, eles dizem: “Você está fazendo a crítica porque existe uma frente”. Então a maior precaução que eu tomei quando comecei a escrever foi deixar bem claro que não havia essa ligação.Trabalhei com o Paulo Henrique há alguns anos e, nos últimos dois ou três anos, encontrei com ele em uma ou outra palestra. Não tenho intimidade com ele, nem ele comigo. Fazemos tipos diferentes de jornalismo. Esse negócio de frente foi malandragem da Veja.

You read these blogs at Veja and they write: “Because iG has Amorim, Mino, Nassif …” This is [BS.] Any criticism you offer and they say “You are criticizing us because you are part of the united front.” So the main precaution I took when I started writing was to make it very clear there was not this relationship. I worked with Amorim some years ago and met up with him at this or that lecture in recent years. I am not close to him, or him to me. We do different kinds of journalism. This idea of a “common front” is [a malicious pipe-dream] of Veja‘s.

A discussão que quero ter é jornalística. A Veja tem o direito de ser de direita ou de esquerda — quem define é o dono. Não tenho a pretensão de achar que tenha que haver uma assembléia de jornalistas definindo isso. O jornalista, quando quer ter opinião, vem para a internet. Minha crítica é que a Veja não obedeceu aos princípios jornalísticos. Manipulou, jogou, assassinou reputações, atropelou a lei.

The debate I want to have is about journalism. Veja has a right to be a magazine of the right or left — that’s up to the owner. I do not mean to propose that some assembly of journalists ought to decide the editorial line. The journalist, when he wants to express an opinion, can go to the Internet. My criticism is that Veja does not obey the principles of journalism. It has manipulated information, played games, engaged in character assassination, trampled on the law.

Quando foi entrevistado por nós, em outubro de 2006, você já dava indícios de que havia esses problemas na Veja, mas apenas passava de raspão. Falava nos superpoderes do Eurípedes, comentou também da relação entre a revista e o Daniel Dantas. Por que você resolveu abrir a tampa e ir a fundo só agora, chegando ao dossiê?

When we interviewed you in October 2006, you were already talking about indications of something wrong at Veja, but you only mentioned it in passing. You spoke of Alcântara’s “superpowers,” commented on the relationship between Veja and Dantas. Why did you decided to open Pandora’s Box now, getting to bottom of the case of the phony dossier?

Olha, eu teria assunto para mais uns 15 dossiês, se eu tivesse tempo. O meu método de trabalho é um pouco diferente do da Veja. Quando, lá atrás, sofri o ataque da Veja, fui procurar entender o que estava por trás daquilo. Estava na cara que era o Mainardi atuando na defesa do Daniel Dantas, mas não estavam claras as ligações e quem era quem no jogo. Passei esse período todo tentando entender.

Look, I have enough material for 15 more “dossiers” on Veja, if I had the time to do them. My working method is a little different that Veja‘s. When I was attacked by Veja a while back, I went to try and understand what was behind this. It was obvious that Mainardi was acting on behalf of Dantas, but what was not clear was the nature of the relationships and who was who in this game. I have spent all this time trying to understand that.

Depois que você coloca as peças no lugar, basta pegar todas as matérias que estão lá e ir encaixando. Há uns oito meses, comecei a dar uns cutucões na Veja e o blog desse rapaz ficou oito meses me atacando, dizendo que eu era ladrão. Dizia coisas inacreditáveis. Sabe aquela coisa de você encontrar o cara de madrugada, bêbado, e ele vem xingar sua mãe, seu pai (risos). Depois que você fecha a lógica, é só encaixar as matérias.

After you gather all the pieces together, all you need to do is take a look at all the articles that are out there and starting assembling them. Eight months ago, I started poking Veja a little and that guy’s blog has been attacking me ever since, saying I was a thief. He said unbelievable things. You know when you meet a guy late at night and he’s drunk and he’s cussing out your mama …. Once you get the logic of it, you just need to put the pieces together.

