Caros Amigos Interviews Nassif

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Brazilians rate the performance of their press low, in terms of “honest and accuracy,” according to the BBC-Synovate survey in question. They rate the relative priority of press freedom and social stability about the same, with a slight edge to the latter. Brazil is among those countries where respondents tended to find their news media lacking in accuracy and impartiality. Some 80% said they thought concentration of media ownership produces bias in factual reporting.
See also Brazilian News Media Garbles Survey Data on the Question, “Does Your News Media Report Honestly and Accurately?”

… a study done by Pompeu de Souza and D’Alembert Jaccoud showing that Euler Bentes had a good voting record in Congress against [the president-general Figueiredo]. When it got to Veja‘s editors, they simply inverted the numbers, and that was a problem, everyone got together and said, “Look, people, you can follow the editorial line of the magazine, but you cannot switch the numbers around like that.” And that’s when the [mass layoffs] began, a terrible  persecution of people began. –Luis Nassif

Caros Amigos interviews journalist Luis Nassif, whose series on Veja magazine (Editora Abril) is raising eyebrows. The full interview is only available in the print edition of the magazine.

I bought two copies and gave one to my wife, who knows how this sort of thing works from direct experience.

Notable, I thought, was a prime-time TV spot by the magazine on Globo’s Jornal Nacional this week.

The soundtrack consists of children’s voices chanting the phrases “no” and “yes” as a series of images meant to depict reaons for despair and hope flash on the screen.

What I gathered from this: Veja thinks of its readers as children.

See also

Excerpts on the outsized lefty review’s Web site.

Tudo pelo jornalismo, inclusive pôr a cara para bater. É isso que ele diz movê-lo a desafiar a revista Veja por meio de uma série de matérias contundentes que publica na Internet: Dossiê Veja. Seu blog tornou-se um dos campeões de audiência. Porque não é todo dia que alguém decide enfrentar os supostamente mais poderosos meios de comunicação.

Anything for journalism, including putting his [neck] on theline. That is what he says moved him to defy Veja magazine in a series of bruising articles he published on the Internet: The Veja Dossier. His blog has become a ratings champion. But it is not every day that someone decides to take on the supposedly more power news media.

Interviewers: José Arbex Jr., Renato Pompeu, Thiago Domenici, Marcos Zibordi, Mylton Severiano, Sérgio de Souza. Photos: Eduardo Zappia.

SÉRGIO DE SOUZA Como é que você chega nessa imprensa grande?

How did you start working for the major news media?

Me formei em 69, em São João da Boa Vista. Depois prestei vestibular pra ECA, pra USP e passei. Tenho uma tia que foi casada com o jornalista Luis Fernando Mercadante, que foi da Abril e da Globo, e quando vim pra cá ele me apresentou para o jornalista Talvani Guedes da Fonseca, que me arrumou um estágio na Veja. Fiquei três meses estagiário, daí fui contratado como repórter. Fiz carreira na Veja até 79, quando fui pro Jornal da Tarde. Na Veja a gente pegou aquela fase complicada de ditadura e à medida que comecei a entrar mais na área econômica as informações que a gente levantava passava para o movimento (jornal oposicionista), do Raimundo Pereira. No Jornal da Tarde, quando começou a era da informática eu já passei a me preparar, achava que o computador – não pensava em Internet ainda, mas havia o chamado Cirandão (uma espécie de rede) – seria a liberação do jornalista. Daí fui pra Folha em 83, saí em 87, 88, e fi quei com o Dinheiro Vivo, continuo até hoje. Em 91 voltei pra Folha de novo e agora estou um blogueiro.

[tktktktktk]

JOSÉ ARBEX JR. Qual foi o elemento detonador desse movimento dentro da Veja?

What set off this movement inside Veja?

Foi uma pesquisa feita pelos jornalistas Pompeu de Souza e o D´Alembert Jaccoud mostrando que o Euler Bentes tinha uma votação boa no Congresso contra o João Baptista Figueiredo. Quando chegou na redação, eles inverteram os dados, e aquilo foi um problema, juntou todo mundo e “ó, gente, vocês podem ir na linha da revista, mas não podem inverter dados assim”. Ali começou o processo de “passaralho” (demissão em massa), começou uma perseguição terrível em cima das pessoas. Eles não conseguiram me demitir, eu saí quando tive a proposta do Jornal da Tarde. Agora, aquilo foi muito importante, porque quando eles te jogam no meio da guerra você perde o medo e manda bala. Pra mim foi uma maneira de sair da concha e saber que os ambientes de redação são complicados; se você não cria uma imagem, uma marca própria, você fi ca refém.

It was a study done by Pompeu de Souza and D’Alembert Jaccoud showing that Euler Bentes had a good voting record in Congress against [the president-general Figueiredo]. When it got to Veja’s editors, they simply inverted the numbers, and that was a problem, everyone got together and said, “Look, people, you can follow the editorial line of the magazine, but you cannot switch the numbers around like that.” And that’s when the [mass layoffs] began, a terrible  persecution of people began. They could not manage to fire me, I left because I had an offer from the Jornal da Tarde. 