Você levanta quatro nomes à frente dessa linha na Veja – Eurípedes, Sabino, Jardim e Mainardi. Por que o Reinaldo Azevedo, outro radical, não entra nessa lista?

You cite four names in connection with this faction at Veja –Alcântara, Sabino, Jardim and Mainardi. Why was Reinaldo Azeredo, another radical, left out?

O Azevedo é menor. Você tem o Mário Sabino, certo? E o Reinaldo Azevedo é um Sabininho. Pegue o último capítulo da série que foi publicado, sobre os livros — que tem o Azevedo escrevendo resenha. Aquilo lá é só Sabino. Você pega o texto do Azevedo, pega um professor de literatura, e compara. São as impressões e as marcas do Sabino.

Azevedo is a minor player. You have Sabino, right? Azevedo is just Sabino’s [“mini-me.”] Check out my latest chapter, about the book promotions — where you have Azevedo writing a book review [of his boss’s book.] That was pure Sabino. Take Azevedo’s article, get a professor of literature, and compare. Sabino’s fingerprints are all over it.

Azevedo is a nasty, gibbering foaming-at-the-mouth little freak. Makes Rush Limbaugh look like good old Paul Harvey, remember Paul Harvey? See also

O que o Mario Sabino faz na Veja? Ele tem dois ou três ali que ele usa para atacar: o Sérgio Martins, o Jerônimo Teixeira, por exemplo. Ele altera os textos deles. No caso do Reinaldo, o Sabino dá o texto pronto. O Reinaldo é apenas uma caricatura. E isso é importante porque, sendo uma caricatura, ele deixa mais à mostra o que é esse jogo. Outro dia, ele escreveu sobre o Obama (Barack Obama, pré-candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos), descendo o cacete, e de repente a Veja sai com uma visão diferente. Ele entrou em pânico, porque ele não representa nada. Como caricatura, todos os defeitos da Veja ficam mais evidentes com ele. Mas ele é apenas um Sabininho.

What does Sabino do at Veja? He has two or three underlings he uses as his attack dogs; Sérgio Martins, Jerônimo Teixeira, for example. He edits their articles heavily. But in Azevedo’s case, Sabino just gives him his article already written. And this is important because it makes it very clear what this game is really about. The other day he wrote about Barack Obama, trashing the guy, and then suddenly Veja magazine takes a different tack. He panicked, because he no longer represents anything. He’s a caricature: All of Veja‘s defects are in evidence in Azeredo. But all he really is is Sabino’s [“mini-me.]

E quem é Daniel Dantas? Como ele aparece na história?

And who is Dantas? How does he come into this whole story?

Nos anos 90, você teve o avanço dessas colunas de negócios, que passaram a ser utilizadas como ferramentas de lobbies empresariais. Não estou generalizando. Isso começa a ficar muito pesado mesmo nos anos 90, e esses lobistas maiores passam a recorrer aos serviços de assessorias de imprensa barras-pesadas. Com o tempo, eles passam a entrar direto com seus jornalistas. A IstoÉ é um caso clássico de uso de jornalistas para jogadas comerciais. Só que quando se chega na maior revista do país, quando se atinge e coopta o seu centro, aí é demais.

In the 1990s, you had more and more of these business columns appearing that became the tools of business lobbyists. I am not just generalizing. This got very heavy-duty during the 1990s, and these big lobbyists starting using the services of some really [nasty and unscrupulous] press-relations people. Over time, they starting directly targeting journalists. IstoÉ magazine is a classic case of using journalists as pawns in business disputes. It’s just that when it comes to the largest magazine in Brazil, when you get to and corrupt the heart of it, that is going too far.

O Daniel Dantas é o maior exemplo de como degringolou política no país. No dia em que ele contar suas histórias, não sobrarão grandes próceres tucanos e não sobrarão grandes figuras petistas também, nem jornalistas expressivos, Poder Judiciário. Ele conseguiu montar uma rede de influência inacreditável. Nos Estados Unidos, talvez no século passado houve esses abusos — mas a sociedade americana criou formas de autodefesa. Aqui não. Aqui se fecha em torno dos novos homens do dinheiro. Esse é um grande mal que o Fernando Henrique deixou para o país, um mal que vai ter — aliás, já está tendo — desdobramentos terríveis. E com a mídia se dispondo a fechar com eles, você tem uma parte relevante dos poderes institucionais que vão pro vinagre.

Dantas is the best example of how Brazilian politics have gone to pot. On the day he starts telling tales, there won’t be any great [opposition figures] left standing, or [government figures] either, or major journalists, or the judiciary. He managed to set up an incredible web of influence. In the U.S., there were these kinds of abuses in the last century, but American society developed antibodies against it. Here, we haven’t. This is the great evil that Cardoso bequeathed to us, one that will have — is already having — terrible consquences. And with the media willing to make a deal with these peopole, you have a significant portion of the public agencies that are going sour [rotten].

A mídia é muito poderosa, cria mitos inacreditáveis. O Mainardi é um exemplo. Começou-se a criar um mito de que ele seria o novo Paulo Francis. Mas quando você vê as coisas que ele escreve… E não estou entrando em juízo de valor, mas em juízo de qualidade. De repente, você o transforma num personagem. E, nesses grupos de autodefesa, você tem o Sabino elogiando o Ali Kamel, que elogia o Mainardi, etc. Ou seja, cria-se dentro da imprensa um negócio fora das estruturas de controle dos jornais, grupos de autopromoção que são uma coisa mafiosa. Destrói-se pessoa que não seja do grupo e passa-se a tentar criar reputações intelectuais.

The media is very powerful, it creates incredible myths. Mainardi is an example. He started creating the myth that he is the new Paulo Francis. But when you read what he writets … I am not making a value judgment here, I am talking simply about quality. Suddenly, you become a celebrity. And in these mutual self-defense groups, you have the likes of Sabino praising Ali Kamel who praises Mainardi, and so on. That is, you create a structure inside the press that is outside the control of editorial management, mutual self-promotion schemes that border on being mafias. They destroy outsiders and try to create a reputation for themselves as intellectuals.

Foi o que o Sabino faz na Veja, com essas manipulações com relação ao livro dele. Ele escreve e assina sobre o Otavinho, sobre o Ali Kamel. Mas, na hora de tentar destruir o Davi Arrigucci, o Silviano Santiago (críticos literários e professores acadêmicos), ele coloca outros para assinar. Tentaram destruir o (também crítico José Miguel) Wisnik, o Santiago, o Arrigucci. E quem são as novas personalidades intelectuais que surgem? Ali Kamel, Mário Sabino, Mainardi. É inacreditável! Mainardi! Duas das maiores organizações do país — Abril e Globo — passaram a ser manipuladas por três ou quatro pessoas, criando esses mitos. É uma loucura.

This is what Sabino did at Veja, with those schemes to promote that book of his. He writes an article praising Frias or Kamel under his byline. But when it comes time to assassinate the character of Arrigucci or Santiago (literary critics and academics), he assigns others to do the dirty work. They tried to destroy Wisnik and the others. And what new intellectual figures come in to replace them? Kamel, Sabino, Mainardi.

Until I learn of a worthy challenger in South Africa, Zimbabwe, or some liar’s poker champion at a research station in Antarctica, I am sticking to my ranking: Ali Kamel is the most intellectually dishonest man in the Southern Hemisphere. Or perhaps J.J. Rendón deserves that honor. Maybe we should run a reader survey to nominate the champ.

Então você tinha uma clara dimensão de onde estava se metendo quando iniciou o dossiê?

So did you have a clear idea of what you were getting into when you started your “dossier”?

Quando entrei, me preparei para o pior. Vamos pegar um exemplo. Há oito meses, esse rapaz (Reinaldo Azevedo) me ataca. Há oito meses, o Reinaldo escrevia baixaria contra os professores da USP. Dava no Jornal Nacional e dava na Veja. Aí percebi que, quando começasse a série, eles usariam esse cara para me fazer ataques. Minha reputação continua a mesma. Estava até esperando coisa pior, que deve vir ainda.