Lembro um ótimo colega que falava: “Não adianta, você não vai fazer carreira porque você é bom jornalista mas não sabe conviver com a estrutura”. E eu nunca consegui. O período que fi quei secretário de redação da Folha foi o pior período da minha vida, porque se eu tiver que trabalhar catorze horas por dia eu trabalho com gosto; se eu tiver que dedicar trinta minutos pra entender essas guerrinhas de puxar o tapete daqui e dali, pra mim é um desespero. No Jornal da Tarde tive o período mais criativo. Montei o Seu Dinheiro, o Jornal do Carro, mas quando surgiu o computador eu falei: “Preciso criar uma marca própria, se depender de redação eu não dou certo”.

I remember a fine colleague of mine saying, “There’s no point, you’ll never have a career because you are a good journalist but you don’t know how to work within the system.” And I never did manage to learn. The time I spent as [a senior editor] at the Folha was the worst period of my life, because if I have to work fourteen hours a day, I do it with pleasure, but if I have to spend half an hour trying to figure out these [nasty little office intrigues], I’m in despair. At the Jornal da Tarde, I had my most creative period. I set up the Your Money section, the automotive supplement, but when the personal computer came along I said: “I need to create my own brand, if I depend on the newspaper, I am not going to succeed.” 

JOSÉ ARBEX JR. Eu acho que a Veja merece uma caracterização um pouco melhor, mais precisa. Porque, na minha opinião, ela é diferente da Folha e do Estadão. Tem um lugar que a Veja ocupa, que você citou de passagem. Na minha opinião, ela é o veículo propagador do neoconservadorismo no Brasil. Fiquei pensando: com quem a Veja dialoga? A única resposta que eu achei foi George Bush.

ARBEX: I think Veja deserves to be characterized better, more precisely. Because in my view it is different than the Folha and the Estadão. It occupies a certain space in the market, which you mentioned in passing. In my opinion, it is the vehicle that disseminates neoconservatism in Brazil. And I thinkn to myself: Who does Veja talk with. The only response I could find was Bush. 

A Abril não é uma editora ideológica. Quando você pega a Abril, a Folha, o Globo, eles cavalgam movimentos da opinião pública. Se a opinião pública quer um pouco mais à esquerda, eles vão, faz parte do conceito da grande mídia em relação ao ambiente de mercado. Depois das Diretas-Já tinha uma onda mais à esquerda, eles foram. Depois tem uma onda um pouco mais à direita. Tem um conjunto de fenômenos aí que ajuda a explicar essa questão de mais pra direita. Tem de um lado uma classe média que foi massacrada quinze anos; aí tem uma insegurança, porque financeiramente ela começa a cair. É uma classe média ameaçada.

Abril is not an ideological publishing house. You take Abril, the Folha group, Globo, these companies just ride trends in public opinion. If public opinion shifts to the left, they follow it, this is part of their concept of the market environment. After the “Rights Right Now” protest movement there was a leftward turn, and they tagged along. Afterwards, a rightward shift. There is a complex of factors that helps to explain this issue of the rightward turn. You have a middle class that has been getting massacred for the last 15 years, so you have this insecurity, because financially they are in decline. It is a middle class under threat.

Which is precisely the theme of many a Veja cover: “The Landless Workers’ Movement wants to barbecue your forcibly aborted white Christian babies.” I am quite serious. Some student of iconography should do a study. It is not exactly subtle. It is about as subtle as the mimeographed zine of an Idaho skinhead, really.

De repente você tem uma ascensão da classe D. Isso cria uma dupla insegurança pra classe média, que é a insegurança fi nanceira e insegurança de status. Daí o Lula é eleito. Você tem o deslumbramento inicial do pessoal que chega ao governo, o que vai acentuando a resistência da classe média. Tudo isso dentro de um ambiente em que mundialmente há essa tendência à direitização. E a grande imprensa sempre refletiu esses movimentos lá de fora, sempre foi cópia malfeita desses movimentos. Então já havia uma tendência de ocupar esse espaço mais à direita. Os jornais fazem isso. Daí surge o escândalo do mensalão, eles têm a chance de refletir o que eles acham que era o sentimento de seus leitores contra o governo e derrubar o governo.

Then suddenly you have the ascent of Class D. This creates a double sense of insecurity for the middle class, which is financial insecurity and insecurity about status. Then Lula gets elected. You have the initial honeymoon of the people arriving in power, and this accentuates the resistance of the middle class even further. All of this within a global trend toward the right. And the Brazilian press has always reflected these trends abroad, has always [copycatted these trends ineptly.] So there was a tendency to try to occupy this space more to the right. The newspapers are doing this. So then the “big allowance” scandal comes along and they have a chance to reflect what they think their readers’ feelings are against the government and try to bring down the government. 

Nada de conspiração, estamos falando de mercado. Então todos partem pra isso. Doeu meu coração ver a Folha a reboque da Veja, mas ela tinha lá a visão de mercado dela. O Estadão, com mais discrição, como sempre. O Globo, com exceção das intervenções de Ali Kamel, faz um jornalismo um pouco mais sólido. A IstoÉ é aquilo que a gente já conhece. Mas a Veja envereda por um caminho onde entra um profundo amadorismo desse pessoal. Quando eles começam a subir o tom, com aquela agressividade, colocar o presidente da República…

There’s no conspiracy, we are talking about the [logic of the] market. So they all go after this. It just broke my heart to see the Folha hitching a ride with Veja, but it had its own view of its market. The Estadão, too, but more discretely, as always. O Globo, with the exception of Ali Kamel’s interference, does a journalism that is a little more solid. IstoÉ is those people we all known. But Veja has gone down a path in which the profound amateurism of these people enters in. …

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