When I started, I prepared myself for the worst. Let’s take an example. Eight months ago, this kid (Azevedo) attacks me. Eight months ago, Azevedo writes [sleazy untruths] about USP professors. It was on Globo’s Jornal Nacional and it was in Veja. So I realized that if I started publishing this series, they would use this guyto attack me. My reputation is unchanged. I was even expected worse, but that may be still to come.

Mas usei esses oito meses para preparar minha família. Dizia: “Olha, vão lendo isso aqui. Essa baixaria vai estar ampliada quando eu começar a cutucar esse pessoal”. Minha preocupação maior era com os meus familiares. Cada vez que minha mulher ficava mais horrorizada com os ataques, eu dizia: “Maravilha — estão se enforcando na própria corda”. Desse pessoal, eu esperava tudo. Acho que a Abril está um pouco mais cuidadosa do que eles. Mas, se dependesse deles, estariam falando da minha mãe, das minhas filhas. Eles não têm limites.

But I used these eight months to prepare my family. I said, “Hey, read this here. This sleaze is just going to get worse when I start poking these people.” My biggest worry was my family. Everytime my wife got horrified by the attacks, I would said: “Wonderful, they are hanging themselves with their own rope. ” I expected anything and everything from these people. But if it were up to them, they would be talking about my mother, my daughters. They have no limits.”

Por outro lado, para mim era terrível, como jornalista, essa história de ver um grupo que conseguia ficar incólume com superpoderes para injúrias e difamações. No jornalismo, em qualquer lugar democrático, toda vez que você vê manifestações de superpoder, ou essa arrogância, é um desafio para a gente. Mas ninguém queria desafiar por que? Porque os jornais foram covardes na hora de defender os seus profissionais.

On the other hand, it was terrible for me, as a journalist, to see this group getting away with this “license to kill,” to slander and defame. In any democratic nation, every time you see manifestations of this sort of power, this arrogance, you take it as a challenge. But no one wants to challenge them. And why isthat? Because the newspapers have been cowards when it came time to defend their journalists.

Não tem nenhum jornalista neste país que respeite o jornalismo da Veja. Eles temem. Temem porque a Veja tem autorização para atirar em cima deles, e seus jornais não vão defendê-los. Foi o que aconteceu comigo na Folha. Quando eu saí de lá, eu falei: “Bom, agora estou por minha conta”. Esperei um tempo para o blog pegar e para a radicalização política diminuir, e aí comecei. Vamos ver no que vai dar.

Not a single journalist in Brazil respects the journalism Veja does. They merely fear it. They fear it because Veja has a license to kill, and they know their publications will not defend them. That was what happened to me at the Folha. When I left there, I said: “All right, now I am on my own.” It took a while for the blog to take off and for the political radicalization to die down, and then I started. Let’s see where it leads.

Se bem que, logo depois do artigo do Leonardo Attuch contra você (“Nassif: o fracasso lhe subiu à cabeça”), o Otavinho deu uma declaração a seu favor…

Yes, but after that article in which Leonardo Attuch wrote an article against you (“Nassif: Failure Has Gone to His Head”), Frias, your publisher, issued a statement defending you …

Esse negócio de que fui demitido da Folha porque eu recebia propina — o blog deles estava há oito meses falando sobre isso. Os meus leitores vinham e diziam: “Você não vai responder?”. Não. Se responder, você vai dar munição para um cara desqualificado. Você vai desviar toda a discussão para se defender de maluquices.

That whole bit about me being fired from the Folha for taking a bribe — their blog harped on that for the last eight months. My readers came to me and said, “Aren’t you going to respond?” No. If you respond, you are just providing ammunition to someone who has no credibility. You are going to let them change the subject in order to defend yourself from [insanely stupid charges.]

O Attuch é conhecido. A Veja, no começo, o atacava — até que fizeram um acordo. Quando veio o ataque do Attuch, foi bom, porque aí o Comunique-se e a Imprensa procuraram o Otávio Frias Filho, e ele esclareceu tudo. Agora, você vê: foram oito meses em que os caras ficaram falando isso aí no portal da Veja, que é maior revista do país. Quer dizer, será que não tem nada de errado com a mídia? Se isso não for uma deformação completa, eu não sei o que é.

Attuch is well known. Veja attacked him at first — until they did a deal. When I saw Attuch’s attack, it was great, because [the trade magazine] Comunique-se and Imprensa magazine went to [Little Otávio] and he explained the whole thing. So you see: Eight months these guys are saying this on the Veja Web site, the Web site of the largest magazine in Brazil. And you mean to tell me there is nothing wrong with our news media? If this is not a complete [monstrosity], I don’t know what would be.

Sobre a Globo…

Regarding Globo …

A Globo não tem a mesma baixaria da Veja. A Globo é Ali Kamel.

Globo does not have the same sort of gutter tactics as Veja. Globo is Ali Kamel.

Mas tem essa questão da superexploração da febre amarela, das crises…

But what about the hyperexploitation of yellow fever, the crises …

Isso é coisa do Ali Kamel. O jornal O Globo caminhava para ser o melhor do país. Aí entrou o Ali Kamel com essas maluquices dele: o caso da TAM, da febre amarela, apagão, atletas cubanos, etc. O Globo tinha tudo para ocupar o espaço que a Folha deixou e foi comprometido pelo Ali Kamel.

That’s Ali Kamel at work. O Globo was on its way to becoming the best paper in Brazil. Then Ali Kamel came in with this insanity of his: The TAM crash, yellow fever, power blackouts, the Cuban athletes, and so on. O Globo had all it needed to occupy the space the Folha de S. Paulo left open and was undermined by Ali Kamel.

On the TAM air disaster and Globo, see

Essa situação tem a ver com a questão da concentração da mídia?

Does this situation relate to the problem of concentrated media ownership?

Tem tudo a ver, mas a internet já está democratizando a mídia. Eu recebi aqui alguns e-mails que falam do Mário Sabino brigando com a Folha. A característica desse pessoal é que são todos puxa-sacos. Eles elogiam suas empresas de um tal jeito… Qualquer ser humano com um mínimo de pudor teria vergonha. Faz parte desse perfil.

It has everything to do with it, but the Internet is democratizing the media. I got some e-mails about Mario Sabino quarreling with the Folha. The main characteristic of these people is that they are all [brown-nosers]. They praise their employers to the skies. Any human being with a minimum of shame would be embarrassed. …

E é interessante quando você pega o Sabininho. Como ele é caricatura, fica ele todo dia falando do Victor Civita (fundador da Editora Abril), comovido. É inacreditável. Fico vermelho por eles. Aí tinha o Kamel mandando carta toda semana para a Folha, para atacar a Folha e defender O Globo. A Folha era o grande agente de tensão e exerceu um papel de equilíbrio muito importante. Num determinado momento, a Folha deixa de exercer esse papel, e cria-se um pacto tácito entre os jornais.

And it gets interesting when you take the case of Sabino’s “mini-me” (Azevedo). Because he is nothing but a caricature, he spens all his time talking about Abril founder Victor Civita, all choked up. It’s unbelievable. I blush for these people. Then you have Kamel sending the Folha a letter every week, defending O Globo and attacking the Folha. The Folha used to be a an important [forum for] debate and played a very significant balancing role. At a certain point, it stopped playing this role and a tacit accord was reached by the big metro dailies.

E eles acham que, com esse pacto fechando a atuação deles, nada do que não quisessem viraria notícia. Não se deram conta do fenômeno da internet. Esse foi o grande engano. Aquela entrevista que a gente fez, acho que foi a primeira que rompeu com essa cortina de silêncio. Isso é resultado do fenômeno da internet.

And they think that once they have closed this deal on how they will operate, nothing will make the news unless they want it to. But they did not count on the Internet. That was a big mistake. That interview we did [in 2006] I think was what started piercing the veil of silence.

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